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terça-feira, 17 de março de 2026

Arte em Bico de Pena by Pacard

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Antique Art by Pacard

✦ Arte original ✦

Antique Art by Pacard

Reproduções em vinil sobre papelão duro · Edições limitadas e assinadas
Bico de pena · Art Nouveau · Renascentismo

Traço, tempo & alma

Cada peça é um universo em si

Criadas com a precisão do bico de pena e a sensibilidade do Art Nouveau, as ilustrações de Pacard habitam um território entre o clássico e o eterno. Inspiradas no Renascentismo europeu e nas sinuosas linhas do início do século XX, cada obra é uma edição limitada de 26 exemplares, numerada e assinada pelo artista.

21×29cm Formato
/26 Edição limitada
Vinil Sobre papelão duro
Assinada Pelo artista

Tabela de Preços

Originais · Reproduções · Projetos especiais

Modalidade Valor
Peça original Bico de pena · Art Nouveau · Renascentismo · Assinada e numerada
R$ 900 – R$ 1.500
Reprodução em vinil — formato A4 21×29cm · Vinil sobre papelão duro · Assinada
R$ 150 – R$ 300
Sob encomenda / Projeto especial Tema e composição definidos pelo cliente · Qualquer estilo
A combinar
Painéis e murais — formato acima de A3 Grandes formatos · Projetos decorativos e corporativos
A combinar

Peças originais acompanham certificado de autenticidade.
Frete para todo o Brasil · Pagamento via PIX, transferência ou cartão.

* Encomendas e projetos especiais: entre em contato para orçamento personalizado.

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Antique Art by Pacard  ·  Reproduções em vinil limitadas e assinadas  ·  Todos os direitos reservados  ·  2025
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A mulher na Torá - Mulher valia menos que homem nas leis mosaicas?

 













Mulher valia menos que homem nas leis mosaicas?
Exegese de Levítico e diálogo com tradição judaica e cristã


Sha’Ul Ben Avraham – Da’ati


INTRODUÇÃO

Este estudo analisa se as diferenças de tratamento entre homem e mulher nas leis de Levítico indicam inferioridade ontológica feminina ou se refletem distinções rituais, econômicas e culturais próprias do Antigo Oriente Médio.

A abordagem será estruturada em níveis progressivos:

  1. Análise textual rigorosa da Torá

  2. Interpretação talmúdica e rabínica clássica

  3. Comparação com códigos do Antigo Oriente

  4. Leitura crítica moderna e feminista

  5. Argumentação para quem se revolta com a aparente desigualdade

  6. Comparação com Jesus, os apóstolos e Ellen G. White

  7. Análise médico-sanitária do pós-parto


I. TEXTOS CONSIDERADOS PROBLEMÁTICOS EM LEVÍTICO

1️⃣ Levítico 12 – Purificação após o parto

Problema moderno

Por que a mulher permanece ritualmente impura por período dobrado quando nasce uma menina?

Análise textual

A palavra hebraica utilizada é טומאה (tum’ah) — impureza ritual.

Tum’ah:

  • Não significa pecado.

  • Não implica culpa moral.

  • Não indica inferioridade ontológica.

  • Impede temporariamente participação no santuário.

Importante: cadáver também gera tum’ah, e ninguém considera um cadáver “pecador”. Trata-se de categoria ritual ligada ao sagrado.

Estrutura do texto

  • 7 + 33 dias = 40 dias (menino)

  • 14 + 66 dias = 80 dias (menina)

Interpretação talmúdica (Tratado Niddah 31b)

Três linhas principais aparecem:

  1. Interpretação médico-antiga sobre duração de fluxos.

  2. Simbolismo da geração: a menina carrega potencial futuro de gerar vida.

  3. Intensificação ritual relacionada ao ciclo de sangue.

Nenhuma fonte rabínica clássica afirma inferioridade moral feminina.


2️⃣ Levítico 15 – Menstruação

  • Mulher menstruada: 7 dias de impureza.

  • Homem com emissão seminal: impuro até a tarde.

Há assimetria temporal, sim.

Na Mishná (Niddah), a menstruação é vista como:

  • Processo fisiológico natural.

  • Não pecaminoso.

  • Parte da disciplina espiritual da vida conjugal.

A halachá posterior transformou a niddah em prática espiritual reguladora da intimidade familiar.


3️⃣ Levítico 27 – Avaliação monetária

Homem (20–60 anos): 50 siclos
Mulher: 30 siclos

O termo hebraico ערך (erek) significa avaliação monetária em contexto de voto religioso.

O Talmud (Arakhin 19a) explica que se trata de estimativa produtiva numa economia agrícola tribal, não valor ontológico.

Se fosse valor moral, o texto manteria lógica consistente, o que não ocorre. A estrutura é econômica, não metafísica.


II. CONTEXTO DO ANTIGO ORIENTE MÉDIO

Comparação com o Código de Hamurabi:

Tema

Hamurabi

Torá

Adultério

Mulher punida severamente

Ambos punidos (Lev 20:10)

Violação

Proteção variável

Proteção explícita (Deut 22)

Status jurídico

Mulher como propriedade

Mulher com proteção legal

A Torá permanece patriarcal, mas juridicamente mais equilibrada que muitos códigos contemporâneos.


III. ANÁLISE MÉDICO-SANITÁRIA DO PÓS-PARTO

A medicina moderna descreve:

  • Descolamento da placenta deixando extensa área uterina exposta.

  • Loquiação progressiva (4 a 6 semanas).

  • Involução uterina até aproximadamente 6 semanas.

  • Maior risco de infecção nesse período.

  • Necessidade de repouso.

O período bíblico mínimo de 40 dias coincide aproximadamente com a recuperação uterina média moderna.

Possível função da lei:

  • Garantir repouso obrigatório.

  • Proteger contra infecção.

  • Evitar relações sexuais precoces.

  • Criar período de adaptação hormonal e emocional.

Quanto aos 80 dias para menina:

  • Não há confirmação médica moderna que exija duplicação fisiológica.

  • Interpretação mais plausível: simbólica ou ritual.


