terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O país da alegria ou a alegoria de um país?

Imagem: internet

Pacard, Escritor, Designer, e não é folião. Um pouco bagunceiro, no máximo*

Nunca gostei do carnaval. Nunca. Nunquinha. Nunca entendi o surto programado de alegria etílica que transforma cidadãos em foliões que desnudam suas fantasias secretas, e as trazem ao lume dos festejos, sob a alegoria de brincadeira. Pode ser tudo, menos brincadeira.

Conheci pessoas que durante o ano inteiro, não colocavam um único gole de bebida alcoólica na boca, mas quando chegada a semana de carnaval, terminavam a terça feira em coma alcoólica no hospital. Eu mesmo, quando fui aprendiz de enfermagem, aos dezessete anos, atendi, em meus plantões, foliões alcoolizados, com olho queimado de cigarro (como isso acontecia, nunca tentei descobrir), sujos, vomitados, e outras imundícies que não cabe detalhar aqui. 

Mesmo assim, sentiam-se "completas e cheias de vida" durante os dias de carnaval!

Nunca consegui entender  qual é o prazer em beber até perder os sentidos, o paladar, a capacidade de estabelecer uma comunicação verbal ligeiramente compreensível, e ainda assim, sentir-se saudoso dessa circunstância absurda. Ainda assim, sou, civilizadamente, obrigado a respeitar que tem nesse estado de torpor psíquico materializado, o seu estado de graça e felicidade anual. E tenho que concordar, porque em datas como natal, aniversário, ou até mesmo eleições, alguém está frustrado, infeliz, melancólico. Eu mesmo, não tenho no natal o melhor modelo de confraternização, e aniversário, há muitos anos que não tenho celebrado mais. Nem meu, nem de ninguém. Já o carnaval, é unânime que, aos que nele se integram, seja uma festa ímpar de liberdade e folia sem limites, porquanto, segundo reza a lenda, o orifício excretor de ébrio é de domínio público. Assim, qualquer sinal que avançam nesse estado mental, pode ser atribuído ao álcool, e tudo é perdoável. Até mesmo sentir falta disso quando não é permitido. Ora, que tempos vivemos, Ô... Eu estudo profecias desde menino, e sempre ouvi falar que um dia, as pessoas seriam proibidas de exercerem seus costumes religiosos, e isso por impedimento de Lei, mas o que nunca imaginei que o principio das dores viesse exatamente com aquilo que o meio religioso (e eu junto) considera uma larga celebração pagã, fosse proibida (ainda que por argumentos sanitários), de enriquecer as destilarias, e como via de consequência, abarrotar as UTIs, pelos acidentes de trânsito, comas alcoólicas, ou efeitos colaterais dos excessos de comida e bebida, exaustão, etc.

Se eu fosse um sujeito dado às tabelinhas de causas e consequências, sob o olhar religioso, diria que são os pecadores pagando por seus pecados. Mas não posso dizer isso, porque carnaval não é o único veículo que pode conduzir a pecados, porque há outros, tão, ou mais graves. Muito mais. Eu poderia citar a má política, que engravida o caráter de quem já tem uma veia fraca para a vaidade, ou poderia mencionar a cabeça coroada de maus juízes e péssimos ministros (falo apenas dos maus e dos péssimos, e excluo os bons e excelentes), ou ainda poderia falar da ganância dos ricos, ou da inveja dos pobres. Não tem jeito. Eu poderia falar que a vaidade de pensar na própria santidade seja um dos mais convidativos. O mal quando quer produzir, acha matéria prima até com quem dorme. Então, como não sou sujeito à tais tabelinhas, apenas digo, que talvez tenha sido (eu disse "talvez", a providência divina, em fechar as passarelas, para aliviar os hospitais, porque a praga das pandemias é ainda mais imediata que os males das bebedeiras. Um e outro, matam, mas o trago mata com pinças, enquanto as pandemias matam com rodo.

O país das alegorias transforma-se agora na alegoria de um país sem direção, como o instrumento urinário masculino de um ébrio. Torna-se espetáculo de horrores em circo de desajustados. E diferente do Carnaval, que termina na quarta feira de cinzas, o mundo com sua pandemia está "sine diem", sem previsão de entrega da tranquilidade que nunca existiu.

Apertem os cintos e segurem o choro, porque, o verão da cigarra que cantava e dançava, cessou, e a formiga é mesquinha, não vai dividir o mofo de sua ração escondida nas profundezes, com quem quer que seja.

E já que leu até aqui, leia mais nos meus livros. Esse abaixo, por exemplo, é ótimo. Basta clicar na imagem para comprar.



sábado, 13 de fevereiro de 2021

Resposta, ou Solução? O que você espera de D-s?


Resposta, ou Solução? O que você espera de D-s?

Pacard é escritor, designer, e gosta de complicar as coisas simples*

O seguinte diálogo é hipotético, mas ilustra minha reflexão nesse tema.

Na aula de matemática, o professor pergunta ao aluno:

- Joãozinho! Responda, qual é a raiz quadrada de 144?

- Não sei, professor!

- Então vai levar zero na prova.

- De jeito nenhum - disse Joãozinho! Eu dei a resposta certa, mas foi o senhor quem errou, ao fazer a pergunta de modo inadequado!

- Explique - Disse o professor.

- O senhor pediu que eu desse uma resposta à sua pergunta. E eu dei. "Não sei!", foi a resposta. Porém, a sua pergunta deveria ter sido: "Qual a solução da raiz quadrada de 144?" Se eu tivesse dito qualquer numero aleatório, aí nós dois teríamos errado, pois o senhor não soube  propor o enunciado, e eu não teria correspondido à sua expectativa de dar uma solução ao problema, que o senhor, efetivamente não perguntou.



A moderna simplificação e distorção das coisas, fez brotar uma geração de busca de respostas, em lugar de busca de soluções, no que diz respeito ao relacionamento com O Criador. E não, a culpa não é desta geração, a quem é fácil atribuir imperfeições e enaltecer, como comparativo, os bons tempos antigos. Não eram bons. Eram apenas os tempos daquele tempo, e nada mais. Cada tempo é o melhor dos tempos, porque é o único tempo que realmente existe. O resto é passado, com suas lembranças, ou futuro, com suas aspirações, mas um e outro, ainda sem respostas.

O que buscamos são respostas, mas do que necessitamos, são soluções. Quando invocamos O Criador para que resolva nossos problemas, antes de clamar por soluções, precisamos ouvir respostas, não d'Ele, mas de nós mesmos. O Pentateuco, que é a fonte de todos os demais livros da Bíblia, por si só, seria suficiente, se fosse estudado com o esmero que sugere em suas páginas, mas como não fazemos isso, portanto não podemos compreendê-lo adequadamente, é que foram enviados os profetas, e redigidos os demais escritos, como adendos e notas marginais (da margem, auxiliares), e com isso, nos acostumamos a esperar respostas prontas às nossas questões, cujo contexto pode ser interpretativo demais, gerando uma dependência escriturística, que termina em preguiça mental, e pior que isso, preguiça espiritual. Só que o Pentateuco não nos dá respostas. Apenas conta histórias, e em caso de dúvida, faz perguntas, porque a resposta já foi dada. Basta procurar.


Texto e contexto, enunciado, respostas e soluções, devem encaixar-se no caminho, como sinalizadores, e não como destino final da jornada.

D-s não dá respostas, antes, faz perguntas, e indica as placas do caminho, que já estão lá para serem lidas, pensadas, e seguidas. Quando diz a Josué, que não o deixará, não irá desampará-lo, diz também que não tenha medo, não se espante, e tome suas próprias decisões, e que estas, serão apoiadas pelo braço forte do Criador, contanto que estejam de acordo com aquilo que foi orientado havia pouco tempo antes, por intermédio de Moisés. Assim, D-s diz a Josué que ele é livre, mas alerta que tal liberdade pressupõe regras, e que tais regras são precedidas por perguntas, e seu enunciado deve ser claro, límpido como cristal, e que somente com essa clareza de atitude e pensamento, com limpidez de alma, é que Josué compreenderá a importância de agir em conexão
com as orientações do Criador.

