sexta-feira, 31 de março de 2017

O Vazio Político de Gramado - Réplicas ao post anterior

Foto: Istock

Ao contrário do que possam imaginar, a finalidade de meus textos não é fazer com que concordem comigo, mas que pensem a respeito do assunto que estou trazendo à reflexão, o que me deixa muito feliz, pois consigo chegar às pessoas de uma pequena, mas notável comunidade, com um blog simples, sem apelos midiáticos, nem belas imagens, com textos às vezes difíceis, mas que levam milhares de pessoas todos os dias a lê-los, refletir e debater sobre eles, e quebrar o mito que ninguém mais lê, ninguém mais pensa. Pensa sim, pensa muito e pensa bem.

Digo isso porque recebi uma réplica de um leitor muito querido, a quem vou preservar a identidade, que disse as seguintes palavras:
"Me permita discordar de ti nesse texto. 
Gramado não chegou até aqui por imaturidade política. Conquistamos muitas coisas ao longo de décadas por maturidade política. Principalmente nos governos daqueles que foram
Para mim, os dois maiores políticos de Gramado, Nelson e Pedro. Os erros iniciais da situação e oposição são naturais. Esse primeiro ano será assim."

Assim sendo, quero ratificar, confirmar o que disse, e feliz pela oportunidade de voltar ao tema para dar mais base ao meu livre pensar. E assim sendo, devo discordar carinhosamente do leitor, e demonstrar onde está a base de minha afirmação.


Quando digo que Gramado não atingiu sua maturidade política, não estou dizendo com isso que não tem políticos competentes. Tem sim, e dos bons. Mas maturidade política não é apenas vencer uma eleição, ou vencer algumas eleições em sequência, pois se assim fosse, eu nem teria o que escrever.

Meu entendimento de maturidade política é o conjunto, a soma dos valores políticos legados, e a necessária transferência do saber político, bem como a formação de novas lideranças, pelos que lá estiveram. E nesse quesito, podemos dizer que tanto Nelson, quanto Pedro, foram grandes líderes no seu apogeu de militância,  mas que ao saírem do cenário de confronto, deixaram vazios que geraram estas incertezas que estão acontecendo.

Não  tenho nenhuma dúvida que é  temporária a dissenção entre as forças que se embatem no novo governo, pois sendo de partidos diferentes, e se assim não o fosse, não seriam tantos partidos e sim uma única agremiação ideológica. Uma coligação não é a estampa de vaquinhas de presépio inertes, mas um conjunto de forças e matizes em ebulição, que de tempos em tempos eclodem e liberam pressão. Esta pressão é o que gera as discordâncias e ajustes de percurso.

Voltando ao preparo de líderes, e com a devida vênia, digo que Nelson Dinnebier e Pedro Bertolucci, não deixaram sucessores capazes de gerarem novos sucessores. É bem verdade que Pedro legou o poder ao Nestor, que foi um bom administrador, e um excelente Mestre de Obras, isto é, preocupou-se mais em edificar bens, ruas, escolas, prédios, infraestrutura administrativa, do que em preparar pessoas para substituí-lo. Isso não é nenhum demérito, considerando que Nestor é  um Administrador e não um ideólogo. Não era obrigação dele fazer isso, e sim do seu Partido, de sua coligação, em criar uma escola política que capacitasse, descobrisse novos líderes, em lugar de olhar apenas para os feitos do Prefeito, como se suficientes fossem para garantir perpetuidade no poder. Não foram, e agora correm de um lado a outro em busca de alternativas que preencham o vácuo gerado por ver os órgãos públicos pelo lado de fora.

De outro lado, Nelson também não preparou o cenário para que aflorassem novas lideranças, e como prova disso, basta ver quantos correligionários dele buscaram o PP ao longo do tempo que os distanciava de sua presença no partido. Não preparou e o mesmo ocorreu com o PMDB, que se estribou na grandeza de seu líder, esquecendo que assim como o trigo que branqueia com a chuva serôdia, também os homens um dia recostam-se no esquecimento e na ausência.

Se o PMDB hoje tem um líder, é apenas por sua pertinácia em galgar esta liderança, e pelo passado histórico junto ao Partido de sua família, e menos por influencia direta de Nelson, considerando a idade  do jovem Evandro à época dos grandes momentos do PMDB e antes do MDB de Gramado.

Resta o PDT, que sim, justiça seja feita, legou um preparo ao longo dos anos, por Walter Bertolucci, que sonhou em ver o filho caçula ocupando a cadeira que ele, Walter, ocupou pela primeira vez. porém, também não preparou o Partido para dar o suporte que seu ungido necessitaria para chegar aao poder, e nele chegando, construir a fortaleza partidária que imaginou. Preparou um líder, mas o Partido precisou recorrer às alianças para colocá-lo no poder.

Sendo assim, abre-se caminho para que novas forças se arregimentem e construam, com base na história dos políticos de Gramado, e com o panorama visionário de novas ideias, um sólido cenário político em Gramado, mas preparado para penar na continuidade, pois homens e trigo não são eternos, mas ideias podem ser.

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Imaturidade Política de Gramado



Aos que acreditam que apenas se deva tecer críticas de quem está no governo, aconselho que revise seus conceitos, porque o escritor não bajula este ou aquele por preferência da cor dos olhos ou do largo sorriso, nem tampouco anela compromissos com grupos ou dissensões, sejam estas pró ou contra este ou aquele partido, político ou agremiação.