IV. LINHA CRONOLÓGICA DA VISÃO BÍBLICA DA MULHER

1️⃣ Criação – Gênesis 1–2

“Criou Deus o ser humano à sua imagem… homem e mulher os criou.”

Ambos:

  • Recebem imagem divina.

  • Recebem mandato cultural.

  • Não há hierarquia ontológica explícita.

Gênesis 2 introduz diferenciação funcional, não inferioridade essencial.


2️⃣ Pós-queda – Gênesis 3

“Ele te dominará” é geralmente entendido como consequência da queda, não ideal criacional.


3️⃣ Período Patriarcal

Estrutura tribal:

  • Sociedade patriarcal.

  • Economia baseada em força física.

  • Herança ligada à linhagem masculina.

A Torá regula essa estrutura e impõe limites:

  • Proteção à viúva.

  • Direito sucessório às filhas (Números 27).

  • Limitação de abusos.


4️⃣ Mulheres líderes

Apesar do sacerdócio masculino:

  • Miriam é profetisa.

  • Débora é juíza nacional.

  • Hulda é consultada oficialmente.

Autoridade espiritual feminina existia.


V. TALMUD, CABALA E HALACHÁ

Talmud

  • Impureza ritual é temporária.

  • Não implica inferioridade moral.

  • O marido também se torna ritualmente afetado.

Cabala

O feminino é associado à Shechiná (presença divina).
Há dimensão cósmica feminina na mística judaica.

Maimônides

Enfatiza função disciplinadora e pedagógica das leis.

Nachmanides

Interpreta com ênfase simbólica e mística.


VI. CRÍTICA FEMINISTA

Existem três grandes abordagens:

  1. Crítica estrutural — vê controle do corpo feminino.

  2. Leitura progressiva — entende a Torá como moderadora histórica.

  3. Leitura simbólica — interpreta pureza como linguagem teológica.

A indignação moderna costuma partir de pressupostos contemporâneos de igualdade jurídica absoluta.

Perguntas fundamentais:

  • O texto declara inferioridade ontológica? → Não.

  • Há diferenciação funcional? → Sim.

  • Diferenciação é automaticamente injustiça? → Depende do paradigma filosófico adotado.


VII. JESUS, PAULO E ELLEN G. WHITE

Jesus

  • Não ataca Levítico.

  • Cura mulheres ritualmente impuras.

  • Dialoga publicamente com mulheres.

  • Permite discipulado feminino.

  • Primeiras testemunhas da ressurreição são mulheres.

Ele desloca o eixo do sagrado do templo para a pessoa.


Paulo

Gálatas 3:28 afirma igualdade salvífica.

Ao mesmo tempo:

  • Mantém distinções comunitárias em certos contextos.

  • Reconhece mulheres colaboradoras (Romanos 16).

Há tensão entre igualdade ontológica e diferenciação funcional.


Ellen G. White

Ensina que:

  • A lei cerimonial tinha função pedagógica.

  • Cristo é o cumprimento tipológico.

  • O caráter de Deus é imutável.

  • Leis sanitárias do AT revelam princípios de saúde.

Não afirma que Deus mudou, mas que a administração da aliança se desenvolveu.


VIII. QUESTÃO FILOSÓFICA

O conflito moderno não é apenas teológico — é hermenêutico.

Dois paradigmas entram em tensão:

  1. Igualdade jurídica moderna absoluta.

  2. Estrutura funcional diferenciada antiga.

Se julgarmos toda a Antiguidade com categorias pós-iluministas, quase nenhuma cultura será considerada aceitável.

A pergunta correta é:

Dentro do seu contexto histórico, a Torá foi opressiva ou reguladora?

Muitos historiadores consideram que foi reguladora e moderadora.


IX. CONCLUSÃO GERAL

✔ A Torá não declara inferioridade ontológica feminina.
✔ As diferenças são rituais, econômicas e estruturais.
✔ O sistema de pureza regula sangue e vida, não valor moral.
✔ O período de 40 dias possui plausibilidade médica.
✔ A duplicação para menina é simbólica e permanece debatida.
✔ O Novo Testamento não rejeita o Deus do Antigo Testamento, mas desenvolve a compreensão da santidade.
✔ Parte da hierarquização posterior deriva mais da filosofia grega do que do texto hebraico.

A questão final não é:

“Por que não corresponde ao século XXI?”

Mas:

“Foi injusta dentro do seu contexto histórico?”

A análise textual, talmúdica, histórica e médica sugere que não se trata de inferioridade ontológica, mas de diferenciação ritual e social dentro de uma cultura tribal regulada progressivamente.





Texto colaborativo com GPT online*

domingo, 24 de agosto de 2025

Tendências 2026 a 2030 - Parte 2 Aconchego

 
(Transcrito por TurboScribe.ai.)

1 - English Text

English

(0:03 – 3:21)
So, shall we continue? In the previous video, I talked about trends, and I justified this through a study I’ve been doing over the past few months. A trend is always a possibility, never a certainty, but a possibility based on rational arguments, on facts that keep adding up. I spoke about the possibility that in the next five, maybe even ten years—and later I’ll explain why this timeframe—the living environment will change. I don’t really like to use the term “decoration,” because it often implies something expensive, something only the wealthy can have. But that’s not the case. I can decorate with a simple flower vase, or with a slipcover on a sofa, or with a hand-embroidered tablecloth. Decoration does not necessarily mean luxury or wealth; it simply means arranging a space in a way that makes it pleasant and welcoming. That’s the link to what I want to discuss. I made use of artificial intelligence in my research, because it speeds things up. I feed it a theme, I ask for sources and references, and in a few minutes I have what I need. Then I ask it to organize the material into the form of a lecture. It doesn’t replace my knowledge, but it provides raw information, from which I create my synthesis. My premise here is: how will furniture, interiors, homes, and gardens—let’s call it the home—evolve in the coming years, in response to what’s happening in the world: wars, epidemics, hunger, crime? The home will increasingly become a castle, a fortress. Just as in the past, thousands of years ago, when fortified walls provided security, today our sense of safety is strongest inside our homes.

