segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Fedoca Bertolucci - o Novo Caudilho de Gramado



Comentei rapidamente no Facebook, o que  desmembro aqui um pouco mais, sobre a tranquilidade que terá Fedoca ao assumir logo mais, a Prefeitura de Gramado, pois passadas as bodas, começa a rotina e a troca de adjetivo qualificativo, de Vossa Senhoria, para Vossa Excelência. Isso faz bem pro ego de qualquer um. Até mesmo dele. Mas ser o comandante-em-chefe do orçamento municipal vai além disso. Só que ele entra de sangue doce, pois movimentar a máquina não será esforço dele e sim de sua equipe. Esta sim, está numa camisa de onze varas, pois não terá absolutamente nenhuma desculpa para justificar o menor dos erros, sabem por que? Porque quem entra com uma prefeitura falida e mal falada, entra cheio de razão e com a vantagem de ter desculpa na ponta da língua para eventual fracasso. Mas não terão. Não no aspecto financeiro. pelo menos isso é o que garantiu Nestor em campanha. Disse repetidas vezes, audível, que vai deixar a prefeitura melhor do que aquela que recebeu de Pedro Bala. Então, a não ser que Fedoca queira construir no primeiro semestre um mega empreendimento, não terá que se preocupar com o caixa do erário público.
Há ainda o atenuante que prometeu enxugar os gastos. Faz muito bem. Reduzir os Cargos Comissionados. Controlar as despesas. Excelente. Então, Fedoca entra com tudo garantido para arrebentar a boca do balão e entrar para a historia como o prefeito que pegou uma cidade rica, e além de torná-la ainda mais rica, tornou os seus habitantes felizes.

Vamos falar da equipe. Esta sim, tem um foguete pelo rabo para abraçar, pois sendo a efetiva responsável para bailar de acordo com a melodia do prefeito, terá o desafio de fazer em tudo, melhor do que recebeu, haja vista a veemência com que encheu de defeito tudo que saía da prefeitura. Mais que isso, terá que administrar em cima da corda bamba, pois será cutucada com ira pertinaz cada vacilo que der. Vou mais além: será cobrada por quem sabe o que está cobrando, pois conhece cada palmo do chão que deixou para que a antiga oposição pisasse.

A oposição, que ora é alçada à situação, teve 16 anos para ser oposição, e francamente, não há adrenalina que dure por tanto tempo. Tornou-se uma oposição frouxa, resmungona,  e que terá pela  frente uma nova oposição irada, sequiosa por falhas, e muito, mas muito experiente. Tremam, e pisem firme, porque o fogo será ferrenho. E será cerrada em cima da equipe e não no prefeito. Este sim, terá oportunidade de alçar sua simpatia de várias maneiras, contradizendo Maquiavel, que recomenda uso da força no início, e a prática de pequenos atos de bondade aos poucos, para ser temido e respeitado. Fedoca ganhou um presente que nem mesmo a raposa velha do pai dele pôde sonhar: ganhou a oportunidade de tornar-se o novo grande líder que a política oportuniza. E como será isso? Pensem comigo então. Nestor ganhou esta mesma oportunidade do Pedro bala, mas tudo o que fez foi tornar a cidade um espetáculo para o mundo. Ganhou títulos e mais títulos honoríficos por sua competente administração. Deixa as finanças organizadas. Um patrimônio material invejável para o município. Então, por que não conseguiu os sessenta e dois votos para seu mentor, que poderia ter recebido o caminho alcatifado de louros, caso encontrasse as mesmas circunstâncias que legou ao sucessor?

Fui perguntar aqui e ali, especular acolá, e ouvi quase unânime que Nestor é um grande administrador. Mas um péssimo político. E quem disse isso não foram apenas seus opositores, mas seus companheiros. Seus colaboradores mais próximos. A queixa contra Nestor é a mesma em todas as conversas: homem rude e ditador. Humilhava seus colaboradores a cada reunião, e era temido e quase odiado por grande maioria. E uma pessoa humilhada não bate de frente. Bate de lado. Empurra de fininho. Cerra os  dentes e roga praga. E rogaram praga, materializada em forma de voto. Tomaram os votos que faltaram ao Pedro, não por causa de Pedro


Não estou falando novidade, e muito menos contra o Nestor. Ele sabe de tudo isso, e é seu estilo de administrar. Sua vida continua e daqui a quatro anos, ele volta cheio de gás, e certamente mais amadurecido para o trato com pessoas, para colocar sua foto mais uma vez naquela parede.

Fedoca então, ganha mais este presente: a oportunidade (e o dinheiro) para ser bondoso, generoso, simpático, e caudilho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sua majestade, a Solidão