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Jó, fez perguntas, mas D-s devolveu as perguntas e fez-Se claro de que mostrava soluções às perguntas que Jó não soubera fazer. D-s só faz perguntas, quando a solução está na nossa frente, e é preciso um chamamento mais contundente para despertarmos da letargia continuada à qual nos adestramos.

Orar é um diálogo, e neste diálogo, temos o momento das perguntas, o abrir de alma, mas sempre lembrando que D-s não nos deve respostas, mas nos oferece soluções, e estas soluções são sempre condicionais. Não significa que vamos negociar com D-s: "Eu troco isso por aquilo!", Longe disso. Vamos levar ao Criador as nossas ansiedades, e na falta de entendimento para que façamos as perguntas certas, esperemos a solução para nossa falta de conhecimento e de experiência, que segundo os sábios, levam à esperança, e da esperança, para a fé, é só um pequeno passo, chamado confiança. Pedimos respostas, quando o que precisamos é de soluções, e pedimos soluções, quando precisamos antes é saber fazer as perguntas. Não à D-s, mas à nós mesmos. É como alguém que procura desesperadamente pelos óculos e estes estavam diante dos seus olhos o tempo inteiro.

Ah, ia esquecendo de dizer, que Joãozinho levou zero mesmo assim, por encurralar o professor. Falar a verdade e desmascarar um ignorante é bom para o ego, mas péssimo para as relações interpessoais, especialmente diante de uma autoridade. O sistema de ensino vigente não permite que seja exercido outro modo de adestramento, que não a tabelinha de perguntas e respostas, ainda que o enunciado seja dúbio.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Big data, connectivity, and running over old people



Big data, connectivity, and running over old people

Pacard is a writer, designer, and almost too old **

I was almost always an innovator. When I was told to learn wood carving in a company, I was rebellious, and said that I wanted to be a "Furniture Designer-Designer". And I went. Then, when they called me "Designer-Designer", I said that it wasn't like that anymore, I was already "Designer". Ah, how they laughed at me. But they got tired. Around 1986, I met some guys, who proposed that we set up an AUTOCAD bureau. Barbarity! it was too much, all I wanted, to master the technology. Autocad, the program used to design FIAT cars.

The bureau did not come out, but I bought a computer, CP-400 from Prológica. It was useless, but I had a computer. This gave prestige. In the 90s, a friend lent me a PC, 286, with a color monitor: COLORED monitor! A pen that printed in black and white. But it was worth it. And it was evolving. Today, here at home there should be about 5 computers, plus cell phones, which are more efficient than all the PCs together that I have had until the year 2000 (two Macintoshes do not count). The world has evolved, and I have kept pace. So I thought.

My two youngest children are from the technology field. This ended our dialogue, because they engaged the fifth, while I was still looking for the clutch pedal, when I discovered that a decent car no longer has a clutch. I'm glad I don't have a decent car. I like to shift gears. It's safer when I know who's in control.

My daughter is almost a doctor, with a doctorate, so our dialogue is just "good morning, how are the kids doing?" I am terrified of saying anything that is not of a technological nature or of the high academic clergy. Not even. So humanity walks, from keyboard to keyboard until it reaches the quantum synapse, which scans the mind and shows it on the screen before we think. That scares you know. Especially when the person was over sixty years old. I was over sixty years old. But I'm not the son of a scared father, so I have no idea how I got so scared.

Not that I'm afraid. I am not, but it scares me the gigantism of things. Big Data, for example. My salts, how am I going to live with something that already begins with a name of your size? How am I going to live with something that shows the keyboard the place where my fingers should squeeze? How can I have respect for something that my fingers tap on a letter, and on the screen a photograph of me from when I was little appears? Mercy! I was a little boy, and did it become so trivial? In the past we used to see childhood portraits, accompanied by a tear from the aunts, and a table full of goodies. But and now? What is made of goodies, if not those that fill our mornings on the social media timeline? Those wonderful puddings and baked goods, made by an aunt, from India, who cuts an onion in the palm of the hand, with a scythe, and does not remove a piece of the finger? How to compete with that? So, is it not to make people afraid?

Big Data came to run over the old and age the young, without passing through life. The new old ones are like fruits we picked greens, and were forcibly ripened, which has color and size, but the flavor didn't even come close. Connectivity doesn't connect, but it harnesses, ties, and squeezes tight. It is good for those who have strength in their knees, but old people don't have more knees. They were exchanged for poultices that smell like camphor in Emplastro Salompas. Connectivity embraced | Big Data and killed us to eat the liver. With Bits and Bytes grilled in the overheated processor. Thankfully, we're not going to live long to see what comes next. I hope it is brief, to hurt a little and not lock the screen.

By the way, since you've read this far, how about reading one more of my books? Just click on the image below, and happiness will be at your fingertips.



A Big data, a Conectividade, e o atropelamento dos velhos


A Big data, a Conectividade, e o atropelamento dos velhos

Pacard é Escritor, Designer, e quase muito velho**

Quase sempre fui inovador. Quando me mandaram aprender escultura em madeira em uma empresa, fui rebelde, e disse que queria ser "Desenhista-Projetista de Móveis". E fui. Daí, quando me chamavam de "Desenhista-Projetista", eu disse que não era mais assim, já era "Designer". Ah, como riram de mim. Mas cansaram. Lá por 1986, conheci uns caras, que me propuseram que montássemos um bureau de AUTOCAD. Barbaridade! era demais, tudo que eu queria, dominar a tecnologia. Autocad, o programa usado para desenhar os carros da FIAT.  

O bureau não saiu, mas eu comprei um computador, CP-400 da Prológica.Não servia pra nada, mas eu tinha um computador. Isso dava prestígio.  Nos anos 90, um amigo emprestou-me um PC, 286, com monitor colorido: Monitor COLORIDO! Uma pena que imprimia em preto e branco. Mas valia à pena. E a coisa foi evoluindo. Hoje aqui por casa deve ter uns 5 computadores, mais os celulares, que são mais eficientes que todos os PCs juntos que já tive até o ano 2000 (dois Macintoshes não entram na conta). O mundo evoluiu, e eu acompanhei o passo. Assim pensava eu.

Meus dois filhos mais novos, são da área da tecnologia. Isso acabou com nosso diálogo, porque eles engataram a quinta, enquanto eu ainda procurava o pedal de embreagem, quando descobri que carro decente não tem mais embreagem. Ainda bem que não tenho carro decente. Gosto de trocar as marchas. É mais seguro quando sei quem está no controle.

Minha filha é quase Doutora, de doutorado mesmo, então nosso diálogo não passa de "bom dia, como vão as crianças?". Morro de medo de dizer alguma coisa que não seja de cunho tecnológico ou do alto clero acadêmico. Não mesmo. Assim caminha a humanidade, de teclado em teclado até chegar à sinapse quântica, que faz uma varredura na mente e mostra na tela antes da gente pensar. Isso assusta sabe. Principalmente quando a pessoa passou dos sessenta anos de idade. Eu passei dos sessenta anos de idade. Mas não sou filho de pai assustado, então não faço ideia de como fiquei desse jeito tão apavorado.

Não que eu seja medroso. Não sou, mas me assusta o gigantismo das coisas. A Big Data, por exemplo. Meus sais, como vou conviver com algo que já começa com um nome de sua dimensão? Como vou conviver com algo que mostra ao teclado o lugar em que meus dedos devam apertar? Como posso ter respeito por algo que meus dedos batem numa letrinha, e na tela aparece uma fotografia minha de quando era pequeno? Misericórdia! Eu já fui pequeno, e isso ficou tão banalizado? Antigamente a gente via retratos de infância, acompanhados de uma lágrima das tias, e uma mesa farta de guloseimas. Mas e agora? O que é feito das guloseimas, senão aquelas que abarrotam nossas manhãs na linha de tempo das redes sociais? Aqueles pudins e assados maravilhosos, feitos por uma tia, lá da Índia, que corta cebola na palma da mão, com uma foice, e não tira pedaço do dedo? Como competir com isso? Então, não é de meter medo na pessoa?