(3:21 – 16:00)
And security is indeed one of the main concerns of our times. I’ll give an example. When my granddaughter Sara was little, maybe four years old, we would go for a walk in the condominium courtyard. If someone made a joke or scared her a little—a janitor, a doorman—she would run and hide behind my leg, hugging it, smiling, and feeling safe. That’s the instinctive sense of security we seek at home. We have doors, gates, electric fences, cameras, and other means to keep us safe. But security alone is not enough. If you are safe inside a cave, you will still need warmth, food, and comfort. The same goes for a home: it must be safe but also pleasant, comfortable, and welcoming. That is the true meaning of decoration—or, as it came to be known in the 1990s, interior design. I started as a furniture planner in the 1980s, later became a decorator, and after attending the Milan Fair in Italy in 1990, I embraced the word “designer.” Design is not just about drawing; it comes from the Latin designare, meaning to outline or plan something that will be produced. And design involves much more than drawing. It requires knowledge of materials, production methods, tools, technology, and above all, human behavior. How will society respond to a new product? Does society demand it, or does the product itself shape consumer habits? These are fundamental questions. Design connects the producer, who seeks profit and jobs, with the consumer, who seeks comfort and fulfillment.

(16:01 – 16:48)
Now, one of the strongest trends I see relates to nostalgia and emotional connection. In times of uncertainty—economic crises, social upheaval—people seek comfort in the past. Retro style, with references to the 1950s, 60s, 70s, and 80s, evokes memories of simpler, more stable times. Often, these memories are not even lived experiences but dreams of what could have been: a country house, a grandmother’s farm, a white-fenced yard. Nostalgia is not just missing the past, but longing for the youthful sense of hope and dreams we once had. That’s why the 1950s and 60s are often called the “Golden Age.” Music, fashion, literature, cars, and architecture from that time still inspire us today.

(16:48 – 17:56)
So, as times grow more difficult, the future of interior design is not something shockingly futuristic—technology is already here and advancing fast—but rather something that balances technology with warmth, comfort, and the good memories of the past. That’s today’s message. And I’ll make a deal with you: if I get just 20 more subscribers, I’ll record another video. A big hug to everyone, and may God bless you all.




Português

Clique na imagem para assistir o Video no Youtube

(0:03 - 3:21)

Então, vamos continuar? No vídeo anterior, eu falei sobre a tendência, e aí eu justifico através de um estudo que eu tenho feito ao longo dos últimos meses, sobre a possibilidade, tendência é sempre uma possibilidade, tendência nunca é uma certeza, mas ela é uma possibilidade com base em certos argumentos racionais, de fatos que vão se somando, pois bem, e eu falei então sobre essa possibilidade de que nos próximos 5, talvez até 10 anos, e depois eu explico porque esse tempo, o ambiente habitacional, vamos dizer assim, eu não gosto de falar propriamente o termo decoração, porque decoração pressupõe uma coisa cara, uma coisa que só rico pode ter, não é assim, eu posso decorar um ambiente com vasinho de flor, eu posso decorar um sofá com uma capa simples, eu posso decorar uma mesa com uma toalha bordada à mão, e assim por diante, então decoração não pressupõe riqueza, decoração não pressupõe luxo, ela pressupõe um arranjo, uma ornamentação do ambiente para que torne mais aprazível, mais agradável, e é aí que eu gancho do que eu quero falar. Então eu elaborei, e naturalmente eu me vali, eu usei a inteligência artificial, por quê? Porque ela acelera a pesquisa, então eu coloco o tema, eu quero que pesquise esse tema aqui, eu quero fontes, referências, e em poucos minutos eu tenho o que eu quero, e depois eu peço que ela organize para mim, em forma de palestra, acelera bastante, não muda o meu conhecimento, acrescenta informação, mas o meu conhecimento é exatamente a síntese que eu vou tirar, que eu vou retirar desse conjunto de informações. Então como o mote aqui, a premissa aqui é falar sobre como será o comportamento do mobiliário, do interior, da casa, do jardim, enfim, do lar, vamos chamar de lar, nos próximos anos, em decorrência do que está acontecendo no mundo, em razão de guerra, em razão de epidemias, em razão de fome, todas da criminalidade, o que acontece é que a casa vai se tornar cada vez mais o castelo do indivíduo, a preocupação com segurança é uma coisa que vai crescer bastante, ou seja, é dentro de casa que eu estou seguro, e isso não muda do que acontecia a mil, a dois, a três mil anos atrás, onde a fortificação estabelecia um certo padrão de segurança, era mais intransponível, era mais difícil arrombar uma parede de um castelo, uma fortaleza, uma muralha, do que entrar numa choupana simples lá no meio do campo, atear fogo, como eles faziam, e invadir, depredar e fazer vandalismo.


(3:21 - 16:00)