O lugar mais cobiçado e temido que existe é a solidão. Mais que uma condição geográfica ou temporal, física ou metafísica, a solidão é o segundo grande mistério do universo. É o lugar onde a ambição e a humildade disputam  para conquistar, e para que não pensem que enlouqueci de vez (porque ninguém enlouquece de vez. Loucura vem em gotas homeopáticas e só percebemos quando a taça se derrama), vou explicar meu raciocínio.
Tudo começou lá no mais elevado dos Céus, quando Satã, cercado de seus anjos, todo o exército dos céus, até aquele momento, volta o olhar em direção ao Trono de Glória do Altíssimo, Único, Onipotente e Glorioso (Bendito Seja),e deseja ali estar, porque entende que solidão é um lugar destinado aos grandes, e sendo ele grande (embora não o suficiente), deduz que o Supremo lugar do universo deva acolhe-lo com toda a sua incontida vaidade. Até ali, a solidão era algo valioso, precioso, impagável. E todos sabem o restante da historia.
Desde então,  movido por ódio e amargura, expulso das Alturas celestiais, o arqui inimigo de D's transforma a ideia de solidão em inferno. Passa a perambular pela terra em busca de quem esteja bem e feliz, e entrega o mapa do labirinto sem fim e solitário da falta de objetivo na vida. E com o mapa, entrega junto uma pequenina chave que abre a porta no fim do labirinto, escuro e estreito, chamada solidão.
Mas não quero ficar no subjetivo espiritual, para que não pensem que estou querendo abrir uma igreja com uma nova teologia. Não estou. Já temos teologias demais e fé de menos (desculpem o cacófato). Quero tratar do presente da condição  humana, política e social neste labirinto confuso onde nos enfiamos cada dia mais.
Quero  falar do poder. da solidão e da ambição do poder. Quero dizer com certa clareza o que a filosofia convencional não permitiria, mas como eu não sou filósofo, e muito menos convencional, abro exceção e vou ao ponto. E o ponto é que o poder é um imã que atrai para si o solitário. E esta atração quase sempre é fatal. É um divisor de limites entre o antes e o agora. Antes, eram os amigos, a liberdade, a desnecessária falta de cuidado com as palavras, com os modos à mesa, com as companhias, e sobretudo com o caráter. Antes, não era necessário preocupar-se com o arroto debochado depois da coca-cola, ou com o traque maroto dentro do elevador enquanto sozinho. Antes, não era necessário manter-se com aparência de ocupado no vazio de tempo entre um afazer e outro. Antes, havia a multidão que nos cercava, mas que ao mesmo tempo cercava também os outros, porquanto  também nós fazíamos parte desta multidão.
Depois, veio a diferença. e a diferença nos torna solitários. Depois veio o vazio de sermos únicos naquilo que fazemos. E a unicidade é o outro  nome da solidão. Depois veio a inveja dos que ainda compõem a multidão, mas junto com a inveja, veio a reverência, a admiração, a paixão e o medo. E por fim, a solidão  se estabeleceu em nós, e nos tornamos solitários, porque a solidão também inebria. A solidão nos diferencia, pelo bem ou pelo mal. Nos abandona à sorte daquilo que nos tornamos.
A solidão é o preço que se paga pelo sucesso, ou pelo fracasso. Em ambas as situações, o resultado será sempre um caminho ou um lugar solitário. É o salário justo pelo que conquistamos, que pode ser um trono dourado, ou uma cela vazia. Pode ser a glória pelo triunfo, ou a pena pelo fracasso. Cedo ou tarde, seremos solitários. Alguns, por algum tempo. Outro, pelo  resto da existência. Percebam que comecei com plural, "alguns", mas termino na forma singular, "outro", porque solidão nunca está no coletivo. É um triunfo individual.
O solitário nunca é medíocre. Se, em ufana condição, será invejado, temido, desejado, odiado, etc. Se em mísero estado, será odiado, temido, desprezado, abandonado e esquecido. Quase análoga situação. detalhes fazem a diferença entre um e outro.
o Ex-Presidente Collor, perguntado pelo repórter, como se sentia ao saber que fora defenestrado pelo  Congresso, respondeu com profunda sinceridade: Solitário. Uma solidão imensurável. Um vazio sem fim. Este vazio é o mesmo. Um vazio que todos querem experimentar, exceto os humildes. Estes não precisam desejar, pois já o possuem: o vazio de espírito. Um vazio de ambição.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Palestra e Seminário de Economia Criativa


Lorotas do Valdemar - O caso da Kombi

*Esta é uma singela homenagem ao querido amigo, que já descansa, pelas preciosas lorotas que contava para enriquecer nossas lembranças. À medida do possível, vou contar outras que ouvi pessoalmente, ou versões que ouvi de outros amigos do Valdemar, velho companheiro de pescaria e entardecer nos bons tempos do Artesanato Gramadense.
Na foto tirada por Elisabeth Rosenfeld, em 1975, em sentido horário: Pacard, Gelson Oliveira, Samuel Isaac, Luisão Bertolucci e Valdemar

O caso da Kombi

Valdemar não poupava causo. Lá pelas quatro e meia da tarde, lá estava ele, sorrateiro, chegando de mansinho no local onde trabalhávamos. Nosso horário de encerramento das atividades era às 18 horas. Ele deveria encerrar às 17 horas. Disse bem: Deveria!
No sul costumamos dizer que quando alguém está atochando, está “queimando campo”. E os adjetivos acessórios são relacionados ao tema: fumaceira, largando fumaça, etc. Por vezes, quando ele chegava, sutilmente um abria a porta. Era um código nosso para comentar que alguém está exagerando no tamanho do feito. Contanto lorota. E para cada assunto, Valdemar tinha uma lorota na ponta da língua.
Pois numa dessas, Valdemar contou que certa feita fora a um baile de interior. Lá os bailes acontecem nos clubes das colônias, na roça, onde as pessoas simples, brejeiras até algumas, levavam a família inteira aos bailes. As mulheres chegavam a levar os bebês, e enquanto os maridos ficavam jogando cartas ou tomando cerveja pelas mesas e contando vantagens, na companhia dos amigos, as mulheres, submissas, amamentavam os bebês e ficavam olhando com olhar perdido para o salão. Madrugada adentro.
Iam também, naturalmente, as moçoilas mais afoitas, em busca de romances. E atrás das afoitas, compareciam os galalaus, em busca de farra simplesmente. Valdemar, solteiro, era um deles.
Segundo contava ele, era um insaciável. E nessa fome toda, contou uma coisa bem corriqueira, simples e comum, para não dizer vulgar. Coisa que acontece a todos o tempo todo. E também, porque não, com ele. Aconteceu. Foi, segundo ele próprio e mais sete testemunhas ( infelizmente todas no repouso eterno), num baile de sábado à noite, no Salão da Linha Furna ( ou linha Quinze, isso não lembro direito), que ele tava que tava. Encontrou uma velha namorada, solitária, e zás!!! Consolou a moça. Mal se despediu, e encontrou a segunda amiga...zupt!!! Lá foi ela pra fritura. E assim, uma a uma, foram sete, na mesma noite. Resultado: um priapismo que o deixou envergonhado. Não havia mais jeito de acalmar os ânimos do seu coleguinha. O que fez então? Deitou-se ao lado da Kombi que o levara ao baile, estacionada na margem do rio, E ali, deitado de bruços, urinou no rio, por cima da kombi, sem molhar o veículo. Mas mesmo assim, continuou em situação vexatória. Foi aí que buscou a solução definitiva: Mergulhou no rio.
De longe, seus amigos ouviram o som de uma brasa se apagando na água, um chiado fino e uma nuvem de vapor subindo rumo à escuridão do universo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Você é Deus ou Satã?