O livre pensador tem agendamento diário com a reflexão sobre o comportamento humano e social,  tendo a politica como meio, daqueles que usam o cargo ou a função como um fim. Livre pensador é aquele que sobeja as palavras como um malabarista manipula habilmente seus malabares, percorrendo o olhar aqui e ali, como tirocínio pertinente à percepção de detalhes que são despercebidos pela multidão, até porque a própria multidão é o panorama destas observações.

O panorama que venho apaixonadamente aquarelando em minhas reminiscências e palavras é pela ebulição do rescaldo político que se desnudou na segunda cidade mais desejada do país, e se forem verdadeiros os alardes vocacionados, a quarta preferência mundial na lista dos desejos de visitá-la, que é Gramado.

Neste panorama, o cenário que me instiga a desenhar, é o cenário político de Gramado. Para tanto, vamos voltar um pouquinho ao passado,não muito remoto, onde o bipartidarismo criado pelo regime militar, denominado ARENA, que representava o governo, e do outro, o MDB, uma corrente que reuniu todas as vozes de oposição, modelo muito distante de formatação e formatação ideológica, mas uma aglutinação necessária pela convicção dos ideólogos da dita revolução.

Este bipartidarismo acabou com a abertura, e de um dia para outro, cerca de três dúzias de partidos foram criados, com as  mais diversas ideologias, mas que no fundo, nada mais representavam do que interesses em acréscimo de tempo de rádio e televisão durante o horário gratuito, ou cargos, comissões de seus correligionários, e que, em lugar de fortalecer a democracia, trunca ainda mais a possibilidade dos governantes de exercerem seus mandatos com liberdade, pois além daquilo que prometeram em campanha, precisam acomodar aquilo que seus coligados negociaram à meia luz do apagar das luzes.

Pois bem. O pluripartidarismo de fantasia também vigorou em Gramado, e apenas quatro partidos lograram êxito nesta trajetória, até hoje fortes e ativos, que são o PSDB, PP, PMDB e com menos força, em vias de extinção, o PT.Isso não significa que sejam únicos, pois cada coligação do último pleito contou com um exército quase fiel de dez partidos em média cada lado. Porém, se você perguntar aos líderes de cada coligação se ele é capaz de mencionar todos os dez sem contar nos dedos, terá que desmarcar seus compromissos, pois vai demorar.

Gramado é uma joia incrustada na serra gaúcha, com tantas virtudes, que fica difícil acreditar que maturidade política não seja uma destas virtudes.

A maturidade política pode ser medida pelo engajamento de seus militantes no processo de valorização de seus partidos e partidários, seja dentro ou fora do governo.

Mas,infelizmente, maturidade política é tudo o que Gramado, definitivamente não tem. Mas como podemos definir esta maturidade, uma vez que seja um termo subjetivo?

O termo pode ser subjetivo, mas os efeitos são muito objetivos e palpáveis. A falta de tato político dos novos governantes, expondo suas viscerais fraquezas, só não desaba porque bate de frente com a mesma inexperiência advinda da sua indefinida oposição, que mais parece estar em um filme de "Pastelão da Sessão da Tarde" (quem tem mais de cinquenta anos sabe do que estou falando, aqueles filmes movimentados à guisa de paneladas, tortas na cara, gente correndo atrapalhada por corredores, abrindo e fechando portas em sequência, e não chegando a lugar nenhum).

Senão vejamos: Do lado da Prefeitura, a falta de decisão sobre escolher um nome, um único e bom nome, de um cidadão ou cidadã gramadense, que possa representar Gramado dentro e fora dela, nas questões relativas ao turismo. Há dois listados pela fileira de probabilidades pela imprensa , e sou inclinado a pensar que por uma questão política, seja Celso Fioreze o escolhido,não sem constatar que Iara Sartori também ofereça competência para o cargo. Mas isso sai da caneta do Prefeito e não do palpite de blogueiro. Foi só uma divagação aqui.
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Nem vou gastar meu tecladinho para falar de detalhes menores, como a criticada decoração de Páscoa, até porque fica tão pequeno isso, parecendo uma cortina de fumaça, que chega a passar pela mente que tenha sido mesmo feito assim para desviar a atenção dos gravíssimos problemas por que atravessam a saúde dos cidadãos no único hospital da cidade.

Por falar em hospital e saúde, se é uma questão de falta de verba, acho que opinar sobre uma troca,não faria mal nenhum, talvez a terceirização de um bem do rico patrimônio municipal para realocar os recursos à Saúde, à Educação, à Segurança, que começam a se fragilizar.

Mas voltando aos políticos, sim. A coisa vai mal. A oposição resolve mostrar que é oposição e desata a despachar petições e solicitações atrás de solicitações. O governo se atrapalha cada vez mais e não sabe como lidar com o inusitado, pois se o PMDB governou por certo período, hoje não governa mais. O PDT nunca governou, e agora que tem o cetro e a coroa, não sabe o que fazer com o trono. E o eleitor, entra em desespero, porque sabe que uma oposição bem fundamentada, consolidada, é o fiel da balança para que sua vigilância eficiente e eficaz permita e motive o Governo a fazer aquilo que se propôs e principalmente aquilo que a a cidade necessita.

A insegurança política do Governo e da Oposição fazem mal ao povo. E o povo inseguro, para de crescer.Para de investir, para de empreender. Para de arrumar a casa. para de frequentar as ruas. 

E a cidade adormece no marasmo causado pelo embaraço dos embates vazios entre oposição acéfala e governo bicéfalo.