Então, o que nós temos hoje em termos de segurança, ele pressupõe mais ou menos também esse mesmo sentimento, dentro de casa estou seguro, como uma criança, a minha netinha Sara, hoje está com vinte anos, quando ela era pequenininha, deve ter uns quatro ninhos por aí, eu saia para passear com ela aqui no pátio do condomínio, e às vezes alguém fazia uma gracinha com ela, um zelador, um porteiro, e ela corria e se escondia atrás de mim, meio em diagonal a minha perna, abraçava a minha perna, sorria e olhava para mim, e aí quando a gente saia dali, ela olhava para mim e dizia, "eu ta fetônha do tio", ou seja, ela sentia, se escondendo atrás do vovô, uma segurança, essa mesma segurança que nós buscamos dentro da nossa casa, porque nós temos portas, no condomínio nós temos portas que nos separam da rua, portão, cerca elétrica, câmera de vigilância, os que tem e assim por diante, então, a busca da segurança é uma das premissas em razão dos tempos que estão acontecendo, dos dias que estão acontecendo e a tendência é, e aí é uma tendência forte que ele se acentue, mas segurança não é apenas eu estar seguro dentro de uma caverna, com uma rocha fechando a tampa, fechando a boca da caverna, para que a fera não entre, porque ali dentro eu ainda vou precisar de calor, vou precisar de alimento, vou precisar de certo conforto, para as minhas necessidades, para a minha segurança, para o meu bem estar, então, vou precisar de fogo, alimento e assim por diante, da mesma forma, a casa não é, não basta apenas estar segura, ela precisa estar segura e confortável, segura e aprazível, esse é o sentido então do que nós chamamos de decoração, depois, a partir dos anos 90, acharam mais bonito chamar de design de interiores, até 1990 eu era decorador, até 1980 eu era projetista de imóveis, a partir de 1980 e alguma coisa, eu me tornei decorador e a partir de 1990, retornando de uma viagem que eu fiz a feira de Milão à Itália, eu entendi que o termo correto para minha profissão seria designer, mas enfim, aí tudo virou design, é bom, não está errado não, até porque existe uma compreensão, uma falsa compreensão da palavra designer, no início, ninguém sabia, quando disse, eu sou designer, aí eles me chamaram de designer, e na verdade não está completamente errado, porque a palavra designer, embora tenha sido apropriada pelos americanos, e depois pelo mundo todo, acham que é uma palavra em inglês, não, não é, designer vem do latim que significa designare ou "desinhare", designare significa vou desenhar algo que será produzido, então isso é o design, é o desenho, é a ilustração, é a orientação gráfica de algo que será produzido ou utilizado, esse é o design, pois muito bem, então o design, ele começou a tomar essa forma, a decoração, assim por diante, e então a partir desse conjunto de coisas, eu fui ao longo dos anos entendendo, porque você quer entender design, principalmente o design interior, não, não só principalmente, todo design, você quer entender o design, você tem que entender mais que desenho, eu conheço designer que não sabe desenhar, eu tive muitos alunos, que eu ensinei desenho à mão, alunos egressos de faculdade de design, do curso superior de design, que não sabiam pegar um lápis para desenhar, usavam naturalmente nas suas aulas recursos gráficos tecnológicos, computação, assim por diante, mas não sabiam o rudimento, até a delícia que é desenhar à mão, pois bem, no momento em que eu me proponho a desenhar algo que será produzido, eu estou realizando o design, e é muito mais importante do que o desenho, é importante também o conhecimento dos materiais, o conhecimento da forma de produção, deixa eu me ater aqui a duas partes, a primeira parte produção, a segunda parte habitação, na parte de produção é importante conhecer o parque industrial, que tipo de máquina, que tipo de ferramenta, que tipo de fresa, que tipo de tecnologia utilizada, que tipo de produto químico é aplicado no acabamento, na montagem, na colagem, enfim, é necessário então o entendimento do aspecto construtivo do design, na parte habitacional é importante o entendimento do ambiente, do espaço, e do comportamento das pessoas dentro daquele espaço, já voltando ao industrial, mais que tudo isso é importante o entendimento do comportamento da sociedade, das pessoas, como é que a sociedade consumidora se coloca diante de um novo produto, quando falamos em design estamos pressupondo uma inovação, não que seja, mas quando vai para o mercado a inovação é que precede, então como é que a sociedade se comporta em relação àquele produto, e outra coisa, é a sociedade que pede por um novo produto e o consome depois que ele aparece, ou é o novo produto que induz a sociedade a consumir, é uma discussão bastante grande, porque o design muitas vezes ele nasce em cima de uma necessidade, que muitas vezes o próprio usuário, o próprio consumidor não sabe o que ele quer, mas ele sabe que ele precisa de algo, cabe ao designer interpretar aquilo, desenvolver e depois a engenharia, não confundir a engenharia de produto com o design, o designer é aquele que cria o objeto e a engenharia de produto é que vai funcionalizar aquilo, fazer com que ele aconteça e assim por depois tem o mercado, vai botar a venda e fazer chegar ao alcance do consumidor, pois bem, claro que no momento que eu vejo um produto novo e eu gosto daquele produto, hoje com as lojas virtuais acontece muito isso, eu penso assim, como é que eu vivi até esse tempo sem isso aí, mas isso é uma outra discussão, pois bem, então baseado nisso é importante entender esse comportamento, tanto das famílias no comportamento dentro de casa, como se comportam com aquele ambiente, como da sociedade, como vai se comportar com aquele produto e é assim que funciona então o design, ele cria o elo de ligação entre a necessidade do consumidor e a necessidade do produtor, a necessidade do produtor é gerar lucro e garantir empregos e tal, a necessidade do consumidor é satisfazer a sua necessidade, o seu conforto pessoal, pois bem, então um dos itens e olha que são muitos, vamos ver como é que vai ser aí por diante, até porque deixa eu pedir para vocês, eu nunca pedi isso, com exceção do vídeo passado e agora eu começo a pedir, eu tenho apenas 300 e poucos inscritos, eu não quero ser um popstar aí, até porque com essa cara aqui não vai ajudar muito não, e esse tema aqui também não interessa muita gente, mas eu gostaria que vocês se inscrevessem no canal, aquilo que todo mundo pede, se inscreve, dá o joinha, aperta o botãozinho ali e compartilha, compartilhe com os amigos, compartilhe com os inimigos, que é para zoar da cara deles, é só eu não preciso sofrer sozinho vendo esse velho dizendo besteira, e para que eu consiga crescer o canal, se o canal crescer, se eu conseguir motivação, motivação até mesmo econômica, que eu não tenho renda, sou aposentado, não tenho renda pelo canal, não ainda, então talvez eu consiga chegar ao fim desse estudo, porque assim, são muitas e muitas páginas de itens, e agora eu vou tratar, hoje eu vou tratar, além dessa introdução, no item chamado nostalgia e conexão emocional, então o texto escrito é assim, em períodos de incerteza como crises econômicas ou mudanças sociais rápidas, as pessoas buscam conforto no passado, o retrô com suas referências a décadas como os anos 50, 60, 70 e 80, no nosso tempo, ele invoca memórias de tempos percebidos como os mais simples ou estáveis, em busca por nostalgia, perdão, essa busca por nostalgia é amplificada por gerações que desejam resgatar elementos da sua infância ou de épocas idealizadas, e aqui a gente já começa a fazer uma separação etária, porque quem é que busca nos elementos da infância, nas lembranças, e até nas lembranças daquilo que não aconteceu, mas gostaria de ter acontecido, aquele sítio da casa daquela avó, mas a minha avó não tinha sítio dentro das minhas lembranças, embora eu tenha nascido na roça, mas eu era um bebê, eu era muito pequeno quando fui levado embora, então não havia um sítio da minha avó, da minha mãe na minha casa, mas havia o sítio dos meus primos, dos meus tios, da minha tia, tia Zezé, assim por ali que eu fui criado dentro deles, mas digamos que não houvesse o deles, as lembranças que a gente gostaria de ter, a gente constrói lembranças em sítio, em cima de uma chácara, de um sítio, daquela casinha no campo, a casinha com cerquinha branca, que muitas vezes foi povoada apenas na nossa imaginação, mas são lembranças de sonhos que poderiam ter acontecido, isso é nostalgia, então nostalgia não é simplesmente saudade do passado, aquele tempo que era bom, quando a gente diz naquele tempo que era bom, a gente não está dizendo que naquele tempo era melhor que hoje, em relação ao conforto, naquele tempo a gente ia numa patente no lado de fora da casa, a gente ia, eu ia de tamanquinho, tamanco, de madeira, em dia de neve, em dia de geada para a escola, então eu não vou ficar aqui me vitimizando e enumerando a quantidade de dificuldades que a gente tinha, a estrada entre a minha casa e até o ginásio que eu estudava à noite, metade do caminho era barro, avenida Borges de Medeiros em Gramado, era barro, metade era barro, não tinha asfaltado, não tinha calçado, não tinha nada, então a gente tinha que ir com uma botinha ou uma galocha, tinha que levar uma lanterna, tinha que levar, enfim, uma capa de chuva, um guarda-chuva, e lá chove muito, então assim, o conforto não era o mesmo, hoje eu tenho um carro para me levar nos lugares, eu moro em lugares asfaltados e diferente, então não quer dizer que naquele tempo era melhor que hoje, acontece que a gente era jovem, a gente era criança, a gente era adolescente e quando a gente é jovem, o que vem pela frente é sempre muito bom, da nossa imaginação, nem sempre é, mas na nossa imaginação sim, nós temos sonhos e tal, então a gente se torna um momento glorioso, aquele momento da nossa lembrança em que a gente ainda tinha bons sonhos. E nessa, agora voltando às tendências, o que acontece? Quando o mundo, nesse cataclisma do mundo, nessa revolução e evolução e involução, da bondade humana, a gente tem um momento da vida do dia que parece que o mundo está desabando os nossos ombros, a gente tem vontade de entrar num cantinho, numa caverninha, num lugarzinho, só nós, e ali mastigar o nosso pãozinho em paz, comer a nossa frutinha, tomar o nosso cafezinho, ou seja o que for, e até que o mundo passa, até que o problema passe. Então, nós estamos vivendo exatamente esse momento no mundo, as coisas estão se evoluindo, a gente tem um amontoado de incertezas, um pacote de incertezas muito grande.