Meu neto número três, com seis tenros e deliciosos anos de idade, gosta de desenhar. Desenha no computador, e desenha à mão. Sou professor de desenho, e tenho um conceito pessoal sobre a experiência de desenhar. Costumo dizer que os adultos não desenham porque não foram ensinados a desenhar. É simples assim. Não que não tentaram aprender. Tentaram sim, e até certa idade, talvez sete ou oito anos, todos desenham. Falam pelos traços. Expressam verdades e contam longas histórias com poucas linhas e algumas pinceladas de cor. A partir desta idade, tornam-se críticos e começam a perceber as imperfeições de seus traços, ou aquilo que o despreparo dos educadores chama de imperfeição. Então, de um momento a outro, timidamente começam a esconder seus desenhos, da mesma forma que o cantor baixa a voz, ou que o pintor guarda os pincéis. Não perderam o talento, mas a coragem. O mundo os desencorajou. O mundo nos desencoraja sempre que tenta nos animar do seu jeito. Assim como os amigos de Jó jogavam vinagre nas suas feridas, a tal crítica construtiva é traduzida como veneno destrutivo. E assim se perdem talentos. Um atrás do outro, nossos talentos se esvaem pela língua maledicente. Tudo porque não deixam as crianças desenharem aquilo que tem vontade, contando as historias que tem vontade de contar. Cantar as canções que deseja cantar, no tom que mais gostam de cantar.
Mas não é para reclamar que hoje eu escrevo. É para constatar. Coisas boas e coisas ruins. Vamos começar pelas ruins então. Os desenhos que contam segredos dos que não tem estoque vernacular para expressar seus sentimentos, sofrimentos e dores. São os desenhos que denunciam abusos e maus tratos, da mesma forma que relatam o dia a dia das crianças. Uma página de desenhos conta mais que muitas horas de conversa, porque na conversa, a fantasia dos pequenos se confunde com a realidade, e nem sempre dizem o que realmente estão querendo dizer. Já nos desenhos, há muita verdade, não sobre os fatos, mas sobre a relação dos pequeninos com estes fatos.
Agora as coisas boas, como prometi. Hoje meu neto número três (etc), fez um desenho e veio me mostrar.
- "Olha aqui, vô! Essa daqui é a vovó, que é um anjo poderoso com uma espada protetora! Esse aqui é o Gui, ele é Jesus. Esse aqui é tu, e que é Deus!"
Não, fiquem tranquilos, não passa pela minha ambição apresentar-me na condição do  Altíssimo, nem outro deus algum. A vovó também não tem a pretensão de ser um anjo, e com exceção dos belos cabelos crespos e barba ruiva, ele não é nem parecido com Jesus (aquele Jesus de Públio Lêntules, no máximo). Mas há muita verdade nesta leitura do menino, porque somos para as crianças aquilo que contamos e somos a referência material e pessoal de todos os personagens de quem falamos em nossas narrativas. Deus só é Deus na imaginação e no sentimento dos pequeninos, porque na falta de uma imagem que referencie O Criador, esta imagem passa a ser a nossa própria fotografia. O diabo também pode ter a nossa cara. E às vezes tem mesmo.
A sociedade é uma extensão da nossa casa, da nossa família. O governante nunca é medíocre para seu eleitor ou seu adversário. Ele é o máximo, ou o mínimo. Ele é herói, ou vilão. A casa onde governa pode ser uma caverna escura e tenebrosa, ou um templo luminoso. O governante não pode ser insípido, mas será um sândalo ou enxofre para seu povo.
Que tipo de desenho  seu filho faz de você? Que tipo de desenho seu povo faz de você? Para seu filho ou seu povo, você é Deus ou Satã?



Os eventos de Gramado




Foto: www.hoteisgramado.tur.br

Sou velho, me acreditem. Lembro do tempo em que Gramado tinha alguns eventos sociais, e todos eles voltados quase exclusivamente para o público local. Festa das Hortênsias, ela o mais belo de todos, mais glamouroso, mais perfumado, e que arrancava suspiros das moçoilas pelos artistas convidados. As tias desta época arrancavam os botões e rasgavam a roupa de artistas e cantores, como Agnaldo Rayol, Francisco Petrônio e outros desta época, a quem uma avalanche de outras estrêlas e astros desta plêiade já sufocaram, mas que traduziam o apogeu social dos gramadenses.
Outros eventos de minhas recordações são os bailes do suéter, baile de debutantes, e os tradicionais bailes de revellion, a outros das sociedades locais.

Os tempos mudaram, a Festa das Hortênsias evolui, agregou o Festival de Cinema, depois a Fearte, e dali pra frente, Gramado tornou-se um centro internacional gerador e receptor de eventos. E uma das fontes de recursos que abastece Gramado são seus eventos. Todos são importantes e alguns chegam a ser magníficos. Alguns por iniciativa do Poder Público, mas a maioria proveniente da iniciativa privada. Existe um, porém, que agigantou-se, porque, além de original, partiu da iniciativa privada, mas teve apoio do Poder Público, e que foi nesta ruptura que ele foi extinto. Falo do Chocofest.