Gramado chegou no limite? PARTE 3 - Historia do Empreendedorismo de Gramado




Segunda Parte
Entendendo Gramado por sua historia


Foto: Youtube

Por que municípios com as mesmas características geográficas e equidistantes da Capital do Estado, e próximos entre si, apesar de obterem êxito e crescimento satisfatórios, não têm o mesmo apelo turístico de Gramado?

Um múltiplo de respostas está ao alcance desta pergunta: Por seus imigrantes; pela topografia e clima; pelas belezas naturais, etc. Porém, a grande maioria dos lugares tem atrativos naturais. Ou foram edificadas pelas mesmas etnias européias que chegaram à Gramado. Então o que fez de Gramado ser o que é, com os mesmos fatores potenciais de outros lugares?

Embora não sendo uma fórmula ou um segredo com dimensões exatas, há um “ponto cego” neste processo. Uma ramificação na historia que com base nos mesmos parâmetros de uma Sequência de Fibonacci, determina este direcionamento. Tudo começa na década de 40, durante a segunda guerra mundial, quando as praias frequentadas por turistas de Porto Alegre, e do restante do Estado, foram proibidos de frequentá-las, por questão de segurança. Com receio de ataques inimigos, o Governo brasileiro limitou o acesso aos balneários gaúchos por um tempo indeterminado. Diante disso, não restava muita opção ao veranista, do que ficar em casa jogando cartas com a família.

Um agrimensor, contratado por um líder local, que era ainda um Distrito de outra cidade-mãe, observou que a linha do trem cortava o povoado em direção à Canela. Constatou que havia quatro hoteis e cerca de seis ou oito armazéns, todos na mesma rua. Eram hoteis modestos, casarões de madeira, ao estilo italiano e alemão, que atendiam caixeiros-viajantes (vendedores) e comerciantes. Reuniu-se então com estes comerciantes e algumas lideranças locais, e mandou imprimir certa quantidade de material de propaganda, e anunciou nos jornais da Capital, relatando das maravilhas da boa comida e dos ares da Serra, e seus benefícios para a saúde. Começam assim os primeiros “charters” de trem à Gramado e Canela. Os “veranistas” (como eram chamados), eram recebidos com folguedos festivos à sua chegada na Estação Ferroviária e espalhados entre os hotéis da rua principal do povoado. Não faltavam opções de lazer com os jovens e familiares. Piqueniques, saraus, bailes, o perfume das iguarias dos hoteis espalhava-se pelo ar, e o que iniciou como uma alternativa para os banhos de mar, tornou-se uma nova opção de férias, em ambiente familiar e saudável, ao gosto das boas famílias da Capital e cidades metropolitanas.

Ato seguinte, o agrimensor empreendeu em terras próprias um loteamento de alto padrão, oferecendo lotes urbanizados e bem situados, em local privilegiado nas imediações de passagem do trem de ferro.

Como consequência deste empreendimento, novas opções começam a surgir para prender a atenção do turista à localidade. Começa o primeiro ciclo do artesanato de artigos de varas de vime, um arbusto trazido pelos imigrantes italianos para fabricação de cestas e utilitários domésticos. O povoado cresce, torna-se emancipado, e com eles as necessidades também chegam. Não havia mais guerra, mas a opção de veraneio em Gramado era irreversível. Já havia dois médicos na cidade, e também dois hospitais. Uma Prefeitura, cartório, tabelião, delegacia de polícia, duas escolas, sendo uma pública e uma privada, e sucessivamente a cidade começava a tomar forma.

Dentro do que acontece em pequenas cidades, eventos de interesse comunitário também surgem. Em Gramado, devido à grande quantidade de Hortênsias plantadas pelos empreendedores pioneiros, criou-se a Festa das Hortênsias, com tudo que tinha direito: Escolha de Rainha, desfiles com carros ornamentados, bandas marciais, acrobacias aéreas da Esquadrilha da Fumaça, e naturalmente, muita comida, pois não existe festa sem boa comida, muita comida e comida original.

Neste novo formato, Gramado começa a receber não apenas veranistas de temporada, mas também visitantes ocasionais, domingueiros. E para estes, uma nova oferta supre a demanda: os restaurantes e churrascarias. Lojas de armarinhos e confecções, armazéns, fábricas de doces, postos de combustíveis e outros estabelecimentos se alinham ao crescimento tangível da cidade. Novos postos de serviço são criados. Novos empregos. Novas oportunidades.

Uma particularidade a ser destacada é que dos anos cinquenta em diante, havia empregos específicos para meninos a partir de doze anos. Eram empregos não formais, naturalmente, mas eram empregos. Os meninos ocupavam-se nas fábricas de doces, descascando frutas. Ou então, nas fábricas de vime, geralmente familiares, responsabilizando-se por tarefas de menor responsabilidade, como descascar vime, lixar pequenas peças de madeira, envernizar as peças, ou até mesmo trançar cestinhos mais fáceis de confeccionar. Trabalhavam por meio turno, enquanto estudavam no turno seguinte. Alguns não estudavam mais, então trabalhavam em turno inteiro, e por esta razão, recebiam mais que os colegas estudantes. Isso dava-lhes certo ar de maturidade.

Não compete aqui julgar o certo ou o errado deste procedimento, senão apenas relatar as possíveis causas do berço do empreendedorismo nesta cidade.

O autor deste estudo mesmo, ocupava-se desde muito cedo a tarefas já citadas, além de outras como: entregar fonogramas, auxiliar em lavanderia, acompanhar turistas (a profissão de guia de turismo nem existia ainda nesta região. Eram estes meninos quem cumpriam esta tarefa. Era nitidamente uma profissão para meninos apenas).