(16:01 - 16:48)

Então, nesse amontoado de certezas, existe uma grande possibilidade, uma grande tendência, de que toda essa ambientação na decoração, ela vai recorrer e recordar de um tempo que mesmo que nós não tenhamos vivido, nos parece em tempos felizes, por isso assim, os anos 50 e 60 eram chamados de Golden Age, ou seja, a Idade Dourada, os Anos Dourados. Isso acontecia na música, acontecia na literatura, acontecia na moda, nos automóveis, nas casas, o tipo de construção e tal, e a gente vai passar por isso tudo, a gente vai dar uma demonstraçãozinha disso tudo. Então, essa é a ideia.


(16:48 - 17:56)

Então, a partir dessa premissa, de que os tempos estão se tornando cada vez mais difíceis, os dias estão se tornando cada vez mais difíceis, é que nós entendemos, e eu entendo, que o que vem pela frente não é algo assombrosamente futurista, o futuro já aconteceu, já está acontecendo, a tecnologia já está acontecendo, já está nos assustando, mas é algo que, mesmo usando a tecnologia, ele possa nos trazer um sopro de boas lembranças, um sopro de boas memórias, nem que sejam memórias adventícias, adventício é aquilo que é impregnado, aquilo que é construído a partir de uma informação. Então, esse é o recado de hoje, e eu espero que... eu vou fazer o seguinte, se eu tiver mais 20 inscritos, só mais 20 inscritos, no momento que eu tiver mais 20 inscritos, eu gravo mais um vídeo, tá bom? Um beijão bem grande para todo mundo, Deus abençoe a todos.


(Transcrito por TurboScribe.ai. )

sábado, 12 de julho de 2025

Tia (bruxa) Margarida














Imagem: Chat GPT

# TIA MARGARIDA


O período que transcorreu logo após a tragédia, creio, não precisa ser descrito. Dor é dor. Cada um tem a sua. Em casa, eram muitas as dores: uma morte, um crime, um desaparecimento (meu pai sumiu, foi julgado à revelia, condenado, mas nunca cumpriu a pena. Com medo de uma vingança, desapareceu no mundo).


Mas havia o dia seguinte. É sempre o pior. No momento da tragédia, há uma multidão que deseja participar, confortar. Depois, um silêncio crepuscular domina tudo. Começa a angústia. A tragédia passou. A dor começou. A angústia vem de se saber o que não se pode dominar: o amanhã. O que será do amanhã? Quem seremos amanhã? Onde estaremos amanhã? Haverá amanhã? Há. Depois da dor, há muitos amanhãs. E todos doem sempre.


Enquanto uma sobrinha de minha avó emprestava um pedaço de terreno, cujo limite eram as próprias paredes do ranchinho de tábuas, fui levado a uma tia-avó velha e sem filhos, chamada Margarida. Todos a conheciam como "Tia Margarida". Era casada com um matuto aposentado chamado Arcílio, mas conhecido como "Tio Alcides". Ambos eram ranzinzas. Um par de velhos ranzinzas. E o fato de não terem filhos os tornava pessoas amargas e insensíveis. Vou além: eram cruéis.


Pode-se pensar: como podem ser cruéis pessoas que acolhem um bebezinho órfão de pai e avô, na quase absoluta miséria? Talvez por isso mesmo.