A Chocofest estabeleceu Gramado definitivamente como manancial de gostosuras a partir do segundo ano do evento. Era um delírio ver aquela criançada de todas as idades disputando espaços nos desfiles, nas filas dos pavilhões, e apinhadas pelas vitrines da cidade garimpando sabores.
Mas tudo que é bom um dia acaba. A Chocofest rompeu com o conceito que só para quando cessa o mercado. Ali não aconteceu isso. O mercado continuou firme, mas ao que circulou pela cidade, cessou a vontade política de realizá-lo. E quando falo em vontade política, não estou fazendo referência apenas ao Poder Público, mas junto aqui as duas forças atuantes no evento. Houve até manifestos de hoteleiros (pasmem) promovendo o expurgo do evento, e este marasmo chegou até os protagonistas da ópera, os chocolateiros, que deram de ombros e a empresa passou o rodo e fechou a conta.

Na campanha, ouvi do Pedro Bala que um dos eventos que receberiam motivação para sua repaginação, seria a Chocofest. Pedro não chegou lá para cumprir o feito. Ouvi, no entanto também por parte do Fedoca, que Gramado  faria uma releitura de sua identidade, e nesta identidade certamente estão seus eventos. Por outro lado, sempre ouvi acusações de que a Marta Rossi seria favorecida pela UPG e por isso mantinha os eventos em Gramado. Mas parece que não é o que tem acontecido nos últimos anos, pois foi na administração do Nestor Tissot, que é da UPG, que a Chocofest foi extinta, e se não estou enganado, passou uma temporada em Canela. Mas pelo que percebi nesta campanha, não ouvi nenhum manifesto público da Marta em prol deste ou daquele candidato, mas o que também tenho visto é que, apesar do Poder Público exercer seu direito de mornidão em relação ao evento, a empresa liderada por Marta agigantou ainda mais seu principal evento, o FESTURIS, que sela definitivamente Gramado como um dos principais e mais seguros e organizados destinos turísticos do mundo. E por justiça se diga que o Poder Público  fez sua parte, assegurando este ambiente para que o evento de Marta continue a prosperar. E outros também.

Resta a dúvida, se Fedoca vai procurar Marta Rossi e sua equipe para demonstrar que não usa pá de cal para jogar no esquecimento a historia econômica de Gramado, o que aliás, sempre foi seu mote de palanque, o resgate á memória dos que construíram Gramado. Penso que que a Chocofest plantou alguns esteios deste progresso, e que certamente esta geração mereceria receber esta benesse, daqueles que chegaram ao Poder.


domingo, 23 de outubro de 2016

Governo Fedoca: Estupendo ou medíocre



É verdade mesmo. Eu ponho títulos chocantes para despertar atenção para a importância do assunto, porque tenho a clara intenção de levar o leitor a refletir com a seriedade daquilo que exponho. Quando falo em refletir, e coloco uma dualidade distinta de possibilidades de desfecho do novo governo, isso não significa que eu esteja preconizando este ou aquele resultado, mas que diante de determinadas variáveis, posso ter uma leitura do espectro largo de possibilidades que de acordo com estas circunstâncias, seja direcionado a um ou outro resultado.
Por que uso os extremos, e não deixo margem para uma terceira via, que seria o mediano, isto é, o medíocre, penso que o mediano para Gramado, no estágio que chegou, deixa de ser mediano e torna-se leviano. Gramado não tem mais espaço para mediocridade,  e apostar num governo de padrão, e depois descobrir que o mais ou menos é menos, ou muito menos, pode custar muito caro para as gerações que se seguem.

Sinto-me muito à vontade em dizer isso hoje, e não antes da eleição, porque não passo a impressão que este ou aquele candidato sejam mais favoráveis ao excelente, e o contrário desfavoreça a um eventual desafeto ou preferência pessoal. Então, passada a fase da paixão, vamos começar a fase da reflexão, do "A priori", porque não acredito em reclamar daquilo que eu sabia e nada fiz para mudar. Começo por mudar a forma de reclamar, ou elogiar. no tempo devido, isto é, já. E também não me chamem de urubu, nem bajulador, quando eu criticar ou elogiar, se devido, mas um provocador apenas.

Nesta análise, minha provocação está em afirmar que Gramado é Gramado porque foi administrada com muito arrojo e competência nos últimos anos, mas que ao longo de sua historia sempre teve grupos de pessoas ou indivíduos, que souberam fazer a diferença, e não aceitar o razoável como se bom o fosse, mas buscaram o ótimo como condição mínima de empreender e alcançar. Então, por isso, Gramado tornou-se um desafio gigante, que Pedro Bala muito bem lembrou ao dizer que "administrar a miséria é fácil, mas administrar o sucesso exige experiência e competência" (SIC). Fedoca então foi mais convincente na busca do voto e isso coloca-o na condição de também corresponder no dia a dia do uso da poderosa caneta, que vai assinar decretos e vetar leis, regulamentar portarias, e promover a continuidade sem continuísmo, daquilo que o mundo de fora vê como sucesso na mais bela e desejada cidade do Brasil.

Quando fui líder estudantil, acariciei a possibilidade de tornar-me líder estadual dos estudantes secundaristas, lá nos anos 70. Conversando então com dois ex líderes, falei que eu tinha certo receio de, caso  vencesse a eleição, pudesse não ter suficiente maturidade e capacidade para administrar a entidade. A resposta veio pronta dos dois, quando em sonoro uníssono: "Se você tiver capacidade para vencer, terá capacidade para administrar". Felizmente escolhi outros rumos, para bem dos estudantes gaúchos e meu próprio e não continuei na política estudantil. Nesta análise, poderia dizer que se Fedoca venceu, isso o qualifica para governar com a média de qualidade que propôs oferecer.
Não concordo com isso. Já disse que Fedoca não esperava vencer, assim como Pedro não esperava perder. O que aconteceu foi inesperado, inusitado, e Fedoca foi dormir filho do ex-Prefeito e acordou Prefeito, e não só isso, o Prefeito que "derrotou o Pedro bala", conforme prometeu Evandro em seus arroubos ufanos pelos comícios inflamados durante a campanha.