Até meados dos anos sessenta, destacavam-se algumas fábricas de móveis, especializadas em mobiliário de madeiras nobres (louro, marfim, cedro, cabreúva) e Pinheiro Araucária. Esta última, era utilizada para confeccionar móveis de padrão médio e baixo. O estilo predominante era Luis XV , ou Chippendalle, como também chamavam alguns. Não havia a profissão de desenhista, projetista ou arquiteto. Eram os marceneiros quem procediam a venda e planejamento dos móveis junto com os clientes. Eram móveis finamente acabados, lustrados com goma laca, ou laca chinesa, vulgarmente conhecida como “laca asa de barata”, por causa das lâminas do produto antes da diluição se assemelharem à textura da asa de uma barata.
Não havia loja de móveis ao molde atual. Era num pequeno escritório malcheiroso e empoeirado das marcenarias, que eram feitos os negócios e tratativas do produto. Não havia ainda a profissão de vendedor de móveis. Era apenas o marceneiro e o cliente.

Outros profissionais começam a despontar, em apoio à construção civil, como o pintor, o encanador, o fabricante de esquadrias, o vidraceiro, e assim por diante. Com os profissionais, vêm também as lojas de materiais de construção.

Não havia ainda engenheiro ou arquiteto na cidade. O Poder Público começa a sentir necessidade de planejar o seu setor de urbanismo e normatizar as edificações. Desenhistas então começam a desenhar as plantas das casas de maneira bastante empírica, sem normas definidas, sem padrão de apresentação. Cada um desenhava como achava melhor, e aqueles que tinham algum domínio sobre a forma de construir, angariava mais clientes (fregueses) para seus projetos. Naturalmente com o passar do tempo surgem também estes profissionais especializados: o engenheiro, e bem mais tarde, o arquiteto.

O meio profissional começa a crescer também. Os serviços liberais, mesmo na área da saúde eram de fato “bem liberais” mesmo. Não havia dentista formado. Uma dor de dente era resolvida com um “Prático Licenciado”, ou seja, alguém que aprendeu com alguém a extraír dentes, montou um consultório, e extraía dentes. Era sua tarefa. Eram sessões de tortura pela qual todos tinham que passar algum dia.  Com o crescimento da cidade, do turismo, percebe-se que havia outro tipo de profissional mais bem preparado, graduado, que aos poucos chegava para ocupar o lugar em aberto dos torturadores licenciados. A odontologia humaniza-se. E também a medicina ganha seu espaço. Chegam mais médicos, farmácias, laboratórios de análises clínicas, e mais profissionais.

A sociedade se moderniza. E tem necessidade de clubes de lazer. Já havia três, que também agregam valor às suas sedes sociais. Famílias originarias das primeiras que chegaram pela opção do trem, reúnem-se e fundam seu próprio espaço, e depois agregam a “alta sociedade” entre seus membros. Surge o clube de golfe. Que trás um outro grupo de turistas. E os empreendedores locais percebem que há uma demanda de habitações, mas há pouco terreno disponível. Começam os condomínios, na década de setenta.

Antes disso ainda, em meados dos anos sessenta, chega à Gramado uma artista plástica, Elisabeth Rosenfeld, que adquire uma área de terra próxima ao centro, mas em uma vila pobre. E é aqui que começa uma segunda etapa do empreendedorismo de Gramado. É criado o Artesanato Gramadense.
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A palavra “Artesanato” era completamente nova. Desconhecida. Elisabeth populariza e personaliza a expressão, e edifica uma escola diferente: os aprendizes não pagavam nada, mas eram pagos para aprender. Alunos de escolas de Porto Alegre, Sçao Paulo, Rio de Janeiro, e até da Alemanha, permaneciam temporadas como aprendizes da artista em seu ambiente de trabalho. Também alunos das escolas locais eram frequentadores habituais em suas aulas livres de desenho.
Na sua pequena fábrica, que inicia com um atelier, Elisabeth produz peças de cerâmica, mosaico, escultura em madeira, e tapeçarias. Um tear rústico é montado e duas mulheres, da própria vizinhança, são contratadas para aprender a nova profissão. Em poucos anos, Gramado já fabricava seus próprios teares, ás centenas, e eram espalhados por todos os lados, gerando renda para centenas de mulheres, antes singelas e recatadas senhoras “do lar”. Do tanque para o tear. Do tear para a loja. Da loja para a casa nova, o carro, a geladeira, o receptor de Tv, o toca-discos.

Em poucos anos, o Artesanato Gramadense, antes num recanto de vila, torna-se a principal atração turística de Gramado. Passa a fabricar móveis de madeira proveniente de Santa Catarina e da Amazônia. Com a necessidade de povoamento da região amazônica, por iniciativa militar para evitar a descaracterização territorial do Brasil, o que oferecia, segundo voz corrente na época, abre-se a Rodovia Trans-Amazônica. A madeira aparecia de todas as formas. Custava apenas o frete, e gera uma nova alternativa para Gramado: as marcenarias de móveis sob medida, seguindo o já consolidado “Estilo Gramado”, ou, “Móvel de Gramado”.

Está consolidada a marca “Gramado” então no mobiliário, nas tapeçarias e tapetes de lã (que por sua vez fomentam o comércio da lã, da juta, de insumos para estes produtos), no artesanato decorativo.



(Continua)

Gramado chegou no limite? PARTE 2



Gramado possui uma rede moderna de ensino público, com escolas condizentes com o padrão do município. As escolas oferecem, além da Educação Fundamental, também opções alternativas de enriquecimento cultural e profissional aos alunos, com oficinas paralelas de diversas áreas, com suporte de secretarias municipais e associações de cultura e profissionais.