Fiquei lá por mais ou menos quarenta dias. Não lembro nada. Seria um fenômeno se eu pudesse lembrar. Mas me contaram com tanta riqueza de detalhes que chego a visualizar com nitidez as cenas que descrevo aqui. Tenho boa memória. Uma excelente memória, aliás. Como eu dizia... do que mesmo eu falava? Ah, sim, Tia Margarida.


Soube, por exemplo, que meu nome foi trocado pelo casal de velhos. Num desses dias, fui levado ao médico e, na ficha, deram meu nome como "Hugo Luiz da Silva". Esse foi, aliás, meu segundo nome, pois eu havia sido batizado na paróquia de Cazuza Ferreira com o nome de "Paulo Celso Cardoso Borges dos Reis". Paulo, por sugestão de minha mãe. Celso, ideia do meu pai. Cardoso era meu avô materno: Assis Brasil Cardoso. Reis, de minha avó materna, uma caboclinha "cafuza", cruza de índio e negro, nascida na Bahia e criada por um casal de alemães, cujo pai adotivo era pastor. E Borges era por parte de meu avô paterno: Donato de Oliveira Borges, vulgo "Donato Bonito".


Na verdade, pouco importava que nome me davam, pois eu não tinha sido registrado. Isso só aconteceu aos seis anos, quando fui para a escola pública. Mas chego lá. Tem muito brejo no meu caminho ainda até me encontrar com minha primeira professora.


A questão agora era o que Tia Margarida fazia. Ela dizia, vejam só, que era minha mãe natural! Claro que poderia dar certo, pois Sara, mulher de Abraão, tornou-se mãe aos noventa e um anos. Tia Margarida era bem mais jovem, tinha 58 anos, ou próximo disso, no máximo. Mas, enfim, se ela era minha mãe, nada mais natural que eu a chamasse por esse adjetivo: "mamãe". E eu chamava. Fazer o quê? Ela insistia tanto nisso e me deixava comer casquinhas de queijo.


Foram as casquinhas de queijo, na verdade, que desencadearam uma encrenca danada entre aquela garotinha de dezesseis anos que me pariu e aquela gentil senhora que perambulava pela parentela, garbosamente “miraculando-me” como um rebento de sua pureza senil (era caduca mesmo). As casquinhas de queijo, que gosto até hoje e só não como mais porque acho que nem todos os queijeiros lavam as mãos ao transportar as bolotas para o mercado, e também porque acho que nem todos os empilhadores de queijo lavam bem as mãos após a visita ao banheiro. Bem, eu não tenho comido cascas de queijo ultimamente. Mas, na época de Tia Margarida, eu comia, sim. Até porque era o que ela me dava como guloseima. E minha mãe (a de verdade) viu isso no dia em que foi me visitar. Tia Margarida tinha outras visitas e, generosa como achava que era, resolveu oferecer um café com mistura. Havia pão, geleia, café, leite, biscoitos e queijo. Mas ninguém podia tocar nas cascas, porque as cascas eram para o nenê.


Minha mãe (a de verdade, não a velha impostora) viu aquilo e tomou as casquinhas da minha mão, trocando-as pelo miolo do queijo. A velha viu isso e ralhou com ela, dizendo: "Não faça isso, minha filha. Assim ele acostuma mal. Ele tem que saber que criança não pode ter tudo o que deseja. Coma você o queijo e deixe que ele coma as cascas. Ele gosta de comer casquinhas. Sempre as come. Gosta também das casquinhas de pão. Eu sempre dou."


Minha mãe, candidamente, respondeu: "Mas eu não quero que meu filhinho coma casca de queijo. Deixe que eu dou a ele o meu pedaço."


A velha ficou possessa. "Seu filho?", esbravejou. "Essa peste é seu filho, então? Pois leva ele daqui. Some com essa sarna, esse piolhento. Se ele é teu, vai e cria tu mesma."


"Pois é o que vou fazer", disse minha mãe.  

E saiu comigo dali para nossa choupana.


Ainda de Tia Margarida, lembro que, alguns anos mais tarde, eu deveria ter sete, talvez oito anos, fui visitá-la à tarde. Era uma tarde quente. Ela me chamou para dentro e me fez sentar à mesa. Então, com uma doçura terrivelmente peculiar, ofereceu-me um pedaço de melancia. Eu adorava melancia. Era tão difícil termos melancia em casa, mas, quando havia, minha avó, generosamente, deixava que a maior parte ficasse comigo. Na verdade, todos comiam muito, pois minha avó comprava sempre as maiores. Pouco comprava, mas, quando comprava, era para valer.


Minhas mãozinhas tremiam de emoção. A boca se enchia d’água, e eu já me preparava para as delícias oferecidas pela doce melancia. Mas eu esquecia (na época, eu tinha péssima memória, memória de criança) que, entre mim e aquela doce melancia, havia uma muralha de maldade chamada “Tia Margarida”. Com ar astucioso, ela tirou a melancia do armário (geladeira era luxo só de ricos), pôs à mesa, serviu-me um suculento pedaço bem generoso e, quando eu ia levá-lo à boca, interrompeu-me e perguntou com solene preocupação: "Meu filho, você tomou leite hoje?"


"Não, tia. Não tomei."


"Tomou, sim."


"Não, não tomei."


E, retirando o prato com a melancia da minha frente, sentenciou:  

"Tomou, sim. Você não vai comer melancia."


Eu tenho certeza de que a vi sorrir escondida.


Pobre Tia Margarida. Quando morreu, na passagem dos anos de 1972 para 1973, reuniram-se os parentes pobres. Todos. Alguns dias depois, seus bens foram divididos (Tio Alcides já havia morrido bem antes). Coube à minha mãe um belíssimo relógio de parede que tinha o som mais lindo que eu conhecia. Acho que era um relógio americano. Fiquei muito feliz, mas por pouco tempo, pois nem minha mãe, nem minha avó permitiram que aquela tralha, ou qualquer coisa que lembrasse a velha inescrupulosa, fizesse morada em nossa casa. Que pena. Era um relógio tão lindo.