Que tipo de governo vai  fazer Fedoca? Que tipo de relacionamento terão ele e seu vice, Evandro? Será um relacionamento cordato, ou as núpcias acabam assim que as ideias de um e outro se confrontarem, assim como os interesses de um e outro esbarrarem na única cadeira disponível? Será Evandro aquele dócil Vice-Prefeito que foi Fedoca em companhia do Nelson Dinnebier, ou em algum momento fará aflorar o caudilho que procurou ser como Vereador? Será que Fedoca continuará a ser aquele conciliador que é, na condição de advogado, ou em algum momento vai saber se impor para mostrar de quem é a foto na parede?

Por que eu uso a palavra "governar", em lugar de "administrar"? Porque o Prefeito não é um administrador apenas. É um governante. O administrador é regulado por normas técnicas. O governante é administrado pelo coração e pela razão, independente das funções e obrigações que a administração exige. As Leis que regem a política são diferentes das normas que regulamentam a administração. Na política não se trabalha com planilhas, mas com com diálogo, com ajustes, com acertos e sobretudo com calor humano. Trabalha-se com as diferenças, e sobretudo, administra-se o ego, porque muitas pessoas adormeceram cheios de boa vontade, e a adrenalina do poder os transformou em pseudo-messias, e aqui nem chego á questão da corrupção, pois aí seria dizer que todo político é corrupto, e eu sei que não é. Mas sei também que pela bajulação constante que recebe, por ser cercado de tantos interesses, e que pelo poder que possui de mudar a vida das pessoas, pelo sucesso de suas boas ações, inebria-se pela vaidade e apaixona-se pelo poder. É aqui que desanda o caráter e reveste-se de insensatez.

Quem será o Fedoca dentro de quatro anos? Quem será o Evandro, ao longo  destes quatro anos? Como será o  relacionamento dos interesses dos partidos deles, pois também quero lembrar que todo político é sustentado ideologicamente pelos partidários. E por fim, como estará a Gramado de que tanto temos orgulho? Será uma Gramado mais opulenta? Mais humanizada? mais opulenta e humanizada? Ou em nome da humanização, será deixado de lado o crescimento natural atrelado ao sucesso? E a oposição? Brotará um novo líder que faça frente ao poder que certamente crescerá dos novos governantes? Em que se firmará esta oposição para frear o crescimento do poder do PMDB e do próprio PDT, que recebeu o milagre da multiplicação dos votos, diante deste novo  quadro? E o PP, continuará sendo o PP (já escrevi antes que o PP nacional está com as pernas tremelicando) de tempos gloriosos? E Gramado, será a cidade dos sonhos, ou a geografia dos pesadelos de quem apostou no sucesso e pode ver seu capital se esvair pelo esquerdismo que volta a assombrar com esta vitória (não esquecendo que Fedoca sempre apregoou sua afeição com a Rosa Vermelha  da Internacional Socialista*, que é a materialização trotskista da política pós moderna. Temos muito o que pensar nestes quatro  anos.

* Internacional Socialista
A Internacional Socialista, ou II Internacional, é um fórum de ideias e discussões, que reúne 170 organizações partidárias afins de natureza social e democrática, de 120 países de todos os continentes. Lá estão representados partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas. Sua atual organização é originária da II Internacional, que surgiu em 1889, em Paris, a qual, por sua vez, derivava da Associação Internacional do Trabalho, na verdade, a I Internacional, e formada em Londres por Karl Marx e Friedrich Engels, em 1864.
Esta reunia representantes do movimento operário europeu. Já a III Internacional foi formada em Moscou, em 1919, pelos bolcheviques, após a tomada do poder na Rússia, e dissolveu-se em 1943, sob influência stalinista. A IV Internacional foi fundada pelos trotskistas. Hoje a Internacional Socialista é presidida pelo ex-primeiro-ministro da Grécia George Papandreou. Tem como sescretário-geral Luis Ayala, do Chile, e o presidente nacional do PDT, deputado federal Vieira da Cunha, como um de seus vice-presidentes. Vieira é o segundo brasileiro a ocupar o posto. Antes, apenas Leonel Brizola havia alcançado tal posição.
(Fonte: http://www.pdt.org.br/index.php/hoje/internacional-socialista/)



sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O rei, a realeza e os bons negócios



Reza a lenda que a nobreza sente-se mais real que a própria realeza, e por isso inquieta-se quando os ventos sopram em direção contrária, e ameaçam seus domínios, que são benesses do humor do rei, mas se estribam de fato no suor da plebe.

Aqui esta realeza que se busca é na mais poderosa autarquia de Gramado, a Gramadotur, que, como todos sabem, tem caneta própria e não está sujeita ao humor da pena do Prefeito, enquanto autoridade, mas (quando aparece um "mas", chega a dar um frio na espinha), se o Prefeito não nomeia, ele pode, e creio que faz também questão, de articular, para que gente sua assuma o maior numero de postos possíveis, uma vez que não terá maioria na Câmara.

Então Enzo Arns articula para pegar a almofada quentinha de João Pedro Til. Sendo que o novo Prefeito só tem três cartas na manga, isso não fecha uma sequência, e com isso a briga permaneceria entre Til (que não vai largar o osso sem briga), e Arnz, que vai articular até o último bravo para ocupar o segundo trono. Resolvido. Certo?

Errado! Voltem a página e vejam o que eu escrevi logo acima, ali no finalzinho do segundo parágrafo.
Percebem que grifei a palavra Câmara? Pois então. Sabem quem será o novo presidente da Gramadotur? Eu digo: Caio Tomazelli! Como? Simples. Caio não se envolveu na campanha. Até foi passear em Cuba no início, mas chegou a tempo de tirar selfie ao lado de Fedoca antes da eleição. Caio tem simpatia na turma do PP, embora nunca tenha dado nenhum beijo em público que comprove isso, mas eu sei que tem. Caio seria um ponto de equilíbrio para apaziguar alguns ranços pós campanha, e tem competência para cumprir a função. Ninguém me falou nada disso, mas eu também posso presumir que Caio teria apoio do Pedro, se eleito, para assumir a Gramadotur. Palpite, palpite.