Quase todas as localidades do interior do município de Gramado, são asfaltadas. O acesso a qualquer uma delas não excede a de acesso à qualquer outra cidade com a mesma distância, pela facilidade de acesso e fluidez de tráfego. Isso favorece a oportunidade de morar no campo e trabalhar na cidade, sem prejuízo de deslocamento e tempo.

O) PIB de Gramado é estimado em R$ 1.341.090 bilhões (PIB Per Capita (2013) 39,316,64)

Embora existam algumas corporações de maior dimensão, de modo geral, esta riqueza está bem distribuída, considerando-se o estado geral e o modo de vida da população. Não existe favelização e a pobreza, de modo geral, é bem assistida. Não há pedintes pelas ruas, à exceção de uns poucos indígenas vindo de outras regiões, mas que pedem mais por costume do que por necessidade, uma vez que possuem espaço público edificado destinado ao seu comércio de artesanato num dos mais frequentados pontos turísticos da cidade.

Esta riqueza está distribuída quase em equivalência entre indústria e serviços. Aqui pesam algumas corporações de alto faturamento e arrecadação de impostos, que eleva este percentual, mais então por volume arrecadado e não por participação humana. Desconsiderando isso, teríamos talvez, cerca de 70% de participação em serviços.
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As projeções para expectativa de vida ao nascer é de 76,5 anos, em Gramado. Embora tenha crescido timidamente em proporção a outros lugares, a baixa criminalidade é um dos fatores que produz certa tranquilidade social. Naturalmente fatores como alimentação em fartura, sistema de saúde eficiente e alguns dos mais importantes fatores para a tranquilidade social: ocupação, trabalho, objetivos, educação e bem-estar, favorecem padrões de comportamento que asseguram longevidade, além de outros fatores envolvidos neste processo, que também podem estar considerados dentro da esfera de convivência social da cidade.

Há, no entanto, muito campo a crescer nesta área, pois, se de um lado temos alimentação em fartura, de outro temos as consequências pelos excessos. Sendo Gramado uma cidade essencialmente do frio, os carboidratos e gorduras, principalmente de gordura de origem animal, preenchem a dieta da população de modo geral. As consequências já conhecidas são a obesidade, as doenças cardiovasculares e hormonais. Para o empreendedor voltado à área da saúde, é um campo fértil para investir em projetos de vida saudável e reeducação alimentar. Não é sem causa que prosperam as clínicas de emagrecimento e reeducação alimentar, sofisticadas e superlotadas, na cidade. Estas, porém, estão voltadas para o público consumidor de poder aquisitivo elevado. Faltam projetos e serviços que alcancem o consumidor de padrão médio, e certamente estes obterão resultados em acelerado tempo, em comparação a outros lugares com a mesma população.

O analfabetismo acima de 15 anos em Gramado atinge o percentual quase insignificante de 2,82%. Observa-se mesmo assim uma carência de escolas particulares de ensino Fundamental e Médio. Apenas duas neste padrão dividem o mercado, em espaços apertados e com ofertas limitadas ao seu público. Embora esteja em franco crescimento o mercado de Ensino Superior, especialmente através das EADs, Gramado terá espaço para bos redes de Ensino a partir da pré-escola nos próximos dez anos.

Sua rede hospedeira oferece cerca de 25 mil leitos, distribuídos entre hotéis, pousadas, hospedarias (hostels) e residências familiares em sistema de locação temporária. E continua a crescer. Novos empreendimentos encontram-se em construção e implantação ou projeto.

Cerca de dois mil estabelecimentos comerciais oferecem uma interminável cesta de opções para o conforto de seus clientes, abrindo suas portas por oito a dez horas diárias. E não há ainda o bastante. Embora afetado por crise nacional momentânea, um pequeno percentual de lojas encontram-se disponíveis para novos locatários. Uma breve análise aqui permite traçar algo que as placas não mostram, e poderia o observados interpretar como consequência de crise. Mas não é bem assim que acontece. 

Ocorre que um investidor não pode passear alguns dias por Gramado e, ao calor do entusiasmo, por ver as ruas apinhadas de turistas maravilhados pelas belíssimas vitrines, entender que foi pensando em Gramado que Pero Vaz de Caminha tenha escrito a carta onde diz que “se plantando, tudo dá”. Devemos analisar, não apenas a disponibilidade das lojas e o intenso fluxo de turistas, mas as condições do empreendedor que fica empolgado, contrai um financiamento, ou então se desfaz de bens de reserva em sua cidade de origem, investe o quanto tem numa boa loja, esperando pelo retorno nos meses seguintes. E o retorno não vem. 

Pelo menos não no tempo que ele espera, e após meses de vazio no caixa, tendo completamente frustradas as suas expectativas, fecha as portas e volta de cabeça baixa para o vazio da desilusão bem longe daqui. Este não era empreendedor, e sim aventureiro. Empreender não é aventura. É planejamento, investimento, tempo e paciência, além de muito trabalho e horas insones. 

Estabelecer prazo para retorno de um investimento é uma tarefa incerta, se comparar com outros empreendimentos bem sucedidos, mesmo que ao lado, e com a mesma natureza. Deve ser levado em conta também a faca de dois gumes da inovação e da originalidade, pois apregoa-se que ser inovador e original é o remédio certo para o sucesso, mas nem sempre é assim. Em Gramado, evidentemente há muita inovação, mas há sobretudo muita observação. Os pioneiros em cada atividade não inventaram seus produtos, mas buscaram ideias em viagens e outras fontes. 