Mas, hoje, lembrando bem, acho que toda vez que o carrilhão tocava, eu parecia ver o olho vesgo arregalado de Tia Margarida perambulando pelos cantos escuros e tramando alguma perversidade. Melhor que o carrilhão se fosse mesmo. Melhor assim.


terça-feira, 1 de julho de 2025

A Serpente e o Gambá (Fábula)

 








**A Serpente e o Gambá – Fábula**

Pacard

No tempo em que os bichos falavam, vivia um velho gambá em sua toca, que passava os dias dormindo e, à noite, saía à procura de sustento para sua ninhada.

Entravam e saíam os dias, e o velho gambá saía troteando pelas veredas em busca de algum ninho esquecido, para roubar os ovos, ou de uma fresta no galinheiro, para refestelar-se com uma galinha gorda. Esta era a vidinha daquele gambá — e de todos os gambás: comer, dormir, reproduzir e deixar a vida seguir seu curso, assim como o Criador havia determinado desde a Criação, tempos atrás.

Havia, próximo a um parreiral — onde o gambazinho apreciava, no verão, subir entre os galhos para comer saborosas uvas —, um velho tronco caído, onde, no oco da madeira, vivia uma também velha serpente. Passava todos os dias o gambá perto do tronco, cheirava, sorrateiro, e, pressentindo o perigo, saía de mansinho, sem incomodar a astuta moradora do lugar.

Ocorre que o verão estava terminando e a temporada de caça da velha serpente não havia sido muito promissora. Além disso, estava muito velha para abandonar sua toca e sair em busca de caça em lugares mais distantes, como fazia quando era jovem. E, como via o gambá passar todos os dias à sua frente, engendrou um plano para fazer dele seu abastecimento para o inverno, que prometia ser rigoroso.

Com isso em mente, passou a espreitá-lo todas as noites, enquanto o marsupial passava e, como de costume, dava sua cheiradinha no tronco antes de seguir caminho. Noite após noite, um e outro se espreitavam, até que um dia a cobra velha decidiu executar seu plano alimentar e colocou-se, estrategicamente, à espera do peludo.

Naquela noite, porém, o velho gambá também havia mudado seus planos. Estava a pensar em mudar de dieta. Precisava de proteínas, pois o inverno prometia ser rigoroso naquele ano. E uvas, apesar de deliciosas, não ofereciam as proteínas das quais necessitava para enfrentar o rigor do frio. Decidiu, então, que a velha moradora do tronco estava no tamanho certo para ser devorada. E passou ele também a espreitar sua comida rastejante, engendrando um plano de ação. E assim, um e outro, desconfiados e sorrateiros, lambiam os beiços quando sentiam a presença um do outro ao anoitecer.

Mas o gambá, por perambular mais que a serpente, também tinha mais amigos. Pelo bem da verdade, o gambá tinha muitos amigos; já a serpente, nenhum. Era temida e sorrateira, e por isso evitada. Muito egoísta, quando abatia uma presa, seu veneno mortal impedia que outros bichos partilhassem de seu refestelo.

Era vizinho do gambá um velho lagarto que, por sua natureza, não fazia parte da cadeia alimentar do gambá, e vice-versa. Mas de ambos, a serpente era inimiga — e, ao paladar de ambos, uma iguaria. E assim sendo, e diante das necessidades de um e de outro, que também sofriam os rigores do inverno, entraram num acordo: iriam dividir a cobra velha. E, sendo esperto como era, o gambazinho planejou a coisa. E assim feito, aguardaram o momento certo para o seu banquete acontecer.

Noite de lua cheia — ótima para sair em busca de comida. E lá estava o gambazinho passando perto do tronco. De longe, passava cantarolando na língua dos gambás. Atenta, a serpente pensou: “Lá vem ele. Vou deixar a cauda balançando do lado de fora e, quando ele der uma mordida, eu pulo em cima dele.” E assim fez. Deixou a cauda ali, balançando ao brilho do luar. De repente, percebe que alguma coisa tocou nela e, de pronto, saltou em cima do agressor. Mas... ah, mundo cão esse! O agressor não era um gambá, mas sim seu pior pesadelo: o velho lagarto faminto, que deu uma lambada com sua cauda e esticou a jararaca com um único golpe. E assim, feliz com sua porção, deixou metade da cobra para o gambá, que estava logo atrás e, de quebra, ainda ficou com a toca da serpente — bem mais confortável e quentinha.

**Moral da história:**

Por mais veneno que tenham suas peçonhas, nenhuma cobra velha terá perspicácia, veneno ou força para vencer a união da floresta, que também sente fome, mas tem a sabedoria de unir-se em prol de um inimigo comum.

*A propósito: o gambá poderia ter matado a cobra sozinho, se quisesse.*

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domingo, 29 de junho de 2025

Eu queria ter sido sapateiro (ou astronauta)












Imagem IA

Não é lorota não. Eu queria mesmo ter sido um sapateiro. Óbvio, que a primeira opção, astronauta, poderia ser um bico, um extra, mas sapateiro seria minha primeira opção profissional. Minha avó, Maria Elisa, tinha muita vontade que eu fosse lenheiro, desses que andavam num carrinho que era ao mesmo tempo uma serra circular grande, barulhentas, que os lenheiros usavam como veículo para levá-los (e também a serra) às casas, onde eram justados (ah, tá, quem me lê nem sempre vai saber que "justar" era o mesmo que "contratar") para cortarem as lenhas, que eram compradas em metro, cujas toras tinham um metro linear cada. Bem estes eram os lenheiros, que em seus pequenos galpões, tinham seus próprios estoques de lenha, e vendiam em "Talhas, isto é, em pequenas quantidades de oitenta unidades, já rachadas e prontas para uso. Ela dizia: "Tu precisa ter um raminho de negócio, e uma lenheira vale a pena. Eu te ajudo a adquirir a serra com carrinho, se tu quiser!" Eu nunca quis. Achava meio chulo aquilo. Eu pensava em estudar, me formar médico, e rachar lenha não combinava com medicina. Eu achava que aquilo nunca ia dar dinheiro. Eu achava. Já os lenheiros que conheci ao longo da vida (por exemplo, o cara da Kombi que levava meus filhos na escola, se tornou lenheiro, e a última notícia que tive dele, era dono de um hotel, um edifício, e sei lá o que mais...), se tornaram bem sucedidos economicamente. E eu? Não cursei medicina, como sonhava.Não virei astronauta. Não me tornei presidente dos Estados Unidos, nem nunca pude salvar o mundo com minha capa de herói feita de toalha de saco de açúcar. Apenas segui outros rumos. Muitos outros.