A Big Data veio para atropelar os velhos e envelhecer os jovens, sem que transitem pela vida. O novos velhos são como frutas apanhávamos verdes, e eram amadurecidas à força, que tem cor e tamanho, mas o sabor não passou nem perto. A conectividade não conecta, mas atrela, amarra, e aperta com força. É bom pra quem tem força nos joelhos, mas os velhos nem joelhos tem mais. Foram trocados por cataplasmas que cheiram à cânfora em Emplastro "Salompas". A conectividade abraçou a |Big Data e nos matou para comer o fígado. Com Bits e Bytes grelhados no processador superaquecido. Ainda bem que não vamos viver muito pra ver o que vem depois. Espero que seja breve, pra doer pouco e não travar a tela.

A propósito, já que leu até aqui, que tal ler mais um dos meus livros? Basta clicar na imagem abaixo, e a felicidade estará ao seu alcance.



What do we have that they don't have?

What do we have that they don't have?

Pacard - Writer, Thinker, Designer, and sympathetic grandson of Maria Elisa *


"Them", in this hypothetical illustration, can be, even in a very singular plural, any place that is far from our visual reach, but that seems to us to know it like the back of our hand, according to our fanciful imagination, to place happiness elsewhere.


"They" are "us", on the other side of the border, on the other side of the wall, from the seat to the table, but on the other side, the side that we are not on. So, we can play the other way, our hopes, and also our frustrations for the mistakes that we didn't know how to make the right way.


Europe makes less mistakes, because it has made more mistakes. China grows a lot, because for hundreds of years, it has grown little. Not little, in relation to herself, but almost nothing, in relation to the world, so much so that Napoleon Bonaparte discouraged his generals from planning an invasion of the old dragon, who was sleeping soundly, snoring. North America grows too much, because it still has a lot to go wrong, until it stabilizes its own growth, so that it starts to make less mistakes. Japan made so many mistakes, that when he got his breath back, he became the three little monkeys of the fable: He doesn't speak, he pretends he doesn't see, and he avoids listening. And live in peace. And live with prosperity. Not necessarily well, but the thing there seems to be working.


Russia has slipped in its way of operating the masses, but it is already catching its breath in its gigantism. Anyway, almost everyone is adjusting to their economic and civilizing history. Even old (and old) and good Africa, in its somewhat old-fashioned way, so to speak, has also found its way (if only to circumvent the poverty imposed by those who made mistakes before and settle in their mistakes today, read Belgium that slaughtered twenty million Congolese in its own holocaust), also read Turkey, which has a fan foot, to reactivate the great Turkmen empire, even if it needs to sweep the ashes out of the Kurds and Armenians under the Persian rug., and grapple with the support of NATO (who accepted the Turks' membership as a sucker), working their civilization, that if it weren't for the excellent food, it would be completely expendable (not people, just the ambition of some of the people).


I cannot fail to mention dear Venezuela. Ready. The subject of Venezuela ends here.


Then we arrived at the old and good beloved country, Brazil! Highland Pindorama! Glorious Island of Vera Cruz, Land of Santa Cruz, and finally, in the best Portuguese, the last flower of Lazio: "Terrae Brasiliis!" Great! We got here, now there's no way back. It is here that I begin to ask the title: What do we have that they don't have?

We have a good and "worthy" land, where everything that is planted, gives in it. Give corn to the cows, pasture to the oxen, lettuce to the rabbits, rabbits to the foxes, Lobo Guará, to the notes of Two hundred (which, like the wolves, which only biologists find, the notes of this value only exist in the warehouse of Casa da Currency, that is, of the two hundred bill that nobody saw. We have what they don't have, for example, the extinct mulattoes, who are forbidden to be mulattoes, and now they can only be Afro-"empowered" (full of power) activists ) in ethnic cultural export entrepreneurship, which doesn't even export that image anymore, because who will be interested in seeing posters of voluptuous half-naked dancers, when there is scandal after scandal to worry about. This, in fact, leads me to think that activists environmentalists don't like the bodily jolting of battery queens, and prefer the lascivious flames of burning forests. It gives more prestige to defend trees than people, you know. It gives more openness to speeches at the UN, (UN) than a group of dedicated pious volunteers. ios serving soups at dawn on the dreary outskirts of big cities.


What do we have that they don't have then? We have the poor to win soup. We have forests to be protected in exchange for millionaire donations. We have scandals to guarantee the need for judges who stack up against other judges and dispute the primacy of which one will loosen the chains at the last moment, and allow those convicted to "get rid of" themselves by the smooth and short arm of Justice. We have "them", who do not protect us, but protect those we fear. | We have "them", who do not know us since little children. We have "them", which allow us to be their "them", in order to point the fingers, the same ones that pass in the fat and suck us to lick the salt, that salt that is not necessary for those who don't even have what cooking, and therefore salt for what?

What do we have that they don't have? We have hope. They just have experience. Let us therefore stay away from them so that they do not take away our certainty that what we have to make will be the mistakes we will have to call our own.


Ah, take the opportunity to learn more about my blunders, and buy the book below now. Just click on the image and a fairy will direct you to the page where you can buy all my books published in Brazil.



O que nós temos que eles não tem?

 

Pacard - Escritor, Pensador, Designer, e neto simpático de Maria Elisa*

"Eles", nesta ilustração hipotética, pode ser, ainda que num plural muito singular, qualquer um lugar que esteja longe de nosso alcance visual, mas que parece-nos conhecê-lo como a palma da mão, segundo nossa fantasiosa imaginação, de colocarmos a felicidade em outro lugar.

"Eles" somos "nós", do outro lado da fronteira, do outro lado do muro, do assento à mesa, mas do outro lado, o lado em que nós não estamos. Então, podemos jogar para o outro lado, as nossas esperanças, e também as nossas frustrações pelos erros que não soubemos cometer do jeito certo.

A Europa erra menos, porque já errou mais. A China, cresce muito, porque durante centenas de anos, cresceu pouco. Não pouco, em relação a si mesma, mas quase nada, em relação ao mundo, tanto é que Napoleão Bonaparte desestimulou seus generais de arquitetarem uma invasão ao velho dragão, que dormia de ressonar, profundamente. A América do Norte cresce demais, porque ainda tem muito por errar, até estabilizar o seu próprio crescimento, para que passe a errar menos. O Japão errou tanto, que ao retomar o fôlego, tornou-se os três macaquinhos da fábula: Não fala, finge que não vê, e evita escutar. E vive em paz. E vive com prosperidade. Não necessariamente bem, mas a coisa lá, parece funcionar.

A Rússia, deu uma deslizada no seu modo de operar as massas, mas já está recuperando o fôlego no seu gigantismo. Enfim, quase todos estão se ajustando ao seu histórico econômico e civilizatório. Até mesmo a velha (e põe velha nisso)e boa África, dentro de seu modo um pouco antiquado, digamos assim, também encontrou seu caminho (nem que seja para driblar a pobreza imposta pelos que erraram antes e se acomodam nos seus erros hoje, leia-se Bélgica que chacinou vinte milhões de congoleses, no seu próprio holocausto), leia-se também a Turquia, que tem o pé que é um leque, para reativar o grande império turcomano, mesmo que pra isso precise varrer as cinzas dos Curdos e Armênios pra debaixo do tapete persa., e engalfinhar-se apoiada pela OTAN (que aceitou, de otária, a adesão dos turcos), a trabalhar sua civilização, que se não fosse a excelente comida, seria completamente dispensável (não as pessoas, apenas a ambição de algumas das pessoas).

Aí chegamos ao velho e bom pátrio amado, Brasil! Altaneira Pindorama! Gloriosa Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, e por fim, no melhor português a última flor do Lácio: "Terrae Brasiliis!" Excelente! Chegamos até aqui, agora não tem como voltar mais. É aqui que começo a perguntar o título: O que nós temos que eles não tem?