A grande maioria não apostou todas as fichas num único negócio, isto é, não dependiam exclusivamente daquilo que estavam inovando. Tinham outras fontes de renda que asseguravam sua manutenção, até que ao longo do tempo seu empreendimento pudesse gerar lucros e restituir os gastos até então.
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Gramado possui vários Parques Temáticos originais, e a expectativa é que cada vez mais parques venham instalar-se na cidade dadas as condições favoráveis que encontram: Terrenos com topografia favorável aos projetos, ampla rede (já mencionada) de hospedagem e acesso logístico, mão de obra receptiva qualificada e bilíngue.

O primeiro Parque Temático surgiu a partir de uma necessidade familiar, onde o avô construíu algo para entretenimento do neto. Seguiu-se a este outro similar, e um terceiro no município vizinho, e em sequência, em outros municípios da região, diversos parques temáticos foram implantados para receber turistas de todo o país e exterior.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Gramado chegou no limite? Tendências e Empreendedorismo Parte I





"Se os homens fossem honestos, não precisaríeis da força, nem da fraude".
Maquiavel



Vamos dar uma pausa nas análises críticas do comportamento político dos governantes, e direcionar, nesta reflexão com você que me lê, as ideias para um cenário que favoreça o otimismo da esperança dentro de um cenário caótico que vive o país, por culpa exatamente da amálgama nojenta de maus políticos com empresários incompetentes, porque se tivessem competência, não fariam uso da fraude para fazer crescer suas empresas, pois como já dizia Maquiavel: "Se os homens fossem honestos, não precisaríeis da força, nem da fraude".


Deixando os maus de lado, falemos dos bons. Dos que atravessaram outras crises e transformaram Gramado num modelo criativo e empreendedor para o Brasil e o Mundo. Falemos dos passos dados pelos pioneiros desta terra, e buscaremos seguir suas pegadas. E por que temos que falar disso? Porque o objetivo da boa política é enriquecer a sociedade e enobrecer a alma humana para formar a civilização. Assim sendo, pretendo publicar em capítulos um ensaio que fiz sobre a concepção empreendedora que edificou Gramado, e deixo à apreciação do leitor, que tem fidelizado sua análise de minhas reflexões ao longo dos meses que compartilhamos ideias.
Boa leitura.
Paulo Cardoso

Gramado
Tendências e Empreendedorismo
Gramado como modelo






Turismo

Design

Artesanato

Empreendedorismo

Ideias
















Uma visão holística
do sucesso de uma
cidade pequena,
que aponta na
direção de um
crescimento
contínuo



  1. Pacard



Primeira parte
Empreendimento contínuo

Não há discordância quando o assunto é Gramado, belíssima cidade com reconhecidas características europeias, não apenas na sua peculiar arquitetura, quanto nas origens de seus povoadores e empreendedores, que souberam diversificar sua economia, sem dispersar da linha mestra. Apresenta um dos melhores cases de sucesso, em empreendedorismo, do Brasil, e um dos melhores do mundo. É uma cidade essencialmente empreendedora por definição plena da palavra e do conceito. Cada janela é uma vitrine. Cada vitrine é um atrativo criativo de negócios e lazer, mas sobretudo de admiração. Turistas perambulam estasiados pela riqueza de pormenores que são mostrados pelo comércio da cidade. Seja nas ruas principais, ou nas vielas sem saída, tudo é negócio. Tudo é bem planejado, e minuciosamente elaborado para prender a atenção dos visitantes.

Hotéis condizentes com o padrão de visitantes em todos aspectos (conforto, qualidade, atendimento, confiabilidade, etc) são encontrados de esquina em esquina, de rua em rua, de bairro em bairro. Não há distinção de qualidade entre bairros e centro, algo comum em outros centros urbanos, Gramado é um convite ao passeio descompromissado para reconhecimento de território. E por estar situada em uma região com numerosos declives e aclives, vales e depressões, elevadas altitudes ou planícies, até mesmo isso é uma oportunidade de negócios, pois não é uma tarefa simples percorrer sua extensão sem auxílio de um experimentado guia de turismo.
Restaurantes para todos os paladares se enfileiram por todas as ruas, lado a lado, ou dentro dos hotéis, pousadas, “hostels” ou hospedarias. Mas isso não é tudo, pois tão significativa é a demanda, que o excedente dos hotéis, que acabou se tornando uma alternativa de hospedagem, são as casas de família, cedidas por temporada, à semelhança de regiões costeiras do Brasil, e outros centros no mundo.

Estas hospedarias, hotéis e restaurantes, oferecem uma gastronomia comparável à italiana, francesa e entre as melhores do mundo, com o adendo de possuir sabores próprios, criados, ora nas tradições familiares, ora trazidas pelos “chêfs” das melhores “cuisins” do mundo para temperar o paladar exigente cada vez mais de seus comensais.

Gramado possui representatividade turística nas maiores operadoras do mundo, o que permite ao seu “cluster” turístico competitividade com outros centros turísticos de qualquer parte do mundo. Torna-se efervescente sua fluência comercial, e sua influência mercadológica. Torna-se interessante lançar produtos em Gramado, porque atinge público seleto e formador de opinião em tempo abreviado.

Gramado ainda detém o status de estilo próprio, de culturas adventícias que moldaram a arquitetura, o design e as artes, ainda incipientes, mas vivas. Quem nunca ouviu falar do “Móvel estilo Gramado”, ou do Chocolate de Gramado, ou ainda, em outros tempos, de seu artesanato, suas malhas, sua arquitetura, que mesmo evoluindo e permitindo ensaios e licenciosidades arquitetônicas, mantém-se fiel às características que afloraram suas edificações ao longo das últimas décadas.
É um lugar onde, apesar desta complexidade, ainda tem muito por crescer, não apenas geograficamente, como em sua oferta de lazer e entretenimento.