Mas como Fedoca conseguiria tirar dois encrenqueiros do caminho com um Caio na manga? Negociando! Mas negociando com quem? Com quem interessados dois lados: Luia Barbacovi! E que poder tem Luia pra isso? Muito, já falei em outra ocasião. A coisa funciona assim? O governo apoia Luia na câmara para ganhar a presidência, , e coloca pelo menos um conselheiro na Gramadotur indicado pelo Luia, que em troca, ganha os votos do PMDB e PT para ocupar a cadeira que pela lógica seria do Dr. Ubiratã, o mais votado. Sabendo que Bira poderia ser mais combativo que Luiz, mais conciliador, interessa ao governo que Luia seja o interlocutor com o Legislativo. para garantir isso, tem na manga cargos, entre estes, três vagas na Gramadotur.

Então, Enzo Arns e João Pedro Til são descartáveis.
Estão lembrados que em política tudo pode acontecer? Pois então...

Ame o juiz, odeie o juiz, ame o juiz...



A Massa é irracional. Quase todas as massas são irracionais, exceto algumas que além de irracionais, são irascíveis e acéfalas. Então, enquanto irracionais, são também facilmente moldáveis, manipuláveis, conduzíveis. E se você acha que estou me  referindo aos "Black Blocks", ou à bandidagem encarcerada que provoca rebeliões e jogam futebol com a cabeça dos desafetos, pois pode arrumar uma almofadinha para amparar o queixo e pasmar, pois são os indivíduos mais pacatos, guardadores das Leis, e frequentadores dos cultos solenes a cada semana, a quem me refiro.

A irracionalidade não é um padrão contínuo, e nem os irracionais possuem carteirinha de doidos. Eles não são exatamente "eles", mas somos nós, todos eles. Você e eu somos os irracionais enrustidos, que em grande parte do tempo nos preservamos no armário do bom senso, até porque se não fosse por isso, a sociedade teria sido transformada em adubo desde ha  muito  tempo atrás.

Até mesmo os animais, ditos irracionais, tem sua parcela de bom senso, e respeitam hierarquias de suas sociedades grupais. Isso é um padrão de comportamento. Desde insetos até leões, todos convivem pacificamente em bandos, sem que passem o tempo todo mordendo as nádegas suculentas uns dos outros.

Porém, um dia, o ovo vira de lado. O pé titubeia no levantar pela manhã e pisa o penico cheio que ficou do lado de fora da cama, e o dia está arruinado. Para todos os que nos cercam. Até os  cabelos ficam mais  desgrenhados que de costume (menos nos carecas, que acreditando serem os  cabelos os responsáveis pelo mau humor, raspam a cabeça e expõem a modelagem craniana com troféus pelo estágio que alcançaram no patamar da civilização. Alguns deixam a barba comprida para ostentarem virilidade ou sabedoria. Até uma vizinha minha fez isso, e parece que deu certo). Mas, como dizia, antes de ser abruptamente interrompido por um surto de asneiras, existe um ponto de equilíbrio entre a prudência e a ira. E existe uma espoleta que aciona nosso destempero, tornando-nos irreconhecíveis e perniciosos, perigosos, e exterminadores. É como uma pipoquinha envelopada na pele fina, que ao calor repentino, explode e multiplica sua força para romper a casca, expondo seu alvor comestível.

Atualmente nosso país tem pipocado aos quatro ventos, e o alvo são os políticos e empresários corruptos. A pipoca está inchando e explodindo aqui, ali e acolá a cada instante. E isso desperta todo o animalesco instinto que suprimimos por séculos. É isso que está acontecendo. Todos os séculos de corrupção estão sendo passados à limpo em poucos meses, e a exigência de que acelerem as sentenças grita pelas ruas dia e noite. E então surgem os heróis. Triste povo aquele que precisa de heróis.Mas eles existem. São tangíveis,  reais, e (pasmem), também são humanos. E sendo humanos, também são irascíveis. E sendo irascíveis, também podem tornar-se irracionais.

Visitei certa ocasião, uma mostra de antropologia no museu, que apresentava gravuras antigas e relatos dos canibais que devoravam portugueses e franceses aqui em Pindorama, lá pelos  tempos do descobrimento. Saí com náusea, tamanho o horror da coisa descrita. E algo que me impressionou muito, foi saber que os primitivos habitantes não comiam pessoas por questão religiosa ou cultural. Era por puro prazer, pelo sabor. Contam os relatos, que a carne humana entorpece e promove sensação de euforia incontrolável. Nojento, não? Pois o clamor de justiça não é nem um pouco diferente disso. É um trem sem freios morro abaixo que só  tende a acelerar e destruir qualquer obstáculo de seu caminho, e fazê-lo parar só por meios ainda mais brutais, mediante barreiras, que além de serem destruídas pelo impacto, destruirão também o trem e quem nele estiver.

O desenfreado  clamor por justiça contra políticos e seus mantenedores já não é mais por justiça, mas por vingança. Sim, a justiça  deve ser feita em todo tempo e com olhar atento para o futuro. Sim, devem ser julgados e punidor com os rigores da Lei os infratores, assim como também deve ser preservados pelo escudo da Lei, que não pode ser vingativa, mas corretiva. Este é o princípio da Carta Magna. A Lei não pode ser instrumento de vingança, nem de exaltação dos Magistrados, muito menos espetáculos para os Juristas. A Lei  deve ser o instrumento de ajuste da sociedade para um mundo equilibrado.