Temos uma terra boa e "valerosa", onde tudo que se plantar, nela dá. Dá milho pras vacas, pasto pros bois, alface pros coelhos, coelhos pras raposas, Lobo Guará, pras notas de Duzentos (que, tal como os lobinhos, que só os biólogos os encontram, as notas deste valor só existem no almoxarifado da Casa da Moeda, isto é, da nota de duzentos que ninguém viu. Nós temos o que eles não tem, por exemplo, as extintas mulatas, que estão proibidas de serem mulatas, e agora só podem ser ativistas afro-"empoderadas"  (cheias de poder) no empreendedorismo étnico cultural de exportação, que nem se exporta mais essa imagem, pois quem vai se interessar em ver cartazes de voluptuosas dançarinas seminuas, quando tem escândalo atrás de escândalo para se preocupar. Isso, aliás, me leva a pensar que os ativistas ambientais não gostem do sacolejo corporal das rainhas de bateria, e preferem as chamas lascivas das florestas queimando. Dá mais prestígio defender árvore do que gente, sabe. Dá mais abertura para discursos na ONU, (UN) do que um grupo de dedicados piedosos voluntários a servirem sopas pelas madrugadas nas periferias lúgubres das grandes cidades.

O que nós temos, que eles não tem, então? Temos os pobres para ganharem sopa. Temos as florestas para serem protegidas em troca de donativos milionários. Temos escândalos para garantirem a necessidade de juízes que se empilham sobre outros juízes e disputam a primazia de qual deles vai afrouxar as correntes no último instante, e permitirem que os condenados se "descondenem" pelo suave e curto braço da Justiça. Nós temos "eles", que não nos protegem, mas protegem aos que nós tememos. |Temos "eles", que nos desconhecem desde criancinhas. Temos "eles", que permitem que sejamos os "eles" deles, afim de que apontem os dedos, os mesmos que passam na gordura e chupem-nos para lamber o sal, aquele sal que não é necessário para aqueles que nem tem o que cozinhar, e portanto, sal pra que?

O que nós temos, que eles não tem? Temos esperança. Eles só tem experiência. Fiquemos portanto, longe deles, para que não tirem a nossa certeza que que o que tivermos que errar, serão os erros que teremos para chamar de nossos.

Ah, aproveite para conhecer mais minhas asneiras, e compre já o livro abaixo.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Design is for the poor, traditional. What they expose in the decoration magazines, is for the rich and modern powders.


Design is for the poor, traditional. What they expose in the decoration magazines, is for the rich and modern powders.

Pacard - Designer, Professor and Consultant since 1974*


Until 1997, I thought I was a Designer. Was not. I thought I knew how to design furniture for any economic standard of consumers. Did not know. I drew everything, and everything I drew, the joiners were able to do. I discovered that whoever designs anything that a good joiner can do is not a good designer. He's just a fine designer. Just it.


And how did I discover that I was not a good Designer in 1997? Because I was asked to create an entire line of products for a large furniture industry in Piauí. That's right: In Piauí! In Teresina, Brazil.


The director of the company went to Rio Grande do Sul, to visit a large furniture fair that happened there, and because of his friendship with great entrepreneurs in the region, he made a very specific request: "I wanted the best Designer in Rio Grande do Sul ! ", But it is logical that in Rio Grande do Sul there were many excellent Designers, to whom I consider great creative and technical qualities, and more than that, I never liked disputes regarding the profession of Designer, even because I never participated in contests. However, yes, there was a significant contingent of professionals, and possibly, I was among those trained to accept challenges, even because there is a maxim that says you are not good because you think you are good, but because others think you are. So, I am free from the sin of vanity, because the request was not made to me, but to people who, in addition to friendship, also respected what I was doing, and to my surprise, I was called to an emergency meeting with the businessman, on the same day. In short, I was hired, and embarked for Teresina, with a suitcase full of ideas and knowledge that I thought necessary to teach the Northeasterners to make furniture.

What a disappointment for me. I discovered that I didn't know how to design "furniture for the poor". This was the definition. I, who designed furniture in Gramado, where little cared about the price of a closet, discovered that I needed to design furniture for those who would pay, for the price of a bed, in Gramado, the entire furniture of one or two houses, there in the northeastern hinterland. . I learned that if in Gramado, a wardrobe closet is about 2.50m high, there in Santana de Parnaíba, the same wardrobe measures 1.85m at most, because it wouldn't fit in the house, if it was bigger than that. The biotope of Homem Nordestino is short, compared to the European biotype of the gaucho, which obeys the standards of Le Corbusier, and not of Virgulino Ferreira da Silva, the "Lampião".


I was taken to one of the then 130 stores (today there are more than 300 units) of the chain, to observe the behavior of the buyers, and I saw people in a payment queue, with a booklet in one hand, with the money already counted, and the leather hat, in the other, in an attitude of reverence for the environment where they were: the cashier. I was informed that this chain of stores does not use SPC, SERASA as a confidence limiter, because your confidence is in the person who makes the purchase. That's right. The sertanejo who pays a portion of R $ 5.00 on the booklet, and does not delay even once, because he needs to preserve honor and dignity, because he understands that the poor have nothing but their honor, which is their word, and if you lose that, your life is over.

There I learned to design furniture for the poor. I learned that the secret of the designer is not to let go of the hand, but to brake the hand, without losing style. I learned that to design a product, you don't need to understand technology (if you know it, it's easier), but understand people, people, know how to read the behavior and understand the look and steps of those who pay book in line. And pay on time.


Oh, I was forgetting to say that I am also a writer. If you click on the image below, you can read one of my 13 books already published (Portuguese Edition). 



Design é para pobres, tradicionais . O que expõem nas revistas de decoração, é para metidos a ricos e pós modernos.



Design é para pobres, tradicionais . O que expõem nas revistas de decoração, é para metidos a ricos e pós modernos.

Pacard - Designer, Professor e Consultor desde 1974


Até o ano de 1997, eu achava que era Designer. Não era. Achava que sabia desenhar móveis para qualquer padrão econômico de consumidores. Não sabia. Eu desenhava de tudo, e tudo o que eu desenhava, os marceneiros davam conta de executar. Descobri que quem desenha qualquer coisa que um bom marceneiro possa executar, não é um bom Designer. É apenas um Designer fino. Nada mais.

E como foi que descobri que eu não era um bom Designer, no ano de 1997? Porque fui chamado para criar uma linha inteira de produtos para uma grande indústria de móveis lá no Piauí. Isso mesmo: No Piauí! Em Teresina, Brasil.

O diretor da empresa foi ao Rio Grande do Sul, visitar uma grande feira de móveis que acontecia por lá, e por ter laços de amizade com grandes empresários da região, fez um pedido muito específico: "Queria o melhor Designer do Rio Grande do Sul!", Mas é lógico que no Rio Grande do Sul haviam muitos excelentes Designers, aos quais reputo grandes qualidades criativas e técnicas, e mais que isso, nunca gostei de disputas no tocante à profissão de Designer, mesmo porque nunca participei de concursos. Porém, sim, havia um contingente significativo de profissionais, e possivelmente, eu estivesse entre os capacitados para aceitar desafios, mesmo porque existe uma máxima que diz que você não é bom porque se acha bom, mas porque os outros acham que você seja. Então, estou livre do pecado da vaidade, pois a solicitação não foi feita à mim, mas a pessoas que, além da amizade, também respeitavam o que eu fazia, e para minha surpresa, fui chamado a uma reunião de emergência com o empresário, no mesmo dia. Resumindo, fui contratado, e embarquei para Teresina, com uma mala cheia de ideias e conhecimentos que julguei necessários para ensinar os nordestinos a fabricarem móveis.