Assentada sobre a região serrana do Nordeste gaúcho, Gramado tem sua topografia acidentada, escarpada e sinuosa. Este fator limita, de certa forma sua expansão territorial, embora seja cercada de densa área verde, entrecortada por rios e arroios, e por uma colcha de retalhos de pequenas propriedades rurais ainda povoadas por descendentes de imigrantes italianos e alemães. Tende então a expandir-se através destas povoações, o que já vem acontecendo há alguns anos. Com a urbanização, asfaltamento das ruas que cortam o município e ligam as colônias à sede do município, Gramado descaracteriza a ideia do colono como um indivíduo rude e isolado, e o aproxima das atividades turísticas e socioeconômicas do município promovendo a circulação de produtos hortifrutigranjeiros de qualidade exigida pelo paladar do visitante e do próprio gramadense.

Há aqui dois aspectos de crescimento, nesta leitura: o primeiro, comentado aqui pela possibilidade de expansão territorial das atividades urbanas. O outro aspecto diz respeito à otimização de espaços e oferta turística, como por exemplo, a extensão de lazer e serviços por mais horas ao longo do dia.

Com o crescimento e chegada de grandes grupos estrangeiros e nacionais, Gramado tende a oferecer ainda mais, no mesmo espaço geográfico e edificado. Exemplo disso são farmácias, bares, restaurantes, casas noturnas, papelarias, oficinas culturais, consultórios e clínicas, bibliotecas, e inimagináveis atividades que pode utilizar os mesmos espaços em horários alternativos.

Os jogos de azar estão caminhando a passos largos, por interesse do Governo Federal e do Congresso, para sua legalização e regulamentação. Gramado tem o cenário adequado para receber os cassinos que se proliferarão pela região, sempre liderada por Gramado.

Sem fazer apologia contra ou a favor, mas em uma análise técnica, podemos arriscar o neologismo de “Las Vegas brasileira” para um período de menos de uma década a seguir. Serão milhares de novos empregos e oportunidades de negócios, não apenas dentro da cidade, o que será cada vez mais inviável o acesso, como na região periférica, pela oferta de produtos e serviços.

Serviços cada vez mais especializados serão demandados, desde a construção civil, movelaria, alta decoração, confecções (Gramado ainda não despertou como potencial criadora de inteligência da Moda e Design), gastronomia acessível (a oferta atual visa o consumidor de maior poder aquisitivo, e embora o morador local obtenha privilégios e descontos, ainda é carente de serviços para o público interno).

Gramado tem uma população jovem, mas recebe público de todas as idades. Enquanto hoje oferece lazer gastronômico e de compras, demanda serviços que possam ser vendidos como pacotes alternativos aos hotéis e operadoras de turismo.

Enquanto em décadas passadas atingir sessenta anos era uma vitória, a idade média ultrapassa os setenta e cinco anos. Além da demanda de lazer, também deverá crescer a oferta de serviços prestados por pessoas entre sessenta e setenta anos, ou mais. Num cenário onde a Previdência Social tende a ser sucateada, elitizada ou totalmente transformada. Necessitarão, os idosos, buscar alternativas para complemento de sua renda. Sua experiência será absorvida por empresas prestadoras de serviços ao público, o que prevalece em Gramado hoje.

O jovem com formação acadêmica, e especializações formará uma cadeia de inteligência empreendedora a serviço destas demandas, ou de outras que surgirão neste mercado em franco crescimento. A tecnologia ainda deixa a desejar em Gramado. Internet de péssima qualidade, falta de infraestrutura de inteligência cibernética, ainda engessa setores públicos ou privados. Existe portanto ambiente largo e acessível para inovação tecnológica junto ao turismo formal.

Aliada à tecnologia (ou falta desta), ainda a mobilidade urbana é deficitária. Ônibus superlotados ligando cidades vizinhas ou bairros, ainda operam no antigo sistema de bilhetes e roletas. A moeda-papel ainda oferece riscos à equipe de bordo, e mesmo os passes utilizados como vale-transporte são antiquados e ineficazes. Soma-se a isso o formato de paradas, onde mal percebe-se o lugar onde se encontra o veículo, deixando o passageiro atônito e ansioso pela possibilidade de perder o ponto de descida. Neste quesito, a tecnologia pode auxiliaR com moeda eletrônica, e identificação da parada já na aquisição do passe, alimentando o sistema de bordo a comunicar a parada e emitir sinal sonoro para atenção do passageiro. Esta é apenas uma das facilidades que a tecnologia pode oferecer ao turismo e mobilidade urbana de Gramado. E é também mais uma das possibilidades empreendedoras de Gramado.

Com população fixa de cerca de 35 mil habitantes, e flutuante de cerca de três vezes isso, Gramado tem carência habitacional. Isso provocará o crescimento geográfico, como uma bola de neve. E este crescimento demandará novas políticas públicas para saneamento, segurança pessoal, pública e patrimonial. Mais profissionais ocuparão espaços em tempo cada vez mais acelerado. Mais imóveis geram vácuo que é preenchido pelas demais necessidades de uma moradia, tais como eletrodomésticos, móveis, vestuário, artigos de higiene, complementos, etc. Novos bairros oferecerão oportunidades para pequenos mercados, clínicas médicas e dentárias, pets, lojas, serviços.

