terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Vacinar ou Não vacinar? - Eis a questão


Aquilo que não conhecemos, tende a se tornar um monstro em nosso caminho, ou uma possibilidade de fazer de nós heróis. Mas e quem é que precisa de heróis, quando o inimigo é fluido, gasoso, ou invisível? Quem se habilita a ser herói numa jornada sem guia, sem mapa, sem uma bússola, ou sem mesmo saber onde queremos chegar? Ao que entendi, ninguém mais quer ser herói, mas busca desesperadamente quem o seja, e caso não alcance a vitória desejada, fica mais fácil jugar aos leões, os vencidos, os traidores.

Estamos nos encaminhando para a terceira volta da Terra pelo cinturão solar, e a única coisa que sei é que Sócrates nunca foi tão convincente sobre seu saber, e também o meu: Nada sei!

Tenho buscado abstrair-me de envolvimento em debates que não dizem respeito algum ao meu campo de conhecimento, o qual ainda nem sei qual é, enquanto tais debates tentam, de toda forma de pressão, envolver-me na tomada de postura contra ou a favor de vacinas.  Contra ou a favor deste ou aquele político. Contra ou a favor as decisões do judiciário. Contra ou a favor a tecnologia, e mais recentemente ainda, o tal "Metaverso". Contra ou a favor as cotas raciais. Contra ou a favor comer carne vermelha, branca, de frango, de peixe cru. Contra ou a favor o casamento gay, enfim, sempre haverá um dualismo, e a cada dia que passa, com a sustentação das redes sociais, esse dualismo se multiplica como um conjunto de fractais sem fim, e nesse universo de dualidades, a neurose toma conta das pessoas pelo mundo e pela vida afora.

Tenho sido bombardeado ininterruptamente por amigos de todas as correntes antagônicas, a que me posicione, e mais, que me posicione a favor de suas ideologias, e isso digo, em relação à bola da vez, a COVID-19, e a guerra especulativa entre os grupos pró-vacina e seus rivais, anti-vacina. E assim, para ser "politicamente correto", preciso dar voltas em um e outro, mas que por fim, acabam determinando que minha atitude seja de indeciso, "em cima do muro", é o termo que gostam de usar. Tenho sido provocado a fazer campanhas, por ser "influencer", o que não sou, mas ainda que fosse, não influencio por procuração. Se eu tiver que errar, que sejam meus os erros, e que não ponham vidas em risco pela minha ignorância, pois errar, quando se trata de vidas humanas, seria um preço alto demais a pagar, ao responder ao Juiz dos Juízes no dia do acerto final. Não quero responder por erro, nem tampouco por omissão. Assim, devo dizer que orei muito para tomar essa decisão, e tentarei ser fiel ao que minha consciência me comove a dizer.

Já escrevi sobre a incerteza de cada uma das posições, ainda que o grau de convicção de seus devotados defensores possa oferecer aquele olhar nos olhos que confere certeza daquilo que pregam, e ouso dizer ainda que levam suas convicções  à morte (sua ou de inocentes), para promover suas cruzadas em favor da vida (o que ambas as facções usam como estandarte). Não se trata mais de desejo de que a vida prevaleça, mas que suas convicções sejam tomadas ao pé da letra. De um, e de outro lado da questão. Ser ou não ser. Vacinar ou não vacinar. Isso não é mais a questão, mas obedecer ou desobedecer: seja o governo central, seja o poder mais alto da Justiça, sejam os defensores dos direitos daqueles que não tem nenhuma certeza, mas assim preferem permanecer, para sobreviver por uns dias a mais, não à doença, mas à pressão, pois esta não vem de forças ocultas e inimigos declarados, mas de quem está muito próximo, que exerce muita influencia, e a quem não desejamos de forma alguma, magoar.

Mas magoamos. Existir já é motivo de mágoa em alguém. Viver, magoa a morte, e morrer é o apogeu da dor. Ainda assim, magoamos. Magoamos muito por falarmos e magoamos pela ânsia de não errarmos ao falar. Assim, minha postura sobre ser e não ser, vacinar e não vacinar é: Eu tomei, e tomarei todas as vacinas sugeridas ou exigidas pelas autoridades sanitárias do lugar onde eu estiver, para os devidos fins a que se destinarem. Cumprirei as leis pertinentes ao meu convívio em sociedade, e partindo dessa premissa, se exercer algum tipo de autoridade, exercerei tal autoridade, partindo da ética, pela qual norteio minha conduta religiosa e civil, sobretudo familiar e pessoal.

Quanto ao direito alheio de não ser vacinado, se esse exercício colocar em risco a minha integridade sanitária, seja pessoal, ou familiar, exercerei minha obrigação de requerer o distanciamento necessário e saudável, direito que me assiste, e se tal direito for subvertido, exercerei meu direito à defesa, nos modos legais, seja afastando-me do agressor, seja afastando tal pessoa de meu convívio, pois o meu direito está limitado à cerca do direito alheio.
Quanto aos que não desejam tomar vacina, defenderei com todas as palavras que meu escasso vocabulário possa oferecer-me, à garantir seu direito a não tomar vacina, nem mesmo serem constrangidos por quem a toma. Alguém como eu. Assim, entenderei e far-me-ei entender que conselho não é ordem pois o primeiro dá-se voluntariamente a quem deseje ouvir, e o segundo, impõe-se sob força de autoridade, cujo compêndio de opiniões não pode ultrapassar tal função, posto que também são conselhos.

Fui questionado sobre a obrigação de autoridades judiciais tomarem a si a obrigação de defenderem os frágeis, contra arbitrárias decisões de vacinar crianças, a celeuma do momento, e minha resposta é que eu não tenho tal autoridade, e ainda que bem intencionados, se tais empenhos exacerbarem à lei e à constituição, estarão invadindo o território da democracia e empunhando as armas da ditadura, a ditadura da balança da justiça, que não pode pender para opiniões e crenças de seus agentes, mas defender aquilo que está determinado pela autoridade a quem compete decidir, e aqui não estabeleço a qual poder esteja o direito e o poder de estabelecer os decretos, mas que ainda que estabelecidos, devem ser cumpridos.

Na condição de temente a D's, cujas profecias me apontam que tais movimentos não sejam senão um aparato de frente, uma comissão que abre caminho para tempos solenes, que antecedem a chegada do Messias, e que tais tempos, segundo as profecias que conheço, cercearão o direito à liberdade de pensamento e culto, e subverterão os caminhos determinados para a felicidade humana pelo próprio Criador, ainda assim, sei que posso estar sujeito às penalidades que tais momentos determinarão sobre minha própria vida e liberdade, e mesmo sabendo disso, espero ter a coragem suficiente para não negar a minha fé, que está firmada no Livre Arbítrio, o mesmo que advogo nesse instante.

"Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está no Messias, o meu Redentor!  (Romanos, 8: 38-39)"







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