Que decepção, para mim. Eu descobri que eu não sabia desenhar "móvel para pobres". Esta era a definição. Eu, que desenhava móveis em Gramado, onde pouco se importavam com o prelo de um armário, descobri que precisava desenhar móveis para quem pagaria, pelo valor de uma cama, em Gramado, o mobiliário inteiro de uma ou duas casas, lá no sertão nordestino. Aprendi que se em Gramado, um armário roupeiro tem cerca de 2,50m de altura, lá em Santana de Parnaíba, o mesmo roupeiro mede 1,85m no máximo, porque não caberia na casa, se fosse maior que isso. O biótipo do Homem Nordestino é baixo, comparado ao biótipo europeu do gaúcho, que obedece aos padrões de Le Corbusier, e não de Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião".

Fui levado a uma das, então, 130 lojas (hoje são mais de 300 unidades) da rede, para observar o comportamento dos compradores, e vi pessoas em uma fila de pagamento, com um carnê numa mão, com o dinheirinho já contadinho, e o chapéu de couro, na outra, em atitude de reverência pelo ambiente onde estavam: o caixa de pagamento. Fui informado de que esta rede de lojas não usa SPC, SERASA como limitador de confiança, porque sua confiança está na pessoa que faz a compra. Isso mesmo. O sertanejo que paga uma parcela de R$ 5,00 no carnê, e não atrasa uma única vez, porque precisa preservar a honra e a dignidade, por entender que pobre não tem nada, senão a sua honra, que é a sua palavra, e se perder isso, sua vida acabou.

Aprendi aí a desenhar móvel pra pobre. Aprendi que o segredo do designer não é soltar a mão, mas frear a mão, sem perder o estilo. Aprendi que para desenhar produto, não é preciso entender de tecnologia (se souber, fica mais fácil), mas entender de gente, de pessoas, saber ler o comportamento e entender o olhar e os passos de quem paga carnê na fila. E paga em dia.

Ah, ia esquecendo de dizer, que sou também escritor. Se clicar na imagem abaixo, poderá ler um dos meus 13 livros já publicados (Edição em Português).





The creative Void, and the adventurers of Brazilian furniture


The creative Void, and the adventurers of Brazilian furniture

Pacard - Brazilian Furniture Designer since 1974, Teacher, Consultant*

 

Creating and innovating is not for bad people. It's not for the faint of heart. It's crazy. It is for unhappy people, discontented people, people with ants in their underwear, with animals on their entire bodies (some say "carpenter animals"). No carpenter: Joiner. And the good ones!


Understanding innovation is not for mediocre people. It is not for people with accommodated neurons. It is not for people unable to differentiate beige from yellow, nor purple from lilac. It is not for people with a small horizon and finite soul.


Innovating is for those who realize that the limit is already creating slime and sameness has already filled with mold. Innovating is for those who know that the world revolves, even if they don't realize it. Whoever looks at the ground, only sees his feet sinking into the earth, but the innovator looks upwards, in all directions, and sees that the sun does not stay at the same point during the hours of the day. It is the innovators who perceive that the world revolves, and do not do like the flowers and leaves, which always aim at the sunlight. The innovator does not wait for the sun to turn his face. He turns on a lamp and directs the light wherever he looks.

Brazilian furniture has not innovated its face since the construction of Brasília, and rather said, since the arrival of Cabral. Brazilian furniture is only Brazilian when it looks like Brazil, and the face of Brazil is not just the face of an Indian, the face of round wood, the face of bamboo. Brazilian furniture borrows the colors of the world, the shapes of the people, and the role of the accommodated.


Brazilian furniture is ashamed of itself. She is ashamed to hit her and show her body. She is ashamed to be beautiful, sensual, happy, and necessary. 

Brazilian furniture is a harlot that supports gigolos from old world design. It is selective and stupid, because it sucks in culture that it does not know. The Brazilian furniture industry and its mentors, act as monkeys that imitate others, and in this case, the others, are the ones that repeat lines, curves, colors, and shapes and fill, with voids, spaces full of nothing. And the Brazilians say: "Top!"

Brazilian furniture is poor, even though its products are made for the rich, and the furniture of the poor, is the result of what was left over from the design reuse of a decade ago, because the big manufacturers are not at risk of making mistakes. Therefore, they are not innovative, they are spreadsheet typists and button presses for robotic machines, those that scratch, cut and drill, sheets of hardened gum, to manufacture colored boxes, which they call furniture, and think that this is design, and think that this is Brazilian.


The furniture adventurers are not the ones who produce the utility boxes for consumers, but those who benefit from a certain wave, a certain economic movement and a certain trend, and immerse themselves in the production of that, until another wave comes and changes everything, but they don't change, because only those who knew how to start can change. They simply shipwreck, and the remains appear floating in the abandoned pavilions surrounded by weeds (before weeds were, as it is empty capoeira), full of expired titles and judicial pending due to fraudulent wages or deviated taxes, and remain, like monkeys, jumping from a branch on a branch, eating chepa bananas (fruits at the end of the fair), and complaining about the government, the employees, the unions, the vaccine they don't accept, the bumpy streets, and they come home to stumble in the living corners of the cupboards, and to sit on the lame chairs, because they didn't even know how to copy them.

Brazilian Design is in its moment of creative emptiness, and manufacturers are afraid to dare, as there is a crisis outside, without realizing that there is an even worse crisis, inside, of their empty minds and hopes buried in the past that they thought were entrepreneurs and innovators. They were not, and never will be.


There is a creative void, despite constantly hearing that creativity is the great urgency for them to survive.


There are voids within voids. A void filled with other voids, as someone said. (Okay, I said that, in the little book below. Click to buy).





terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

O Vazio criativo, e os aventureiros da movelaria brasileira



Criar e inovar não é pra gente ruim da cabeça. Não é pra fraco. É pra louco. É pra gente infeliz, gente descontente, gente com formiga na cueca, com bicho no corpo inteiro (uns dizem "bicho carpinteiro"). Carpinteiro, não: Marceneiro. E dos bons!

Entender inovação não é pra gente medíocre. Não é pra gente com neurônios acomodados. Não é pra gente incapaz de diferenciar beige de amarelo, nem roxo de lilás. Não é pra gente de horizonte pequeno e alma finita.

Inovar é pra quem percebe que o limite já está criando limo e a mesmice já se encheu de mofo. Inovar é pra quem sabe que o mundo gira, mesmo que não se perceba. Quem olha pro chão, só vê os pés afundando na terra, mas o inovador olha pro alto, em todas as direções, e vê que o sol não fica no mesmo ponto durante as horas do dia. São os inovadores quem percebem que o mundo gira, e não fazem como as flores e folhas, que miram sempre a luz do sol. O inovador não espera pelo sol para virar o rosto. Ele acende uma lâmpada e direciona a luz para onde quer que olhe.

A movelaria brasileira não inova sua cara desde a construção de Brasília, e antes disso, desde a chegada de Cabral. A movelaria brasileira só é brasileira quando tem cara de Brasil, e cara de Brasil não é só cara de índio, cara de pau roliço, cara de taquara. A movelaria brasileira pede emprestadas as cores do mundo, as formas das gentes, e a função dos acomodados.

A movelaria brasileira tem vergonha de si própria. Tem vergonha de bater em portar e mostrar o corpo que tem. Tem vergonha de ser linda, sensual, feliz, e necessária. A movelaria brasileira é uma meretriz que sustenta gigolôs do design do velho mundo. É seletiva e burra, porque suga cultura que desconhece. A movelaria brasileira e seus mentores, agem como macaquinhos que imitam os outros, e nesse caso, os outros, são os que repetem traços, curvas, cores, e formas e abarrotam, de vazios, espaços cheios de nada. E os brasileiros dizem: "Top!"

A movelaria brasileira é pobre, ainda que seus produtos sejam feitos para os ricos, e os móveis dos pobres, são a rapa do que restou no reuso do design de uma década atrás, pois os grandes fabricantes não correm riscos de errar. Portanto, não são inovadores, são digitadores de planilhas e apertadores de botões de máquinas robotizadas, aquelas que riscam, cortam e furam, chapas de goma enrijecida, para fabricarem caixas coloridas, ao que chamam de móveis, e pensam que isso é design, e pensam que isso é brasileiro.