Visitada por cerca de dois a três milhões de turistas ao ano, Gramado gera riqueza contínua, mesmo com varantes de temporada, suas ruas raramente ficam vazias. Flutuações cambiais desfavoráveis às importações, também favorecem Gramado, que se capacitou para receber todos os padrões de turismo. Não é necessário um motivo especial para visitar Gramado. Visitar Gramado É o motivo especial para viajar. Simplesmente isso.

Promotora e receptora de eventos que garantem a alta rotatividade da economia, em especial hospedeira e gastronômica, Gramado não vive apenas do acaso. Desde há muito tempo optou pelo Turismo de eventos, seja no receptivo, ou mesmo criando seus próprios eventos. Uns com ação do poder público (Festival de Cinema, Natal Luz, Festa da Colônia, etc), outros de iniciativa privada (Festuris, Chocofest e outros) asseguram não apenas rotatividade e lotação hoteleira, como marketing associado à cidade. Uma coisa puxa outra.

Gramado encontra-se (na edição deste estudo) estável politicamente (há uma alternância entre duas facções há mais de quatro décadas). Embora com as mesmas características que identifica a busca pelo poder, acusações, fiscalizações tendenciosas, acirramento em campanha, Gramado tende a permanecer neste ciclo por mais algum tempo, dado ao desinteresse político da população recém-chegada, e a falta de formação de novas lideranças. O velho padrão “tapinha nas costas” e abraços em quermesse caracterizam a identidade do político local. Não muda nada em relação ao resto do mundo político. No entanto, esta estabilidade assegura ao investidor a confiança necessária para elaboração de projetos de longo prazo em seus investimentos.




Porque Fedoca precisa rever sua política de relacionamento com o povo



Foto: Arquivo Facebook Página Oficial de Fedoca 

Parece que foi orquestrado, combinado, uma onda de choque de proporções inesperadas, o que aconteceu ontem, em relação aos meios de comunicação que direcionam suas informações e análises para a política de Gramado.

Mas posso dizer que não foi assim. Cada comunicador é independente. Tem seus métodos e linha editorial. Assim, eu também tenho a minha. Meu estilo não é oferecer notícias bombásticas, mas analisar o conjunto daquilo que leio entre as publicações de diversos meios, e não apenas nas mídias profissionais. Uma fonte de informações onde bebo água são as redes sociais. Filtro tudo e escrevo o que entendi. 

Dez vezes mais visitantes que o habitual, visitaram meu blog entre ontem e hoje, para se inteirarem do que tenho a dizer acerca do comportamento político do personagem numero um de Gramado, o Prefeito Fedoca. E considerando que este blog é estrategicamente direcionado à Gramado, é fácil fazer uma leitura da receptividade que vem tendo estas análises comportamentais dos políticos desta cidade. (Pense em anunciar aqui,porque o retorno é certo)

E o que entendi foi um claro recado ao Prefeito Fedoca, de Gramado, para que reveja com urgência sua linha política (não estou falando de suas ideologias), principalmente sua forma de relacionamento com o povo que o elegeu, mas também com o povo que embora não tenha votado nele, fez parte do processo democrático que permitiu sua ascensão ao cargo.

O que entendi foi que certamente esteja tão ocupado em estruturar sua ainda alquebrada equipe, que dispersou da necessidade de se comunicar com o povo. 

Estamos chegando a abril e o principal cargo político da cidade ainda não tem ocupante certo, a Secretaria de Turismo, e talvez pela pressão que enfrenta,  Fedoca está cochilando no tocante ao relacionamento com quem o apoiou. Seus entusiastas eleitores estão impacientes, e esta impaciência se deve mais à sua negligente assessoria de marketing, do que às ações administrativas corriqueiras.

É bem sabido que em três meses pouco se pode fazer, a não ser tomar decisões de caráter político, para demonstrar que está disposto a oferecer mudanças ideológicas na administração, diante daquilo que considera necessário de mudanças. Mas não é isso que está acontecendo. É exatamente o contrário.

Fedoca desliza todos os dias na etiqueta política, quando viaja e não repassa o cargo ao Vice, Evandro. Desliza quando não dá respostas aos cidadãos que desejam conhecer sua equipe, ainda incompleta. Desliza quando ignora a imprensa e só se manifesta com ironias. Desliza quando deixa-se cegar pela estatura do poder que detém, e faz ouvidos de mercador aos seus companheiros, e indiferente aos apelos, desliza quando não negocia com o PMDB que assinou carta em branco para que ele, o Prefeito, esteja onde está, fazendo o que faz, e ignorando a quem deveria chamar ao diálogo.

Estou reclamando em causa própria? De jeito nenhum. Não preciso dos favores do Prefeito, e muito menos que dê contas à mim, que estou longe. Estou, repito, apenas tratando de forma direta, aquilo que leio e resumo nas redes sociais, onde o Prefeito figura como amigo pessoal de todos os reclamantes. 

Nem tanto amigo assim, me parece, considerando que amigo briga, xinga, responde e até ofende seus acusadores, mas caminha para o abraço ao final das diferenças. 

Aqui não me parece o caso, porque o que faz parecer é que já eleito e dispensando opiniões, o filho do político mais ilustre que a historia já registrou, nos primórdios do Município,já esqueceu de suas raízes, e chamou para as bodas festivas, outros amigos, que nenhuma relação possuem com a historia de Gramado.

A oposição agradece.







A morte do Teiú e o marasmo da vida

O lagarto Teiú é muito comum pelas matas, e até pelas áreas arborizadas das cidades. Aqui mesmo, onde moro, tem uma pequena reserva de mato,...