Mas contei essa embromação toda pra dizer que na verdade, eu queria mesmo era ter sido um sapateiro. Não um fabricante de caçados, por onde até passei uma temporada como gerente de vendas de uma indústria de calçados femininos de luxo, mas não. Meu sonho de consumo era ter sido sapateiro mesmo, daqueles que passam os dias sentadinho num banquinho, com um avental de couro surrado sujo de cola, ao lado de um velho cepo de madeira, batendo e costurando sola, e esticando gáspea para moldar na forma velhos sapatos rotos, cuja grande façanha era colocar meia sola e retocar as costuras e pintura, para que fosse usado outro tanto de tempo, até que nem mais meia sola desse conta do tempo que o fez ruir.

Meu sonho era trabalhar num cantinho semi-iluminado por uma lâmpada com aquela chave que vira e liga na própria lâmpada, pendurada bem próximo ao cepo, e ao lado, um velho fogãozinho de ferro onde crepitassem brasas para aquecer a cola, o bule de café coado, e as tardes chuvosas de onde cresci. Mais que isso, ao lado do fogãozinho, em uma caixinha de madeira forrada com trapos, dormisse um gato e um cusco viralatas, preguiçosos, que vez por outra levantavam para mordiscar uns petiscos, esfregarem-se nas pernas das pessoas, e voltarem a ressonar até dizerem chega.

Meu sonho era atender velhas senhoras e alquebrados anciãos, que ao chegarem ao balcão, comentassem sobre o chuvisqueiro atravessado, queixarem-se de dores nas "cadeiras", e trocarem receitas de chás para a tísica de crianças ranhentas por brincarem de pés descalços sem darem tratos à bola do vento frio que enregelava a alma, apenas pelo compromisso de viverem da vida todo o tempo que pudessem, porque tempo não volta atrás. E não volta mesmo.

Talvez meu sonho não fosse exatamente por causa do prazer do martelo espetando e retorcendo tachas nas solas duras, mas pela rotina de saber que dia após dia, em uma vila pobre, sempre haveria outros velhinhos e anciãs trazendo notícias da rua, e em algumas das vezes, um naco de bolo embrulhado em um paninho branco, para acompanhar o café que fumegava no bule da sapataria.

Talvez o meu sonho fosse apenas envelhecer e ter café no bule para acompanhar as lorotas e os causos antigos que tanto imaginava ouvir na velha sapataria das minhas lembranças imaginária.



Pacard 

(O que nunca foi sapateiro, mas foi designer e escritor, o que dá quase na mesma, financeiramente)


quarta-feira, 7 de maio de 2025

804 - O Número do Senhor X (Decifre isso)

 

804 – Reflexões sobre um Plano Silencioso

Introdução:

Nem toda mudança começa com uma revolução. Às vezes, ela começa com um número.

804 não é apenas uma cifra. Para os que enxergam além da superfície, é um código. Um sinal de que algo maior está em curso. E no centro disso tudo está Senhor X, um homem aparentemente comum, mas que se move como parte de algo muito mais amplo.


1. Um número que fala

O número 804 carrega uma sequência de expressões com profundos significados espirituais e políticos:

  • “O Reino Messiânico”

  • “Grande tribulação”

  • “Confie no plano”

  • “Precisando consertar o livro de Deus”

  • “Decifrar o código na Gematria”

  • “Caixa número um”

Cada frase parece ecoar um tempo de ruptura, de julgamento, de reorganização do poder. Elas indicam não apenas um estado do mundo, mas o início de uma missão.


 2. Um homem chamado Senhor X

Senhor X , ou 804, é descrito como um homem que, apesar da discrição, tem presença. Ele não se apresenta como messias, mas há algo em sua trajetória que sugere propósito. O número 804 o cerca, o identifica. Ele se tornou, voluntariamente ou não, a peça principal de um tabuleiro silencioso.

Sua entrada no cenário estadual não é mera ambição política — é resposta a um chamado. Um chamado codificado, místico, estratégico.


🔹 3. Uma aliança velada

O que poucos sabem é que Senhor X não está sozinho. Há uma organização religiosa emergente por trás das cortinas, crescendo de forma silenciosa, mas firme.

Essa organização acredita estar resgatando uma missão sagrada: restaurar o que chamam de “o verdadeiro livro de Deus”.

Para isso, precisam de poder. Precisam de território. E precisam de um rosto confiável: o de Senhor X.


 4. O pacto de Cidade X

Em troca de apoio irrestrito ao seu projeto de alcançar o governo estadual, Senhor X se compromete com algo:

Entregar Cidade X.

Não com violência, mas com alianças. O próximo prefeito da cidade será o nome indicado pela organização. A cidade se tornará o núcleo do projeto — a Caixa Número Um. Será ali que as primeiras leis simbólicas serão testadas, onde a base doutrinária será construída.

Cidade X é mais que um município. É o começo da restauração.


5. Um dezembro chamado ouro

O tempo da ação tem nome.
A profecia é clara:

“Dezembro chamado ouro então começa.”

Esse dezembro marca o início da revelação. O nome de Senhor X será lançado à esfera pública, a organização começará a sair das sombras, e o pacto se tornará evidente para os atentos.


6. Reflexão final: você vê?

Senhor X não busca glória.
Ele cumpre o plano.

A trombeta que carrega é de bolso — discreta, mas audível para quem tem ouvidos.

Você vê? Ou apenas olha?
804 não é futuro. Já começou.

O Tecelão que retorna é a chave*


Este texto em estilo enigmático é apenas uma divagação sem nenhuma base real. É pura ficção!*


Arte em Bico de Pena by Pacard

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