Os aventureiros da movelaria não são os que produzem as caixas utilitárias para os consumidores, mas os que se beneficiam de determinada onda, determinado movimento econômico e de certa tendência, e mergulham com tudo na produção daquilo, até que venha outra onda e mude tudo, mas eles não mudam, porque só sabe mudar quem soube começar. Eles simplesmente naufragam, e os restos aparecem boiando nos pavilhões abandonados cercados de mato (antes mato fosse, pois é capoeira vazia), eivados de títulos vencidos e pendências judiciais por salários fraudados ou impostos desviados, e ficam, feito macacos novamente, pulando de galho em galho, comendo bananas de "chepa" (frutas do fim da feira), e reclamando do governo, dos empregados, dos sindicatos, da vacina que não aceitam, das ruas esburacadas, e voltam pra casa, para tropeçarem nos cantos vivos dos armários, e assenta O Vazio criativo, e os aventureiros da movelaria brasileira rem nas cadeiras capengas, porque não souberam sequer copiá-las.

O Design brasileiro está em seu momento de vazio criativo, e os fabricantes tem medo de ousar, pois há uma crise lá fora, sem perceberem que há uma crise ainda pior, lá dentro, de suas mentes vazias e esperanças enterradas no passado que pensavam serem empresários e inovadores. Não foram, e jamais serão.

Há um vazio criativo, apesar de ouvirem constantemente que a criatividade é a grande urgência para que sobrevivam.

Há vazios dentro de vazios. Um vazio repletos de outros vazios, como disse alguém. (Tá, eu disse isso, no livrinho aí abaixo. Clique para comprar).



domingo, 7 de fevereiro de 2021

O maledicente e as teologias opostas


Sou um árduo defensor da causa judaica, frente aos contínuos ataques antissemitas provenientes por parte do cristianismo, dos mesmos que batem no peito e dizem: "Obrigado, Senhor, porque não nasci judeu", mas acham ruim a oração judaica "Amidá", onde o devoto agradece por não ter nascido mulher.

Um e outro tem suas implicações que vão bastante além do que é dito em resumidas palavras, mas um e outro realmente sentem-se gratos por não terem nascido na condição que, em sua leitura, seja desfavorável no convívio humano cotidiano.

No tempo em que foi escrita a Amidá, a mulher ocupava um papel inferior aos animais, em todas as culturas. Era lixo, e lixo e propriedade, e a punição por maltratar um cabrito era maior do que espancar uma mulher de "sua propriedade". Assim, a oração reconhece esse estado triste da mulher (criança, então, nem se fala, era deplorável a situação civil de uma criança naqueles tempos), e ao agradecer à D-s pela condição menos desfavorável, reconhece que há algo por melhorar na sua companheira, irmã, mãe, ou filha.

Da mesma forma, hoje, vejo o tratamento teológico dado aos judeus, com uma generalização esdrúxula, e com argumentação que ultrapassa os limites da estupidez, da ignorância completa. Destratam os judeus de todos os tempos, com o mesmo ímpeto que destrataria aqueles poucos indivíduos, que dentro de um contexto específico, e em um tempo único, votaram a favor de enviarem à morte o Líder de um dos grupos sectários contemporâneos (Jesus não era o único proclamado Messias em seu tempo, mas se quiserem saber mais sobre isso, leiam Flávio Josefo, Heródoto, Plínio O Velho, e outros historiadores daquele tempo), e que num contexto amplificado pelos romanos, estabeleceram, não uma religião de adoração ao D-s Único, mas de ódio aos judeus de todos os tempos, tornando-os malditos por continuidade.

A construção de teologia do ódio é buscada dentro das próprias Escrituras, sendo que fixam-se sempre no histórico dos erros da Israel bíblica, mas deixam de ler, muitas vezes, o verso seguinte, onde D-s promete restauração e consolo ao seu povo eleito. Senão vejamos: O livro de Isaías, 41:14, chama Israel de "Verme de Jacó, vermezinho de Jacó, verme de Israel" (de acordo com cada tradução), e desata todos os erros cometidos pelos governantes, com apoio de grande parte do povo, que de fato, usou e abusou do direito de errar, coisa que nós fazemos também, continuamente. Então, segundo essa parte do texto, sim, Israel estaria condenado e seria extinta de pronto. 

O que as pessoas leem e fixam a mente é exatamente na expressão: "Vermezinho de Jacó", mas esquecem que esta expressão está em uma única frase, que, completa diz assim: "Não tenha medo, ó verme Jacó, ó pequeno Israel, pois eu mesmo o ajudarei", declara o Senhor, Redentor, o Santo de Israel".

Sigo adiante, e sugiro outra leitura com o mesmo contexto: Oséias, capítulo 11, onde todos os pecados de Israel e Efraim (uma das doze tribos), são desnudados, todas as vísceras abertas são expostas, e ainda assim, contém a mais bela declaração de amor que um Pai pode fazer à seus filhos, descrevendo a trajetória deste relacionamento:

"Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. (vs 1). Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins, e queimavam incenso às imagens de escultura".

Vejam que primeiro, diz como era Seu relacionamento afetivo. A seguir, aponta aquilo que os separava d'Ele, que O entristecia. É aqui que sorriem os inimigos de Israel e perseguidores dos judeus. Porém, de tanto rirem dos deslizes registrados, se cansam de ler e não leem o que vem a seguir:

Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta.

Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como Admá? Te poria como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem.

Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou D-us e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade.

Esta é a parte que me faz tremer: "Porque Eu Sou D-s e não homem", isto é, D-s não julga sentimentos humanos com justiça humana, mas oferece justiça aos humanos com misericórdia divina.

 Então, a profecia sempre finaliza desse modo: Primeiro o amor d'Ele com Israel, depois a impiedade do povo, depois o juízo sobre esta impiedade, e por fim, a misericórdia, movida pelo imenso amor com que os amou." Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem". Outra tradução diz que "D-s treme e se contorce de emoção, de alegria, ao manifestar e descrever o tamanho do amor que sente por Seu povo".

E finaliza dizendo que "Tremendo virão como um passarinho, os do Egito, e como uma pomba os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas casas, diz o Senhor. Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com os santos está fiel". Oséias 11:11,12

Contato de Palestras, Cline na imagem



 

Congregar ou sobreviver? Qual é o papel dos templos em tempo de cautela?

Sabedoria não é apenas aquilo que se aprende lendo a Bíblia, ou livros de cunho religioso, mas aquilo que se põe em prática, dentro do que é ético, saudável, e necessário, com aquilo que se aprendeu, lendo os livros sagrados.

Diariamente tenho notícias de quem, por congregar-se, seja em templos ou reuniões de natureza espiritual, foi contaminado, e alguns até não vivem mais, e nem vou mencionar as festivas e sociais, ou ajuntamentos políticos, mas aquelas que buscam uma aproximação com a adoração, louvor, e enriquecimento espiritual, por meio da "koinonia", isto é, do ajuntamento fraterno de conforto e esperança no mundo vindouro.

É bastante nobre a ideia e a experiência de orar juntos, cantar juntos, chorar juntos, e juntos se confortarem com as promessas bíblicas de salvação e cuidados de D-s para com seus fiéis e obedientes filhos. Mas também não deixa de ser reconfortante saber que, em meio a um inimigo quase tão invisível quanto o próprio satã (pois o vírus é um inimigo detectável), haja um modo quase seguro de evitar contágio, assim como também o pecado tem seus limites para quem se resguarda de cometê-lo, e tal como a doença, aquele que é deles acometido, ainda tem um certo percentual de esperança de ser resgatado, se houver verdadeiro arrependimento, e no caso do vírus, de recuperação, ainda que com as duras cicatrizes que um, e outro deixam em que sucumbiu ao contágio e à tentação.

Um, e outro: pecado e contaminação, antes de serem curados e transformados em cicatrizes, oferecem riscos e maltratam quem deles é atacado. Assim, é de grande importância o cuidado com o isolamento necessário, o suficiente para esconder-se do vento até que a tempestade vá embora, pois, tal como num vendaval, as pessoas não irão morar definitivamente nas fendas das rochas, ou nos porões, mas serão abrigos seguros para o ápice dos ataques.