Quando vemos crescer em todas as esferas uma caça às bruxas, remexendo no passado e nos pormenores de pessoas, não pelo acerto da justiça em si, mas como cenário para espetáculos de execução em praça pública, e que a Justiça se deixa embalar pela  cantilena das ruas, representadas pelos opositores políticos, vejo uma espiral de "Fibonacci", crescente e interminável se agigantando  com tal magnitude, que passo a imaginar que de um  "Estado corrupto" passaremos a um  "Estado judicial", onde tudo e todos tornam-se suspeitos, caçados, encarcerados e executados, ao mais leve sopro de brisa ou denúncia.

E esta ainda não é a minha maior preocupação, pois ainda há o freio da sanidade, guardado pela consciência, que a religiosidade promove. Este Leviatã  passa a ser ainda mais assustador quando vemos crescer a formação de brigadas religiosas associadas à política cercando e cerceando por todos os lados, o  Direito à continuidade de um Estado Laico, ainda que sujeito a erros e necessidade constante de ajustes.


O Juiz, que ora amamos, quando desemperra as gavetas de nossos desafetos, mas que passamos a odiar, quando as gavetas abertas são de nossos aliados, e que fatalmente passaremos a odiar e temer, quando abrirem as nossas próprias gavetas.

Ame o juiz, odeie o juiz, mas tome cuidado para que o juiz não seja você mesmo. E que não experimente o gosto de sangue, pois se remexer muito no passado, poderá encontrar os livros de receitas antropofágicas.  Aí é o fim.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Eu desafio...



Com tristeza e profunda preocupação, leio notícias sobre a morte de um menino de treze anos que, inocentemente, aceitou um estúpido desafio. Desesperador para uma sociedade que foi formada movida por desafios. Desesperador para os pais daquele menino. Desesperador para os pais dos outros meninos. Desesperador.

Somos movidos a desafios desde que fomos concebidos. Houve disputa já lá entre os espermatozoides. E eu cheguei primeiro (desculpem irmãos, mas não foi a vez de vocês). Foi uma disputa, claro, pela vida. Uma contenda saudável.

Diariamente compartilhamos desafios em favor de alguma boa causa. Um dia é um balde de água  gelada para despertar atenção à causa do combate ao câncer; outro dia é uma foto sem maquiagem, pelas moçoilas, para isso, ou aquilo. Bons desafios. Os estudantes, que acordam cedo e dormem tarde, para alcançarem boas notas, conquistarem posições de valor na sociedade, e assim por diante.
Bons desafios.

O assunto ainda é sobre revanchismo, moral, dignidade, ética, e humanidade.
O assunto é sobre o  revanchismo político que degrada os valores e desvia o curso da sociedade para lugares ermos e vales de sombras.

Revanchismo é o resquício das barbáries de tempos ancestrais, quando conquistadores embrutecidos dominavam certo território, impunham terror até que dobrassem todos os joelhos dos povos dominados à sua submissão. Homens, mulheres, meninos e meninas, até mesmo animais e casas eram brutalizados, para que ficasse bem claro aos demais quem estava mandando no lugar dali pra frente.
O revanchismo não é nem um pouco diferente disso. É o gosto de sangue da disputa e o cerrar de dentes dos brados de guerra dos vencedores, que ainda efervescem o espírito da conquista sequiosa de barbárie e aniquilação total dos vencidos.

Eliminar, definhar as forças dos vencidos é uma necessidade primária da vitória. Nos tempos antigos, quando um rei dominava certa cidade, ele reduzia tudo a escombros, e aplanava o terreno. Sobre esta nova planície, construía uma nova cidade, onde erguia templos, em homenagem aos seus deuses, e colunas, em homenagem à si próprio, e aos seus ancestrais. Assim foi construída a civilização. Grandes monumentos e cidades que nos maravilham pela beleza de sua arquitetura e cultura, foram construídos construídos pela brutalidade, e o sangue dos vencidos regou a argamassa das paredes para deleite dos vencedores.

Hoje, a revanche é igual, e não menos feroz. Numa prefeitura, varrer os cargos comissionados de pessoais fiéis aos vencidos, é até uma necessidade, como é um ato de generosidade fazer permanecer aqueles que os serviram às sombras. Traidores são sempre bem vindos à qualquer causa. Qualquer uma. Mas não é suficiente isso. Varrem também as oportunidades periféricas. Forçam empresários a demitirem seus desafetos. Tumultuam por intermédio de bajuladores que excedem-se à civilidade em nome do Partido e da vitória. Vituperam desafetos. Pisam nos vencidos. Cospem nos diferentes. Nutrem a barbárie.

O título  desta reflexão é: "Eu desafio..". Porque eu desafio os vencedores a que desafiem seus comandados, a justificarem diante de Deus a sua fé, posto que muitos compartilham aos quatro  ventos postagens de amor ao próximo, amor aos animais (que ao menos tratem tão bem os adversários quanto dizem tratar de seus cães e gatos).

Eu desafio os vencedores a se pronunciarem contra qualquer tipo de revanchismo sujo, e que em lugar de balançar bandeira diante das casas dos vencidos, que os abracem e os convidem para uma cuia de mate, um cafezinho com mistura, dois dedos de prosa, uma partidinha de futebol, e depois que plantem juntos um canteiro de hortaliças, que ajudem a reconstruir as casas devastadas nos municípios vizinhos, que saiam juntos, em grupos, vencedores e vencidos, visitando casa por casa, assim como fizeram na campanha, e recolham donativos para caridade; que abracem e beijem crianças, assim como fizeram na campanha, mas os filhos, mães e pais, avós, dos  vencidos.
Eu desafio Evandro, a quem não tive o prazer de conhecer pessoalmente em sua fase adulta, mas passei a respeitar e admirar, talvez porque fui grande amigo de seu pai, Odacir, e sou amigo de sua família, a que lidere a juventude para que transforme Gramado na cidade mais  feliz do Brasil.
Eu desafio o Fedoca, a quem sempre conheci como o sujeito mais simpático de nossa geração, a que erga a voz, não mais para desafiar o Pedro Bala, mas para que desafie Gramado a encerrar em paz este capítulo da historia.