Motivar cuidados é não apenas tarefa individual, como principalmente dos líderes, sejam eles políticos, religiosos, ou empresariais, e comete grave atentado à saúde e liberdade, aqueles que motivam seus liderados a quebrarem regras sugeridas pelos dedicados cientistas, e responsáveis autoridades, que estabelecem critérios e protocolos para que se administre o perigo até que seja efetiva e definitivamente solucionado.
Se o que importa é "A Palavra", esta pode ser ouvida por meio eletrônico, cibernético, e até ilustrada por canções e imagens, e o abraço virtual é quase tão bom quanto o real, e contagia bem menos.

Repudio lideranças que fomentam agrupamentos físicos no tempo crucial para a resposta sanitária da crise do Corona Vírus, e apesar de saber que não existe cem por cento de segurança, o mínimo percentual que se consiga, será de grande valor à todos. E o céu agradece.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Liberdade criativa - Qual é o limite de ser livre?

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Conversando com um amigo, da área criativa, que recentemente ficou desempregado, falávamos sobre o "tempo livre", Sugeri à ele que use o tempo "livre" como um tempo especial, destinando-o ao andar criativo, buscar soluções.

Mas o que é um "andar criativo", e o que é a liberdade, no campo das ideias? Quais são os seus limites aceitáveis? É bom ser livre? Ou que é ser livre? O quando de liberdade contribui com nosso crescimento pessoal, ético ou profissional?

Não me entendam errado, pois não estou apregoando a servidão como ideal de vida, nem fazendo apologia à perda (alguns gostam de dizer "perca") de autonomia no processo criativo. Veja que nem na arte há uma liberdade absoluta, pois há um conjunto de regras do uso dos materiais, das técnicas, do conhecimento dos estilo, e a ideia principal, pois sem uma ideia não há arte.

Minha construção temática está no limite entre o excesso da liberdade, e o conjunto de vetores (ok, chame de regras) para aproveitamento criativo. Claro que você pode criar algo sem utilidade, completamente "non sense", e pode chamar de seu. Porém, se aceita a máxima de que tudo tem um propósito, a criatividade também tem o seu, e o propósito criativo do Criador, foi estabelecer um ambiente criativo e construir um "coautor" daquilo que ainda havia por ser criado. Assim, colocou D-s, O Homem num privilegiado posto avançado de natureza criativa, reativa, proativa, e por fim, muito viva. Porém..... Com parâmetros para que tal criatividade pudesse fluir sem limite de tempo e espaço.

Um rio que não tem margens, torna-se um charco. Até o mar, delimita o ir e vir de suas águas. Tudo está sujeito às normas, para que não perca seu rumo, seus objetivos. As normas, ainda que na liberdade da criatividade são a essência do direcionamento criativo. Sem regras, a própria essência criativa deixa de existir, porque se o que está estabelecido é o velho, o que há de ser criado, é o novo, então para que seja denominado novo, a regra diz que haja o parâmetro do antigo. Para que se caminhe, a regra ensina que é necessário o movimento, o deslocamento, contrário ao que está estático. Então, se houve quebra de ação pela reação, o novo é a regra de ação do velho.

Ser livre não algo ilimitado, nem estacionário, pois liberdade pressupõe movimento, ação, interação e modificação. Assim, ser livre é ser atrelado à regra de ação e reação, portanto até mesmo a liberdade tem limites e normas a seguir, para que se efetive como verdadeiramente livre.

Criar é o ato de acionar a liberdade de mudar, interagir, transformar. Agir é continuar a agir, reagir, interagir e resultar em transformação. Então, é verdadeiramente livre a criatividade?

 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Todas as Manhãs em Gramado - Os ilustres furões

Romeu Dutra e Horst Volk

Os ilustres “furões” (Penetras)


Isso aconteceu por ocasião de um Festival de Cinema, em Gramado, não estou certo se foi no quarto, ou quinto. Parece-me mais viável que tenha sida a quarta edição, o que também não importa quando, e sim, o que aconteceu.

Ocorre, que nesse tempo, o comando político da Prefeitura, havia mudado de corrente partidária, e dominava a turma do então MDB, que recém tomara o comando da ARENA, o partido do Governo militar.

Acontece, que durante estes eventos, os patrocinadores sempre faziam (acho que ainda fazem, não sei, há muitos anos que não sou mais convidado)festas memoráveis, os famosos “coquetéis” e “desfiles”. Empresas como uma tradicional joalheria da Capital, ou importantes lojas de confecção de renome, enfim, eram festas supimpas, de encher o bandulho e lamber os beiços, com muito barulho, música alta, e jovens atraentes balouçando as polpas e tudo o que seja possível balançar no andejar requebrado que praticavam nos corredores dos hotéis e dos salões de eventos.

Por ser aspone (assessor de porcaria nenhuma), eu era o “faz-tudo-e-mais-um-pouco”, e uma das minhas tarefas, era ficar junto à porta, observando quem chegava, para eventualmente liberar o acesso de algum convidado ilustre que esquecera o crachá.

E eu estava no lugar certo, e na hora certa, quando olhei lá for, pelas paredes de vidro do hotel, e vi duas figuras solitárias, de nariz colado ao vidro, olhando com timidez para o lado de dentro, parecendo com aqueles meninos que ficam espiando pela vitrine de um restaurante, enquanto comensais se abastecem de guloseimas.

Estes dois senhores eram, respectivamente, o Ex-Prefeito, e seu Ex-Secretário de Turismo, e também Presidente da comissão organizadora dos festivais anteriores, que assistiam o espetáculo, motivado e criado por eles, mas que não tinham mais o privilégio se estarem à primeira fila. Isto é, não tinham, por seu status de derrotados nas urnas, mas como eu nunca dei importância pra urna, não tive nenhuma dúvida: Fui lá fora conversar com eles, e perguntei:

- Por que os senhores não estão lá dentro?

- Porque não fomos convidados! Foi a resposta.

- Vamos corrigir isso imediatamente: Os senhores são MEUS convidados, e entrarão comigo, e tomarão seus assentos em lugar que merecem!

E assim foi feito.

Às vezes a gente pode ser um bostinha, mas saber dar o carteiraço na hora certa, tem o seu valor, e não há Mastercard que pague.

Eu era o bostinha convencido, metido, que não deixava ninguém ser humilhado, se fosse eu capaz de comprar a briga. E comprei. Tomei mijada do chefe. Azar. Eu fiz o que minha consciência mandou. E faria novamente.



Todas as manhãs em Gramado - Giuseppe Bardini, e a mesa de Cerejeira




Todas as manhãs em Gramado

Os nomes são fictícios, mas as histórias podem ser reais.

Pacard
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Giuseppe Bardini, e a mesa de Cerejeira

Giuseppe Bardini era um velho carpinteiro, daquele “das antigas”, que carregava consigo uma serra de arco, arco de púa, martelo de orelhas, daqueles quadrados, que nem se fazem mais, cuja cabeça amassada se esparramava sobre o aço puído pelo desgaste dos anos; um velho cutelo polido pelo uso, além de uma plaina com “corpo” de madeira, e pequenos acessórios que se juntavam à uma caixa de pregos, novos, ou reciclados, obtidos nas reformas das velhas casas, por onde passava para reformá-las.

Era um homem metódico, dócil, e cordato. Descendente de italianos, Giuseppe se ocupava da faina desde sua tenra infância, quando, ainda lá na “Colonha” (como era chamada a roça, e seus moradores, eram chamados, por uns, orgulhosamente, mas pelos moradores do Centro, por troça, deboche, “Colonos”), ajudava o pai e o avô, nas tarefas de manutenção das cercas, galpões, e casas da circunvizinhança. Deste princípio, deu andamento à atividade, e tornou-se um respeitado carpinteiro na sede do município, onde foi morar em definitivo.

Eu o conheci, quando deveria ter, pelos meus cálculos, uns sessenta anos. Eu trabalhava com projetos para interiores, que nesse tempo era chamado de “Decoração”, e mais tarde, passou a ser conhecido como “DI, ou Design de Interiores”. Dá no mesmo. O fato era que eu era contratado pelas pessoas para desenhar o interior e os móveis de suas casas, e como tal, também coordenava a execução dos trabalhos, contratando, ou supervisionando o trabalho destes especialistas. Giuseppe era um destes, que foi chamado pelo cliente, e apresentado a mim para que trabalhássemos juntos naquela obra.

Uma pessoa, como mencionei, cordata, doce, e manso no falar, educado, e respeitoso, Giuseppe me tratava por “senhor”, apesar de que eu tivesse cerca de trinta e poucos anos, a metade de sua idade. Mas ele não abria mão desse tipo de cortesia, o que, de certa forma, me constrangia, mas ao memo tempo me ensinava que cortesia vai muito além de saber montar uma mesa e puxar a cadeira para uma senhora (alguém ainda puxa a cadeira para uma senhora? Tenho que rever isso urgentemente, eu mesmo), ou bater à porta com delicadeza, ao visitar alguém. Pois Giuseppe era desse jeito: cortês!

Uma das peças a serem trabalhadas, era uma mesa de churrasco, de madeira maciça, com pranchas enormes, espessas, e de uma madeira muito bem preservada. Eram pranchas de “Cerejeira”, uma madeira já extinta, de cheiro forte e adocicado, de cor amarala e rajada com pintas escoras, como uma galinha carijó.

A mesa deveria ter cerca de três metros de comprimento, por um metro de largura, o que significava o uso de três pranchas inteiras para essa tarefa. Acontece que a madeira tem suas peculiaridades, e eu digo que, ainda que morta a árvore, a madeira tem “vida própria”, uma “segunda vida”, isto é, um comportamento físico que, quando exposto à variações de temperatura, tente a expandir-se, de forma desigual, por conta dos materiais dos quais é composta: Fibras e resinas. As fibras são porosas e possuem elasticidade aceitáveis, o que permite à árvore contorcer-se pela ação dos ventos, e variações climáticas, sem quebrar, ou romper-se durante seu ciclo de vida. O outro material, as resinas, são os fluidos que alimentam as células da árvore, e com a variação do tempo, se solidificam, e dão a solidez necessária à árvore, como se fosse o concreto, e as fibras, o ferro e o cascalho. É assim que a Natureza trabalha, no comum acordo de funções dos elementos.

O que acontece é que, ao interromper-se o ciclo vivo das árvores, os materiais, por razões físicas de sua formação celular e molecular, tendem a repetir “instintivamente” os movimentos que ocorriam, quando a árvore estava viva. Por exemplo: Quando uma madeira é colocada ainda “verde”, recém cortada, hidratada, numa estufa de secagem, o ambiente de elevada temperatura, vento, e umidade, forçam estes movimentos, e a madeira sai toda retorcida, o que é corrigido com engradamento, empilhamento espaçado por certo tempo (cada madeira tem suas regras), para que assuma a forma ereta desejada para seu uso industrial. Esse efeito é chamado de “Canostro”, do italiano “Canestra – Cesta”, porque forma uma “concha” na tábua afetada.

Outro modo de secagem, é o modo natural, chamado de “Air Dry”, isto é, secada ao vento, em um local protegido da luz solar e das intempéries. Leva mais tempo, mas obtém resultado satisfatório também. Porém, é sempre necessário respeitar os limites dos materiais, bem como prover recursos físico-mecânicos que deem estabilidade à madeira, no ambiente em que for utilizada.

O cliente solicitou que eu desenhasse uma mesa de churrasco, então, com as tais pranchas de Cerejeira, que estavam guardadas havia muito tempo, mais de três anos, em um depósito de uma velha marcenaria.

Orientei, no projeto, que as pranchas fossem seccionadas na parte de baixo, com um corte de serra transversalmente, de até metade da espessura da tábua, a cada cinquenta centímetros, para romper a resistência das fibras, e desta forma, evitar o empenamento das tábuas.

Desenhei, detalhei, expliquei, justifiquei, e passei o projeto ao velho e bom Giuseppe, que concordou com tudo, e pôs-se a fabricar a tal mesa. Passados alguns dias, voltei à obra, e lá estava ela, bela, majestosa, imponente e muito bem acabada, mesa de churrasco, em Cerejeira maciça.

Como fazia sempre, instintivamente passei a mão por baixo do tampo, para conferir a presença das fendas que projetei. Não estavam lá. Olhei, e as tábuas estavam lisinhas, sem nenhuma marca de serra. Não falei nada. Nem foi preciso, pois o meu querido parceiro percebeu minha preocupação, e falou, educadamente, como sempre:
- O senhor pode ficar tranquilo. O Francisco, contramestre da marcenaria disse que “agarante” a qualidade das madeiras, pois estavam guardadas secando, havia muito tempo, e que era besteira cortar as fendas que o senhor sugeriu!

- Bem! Disse eu: se o Francisco “agarante”, quem sou eu para duvidar. Parabenizei Giuseppe, e segui adiante.

Dois dias depois, voltei lá, e meus olhos correram automaticamente para os topos da mesa, e percebi que dos dois lados, haviam fendas de cerca de vinte a trinta centímetros, rachaduras mesmo. Não falei nada, apenas sorri (penso eu que com brandura, sem maldade), e nem foi preciso dizer nada, pois o velho Giuseppe, com olhos arregalados, começou a contar:

-Pois é, seu Paulo! Eu estava trabalhando aqui, e ouvi: “TUM!”...dali a pouco, ouvi novamente: “TUM!”...e foi “TUM TUM TUM!”, uma atrás do outro, e quando vi, todas as pontas estavam rachadas. Acho que foi o calor!

- Claro, seu Giuseppe! O calor faz coisas estranhas!

Mas não falei nada. Mais alguns dias, voltei lá, e a mesa estava reparada (ele era um exímio artista no trato com a madeira, apesar de ter confiado no contramestre que “agarantia”. Coisa da vida. Instintivamente passei a mão debaixo da mesa, e lá estavam as minhas ranhuras, meticulosamente seccionadas.

Naquele dia, eu aprendi uma lição: Humildade é tudo. Ele tinha por nós dois. Ele aprendeu algo que desconhecia e que na minha juventude, aprendi que quando chegasse à idade dele, gostaria de aprender muito dos jovens. Levei isso a serio e até hoje, os jovens são meus conselheiros. Cada um sabe o que sabe. Ninguém sabe tudo. E aprender é sempre bom.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A Ética e a óptica – Os desencontros da verdade



A Ética e a óptica – Os desencontros da verdade


Óptica é parte da Ciência que estuda os efeitos da luz sobre as coisas. Ética é a parte da filosofia que estuda os efeitos da elegância sobre as pessoas.


Ser ético é ser elegante sem que ninguém veja. A palavra provém do grego, e significa: “Proteção”.


A óptica é o resultado da percepção sob determinado ambiente. Na água, a visão pode ser distorcida, e aquilo que nos parece estar em determinado lugar, está noutro.


A óptica é enganosa, se não estiver acompanhada da métrica.


A ética jamais oferece versões antagônicas da verdade.


Ser ético significa jamais determinar uma verdade sob opinião pessoal, sob a óptica pessoal. Significa que, mesmo que determinada verdade contradiga minha vontade, eu serei fiel aos fatos, e não ao que penso sobre os fatos, ainda que os fatos desfavoreçam minha estima sobre determinada verdade.


A óptica constrói doutrinas. A ética, constrói liberdade para escolher doutrinas.


Ser ético é o domínio da razão sobre a emoção. A óptica é o ajuste da razão pela emoção.


Você é ético ou óptico?




A morte do Teiú e o marasmo da vida

O lagarto Teiú é muito comum pelas matas, e até pelas áreas arborizadas das cidades. Aqui mesmo, onde moro, tem uma pequena reserva de mato,...