Eu  desafio aos correligionários  destes dois líderes a que busquem seus adversários, seja do partido que for, e que construam uma nova sociedade baseada no  respeito às diferenças e não na força dos  vencedores.

Eu desafio aos vencidos a que estendam as mãos e recebam os abraços daqueles que ousarem ser dignos de serem chamados de vencedores, não por  causa de sessenta e dois votos a mais, mas por  causa daqueles que esperam que isso possa acontecer.

Eu desafio você a compartilhar esta mensagem pelas mesmas redes sociais que foram compartilhadas tantas asneiras, tantas ofensas, tantas barbaridades, tantas promessas, e que insistam, e insistam, até que o último abraço seja dado. Até que Gramado possa adormecer e acordar novamente em paz.

Em tempo:
Eu tenho moral para dizer isso tudo, porque já fiz o mesmo há bem pouco  tempo. E estou feliz pelo que fiz. E faria tudo de novo.
Pacard



Ele (ou ela, eu sei lá)

Publicado no livro "Estado de Alerda, Pacard, 2014, Amazon.com)

Era tão feio que se sentava ao espelho e se achava mais feio ainda. Era mais feio que ele próprio. E mais baixinho também.
Era tão burro que conseguia trocar seu próprio nome com o de seu irmão, mesmo sendo filho único.
Era tão baixinho, que se sentava no chão e ainda assim as perninhas ficavam balançando.
Era tão medroso, que saltava de susto, toda vez que respirava.
Era tão pão duro que quando bebia água ainda lambia o copo para não deixar sobrar nada.
Era tão fofoqueiro, que falava mal até de si mesmo.
Era tão corrupto, que de todo dinheiro que ganhava, roubava de si mesmo uma parte.
Era tão incompetente, que emprestava dinheiro e pagava juros ao devedor.
Era tão mentiroso, que de tanto que mentia, mentia sobre o que mentia. Aí falava a verdade. E isso o entristecia.
Quando viu que tinha tantas virtudes, se aliou a um partido e saiu candidato.
E foi eleito!
Quando tomou posse, não sabia onde estava. Não sabia o que fazia lá. Não sabia o que dizer. Foi logo esquecido. Menos na folha de pagamento
Recebia salário pelo cargo. Recebia jeton. Recebia por fora e carregava por dentro. Da cueca. E passou a ser chamado de
"Seu dotô".

* Qualquer coincidência é mera semelhança.

Poder e Pensamento


O pensamento é a fonte de todos os bens e o manancial de todos os males, exceto aqueles que sejam inerentes às coisas impensáveis de mudar.
Ser livre é dizer o que pensa sem pensar no que se diz para pensar na liberdade de pensar sem dizer o que se pensa apenas por pensar. O que nos mantém livres? O direito à liberdade, ou a liberdade de pensar.
Dá-me um homem íntegro e um povo esperançoso, e em pouco tempo uni-los-ei por um ideal em ébrio êxtase e os destruirei completamente. Farei de suas vidas uma euforia, mas pô-los-ei em estase quanto ao progresso humano e ético. Sou a política Sexo, poder e fortuna. A má política não precisa de nenhum destes objetivos, pois os encontra numa só substância ataviada ao seu caráter e adornada com vestes nupciais, envolta em perfumadas sedas sob a tênue luz da vaidade, da cobiça e da ambição.
Não pense que sou contra a política nem contra os políticos. Apenas não consigo colocá-los à mesma mesa de festa sem que se embriaguem um ao outro e um ao outro se desmanchem em paixões, onde é sempre o povo o alvo inerte desta glutonaria dialética.
O Álcool torporiza a mente e desnuda o caráter. A política torporiza o caráter e desnuda o ego. Mas a má política potencializa tudo isso sob o argumento do bem comum. Lobo em pele de cordeiro.
Como reclamar da justiça brasileira, se quem decide o ingresso dos ministros não é o concurso público e sim os políticos, e neles nós somos quem votamos?
Se reclamarmos da morosidade e parcialidade da Justiça, reclamamos de nossa própria incapacidade de escolher nossos legisladores e governantes.
Reclamamos tanto da corrupção no governo e da morosidade do Estado, quando de fato nós é que nos entregamos ao ócio das tapinhas nas costas e da política do “deixa estar pra ver como é que vai ficar”.
Somos como passarinhos diante da serpente, gritando, pulando, mas sempre em direção ao fim. A serpente não se move. Apena observa. Fixa o olhar e torporizam os sentidos da pobre vítima. Não tem nem garras como os felinos. Não tem pernas ou patas para correr atrás. Tem apenas o olhar e o tempo. São as vítimas quem correm para a morte espontaneamente. Somos nós que corremos para os braços dos políticos e somos nós quem nos deixamos acariciar pela sua cantilena envolvente. Podemos voar e ser livres, mas não temos a vontade e a iniciativa necessária para fazê-lo no tempo devido. Não precisamos deles. Não dependemos deles. São eles que dependem de nós. São eles que precisam nos buscar para que os mantenhamos na arena, e, no entanto entregamos nossos votos de forma tão barata, tão fácil, porque acreditamos que um voto não fará nenhuma diferença entre tantos mais. Acreditamos que é apenas um voto e daqui a dois anos teremos outro, e outro. É de graça. Não temos que pagar por ele. Será? Quanto então, pagamos de impostos, porque entregamos de graça nosso voto? Ou pior que isso: porque vendemos esse voto por tão pouco, trocamos pela nossa cobiça, enquanto deveríamos tê-lo colocado na caixa de todos, para servir a todos, e nós entre todos?
Informação ao leitor: Nenhum político sofreu maus tratos na composição destes pensamentos. Todo o elenco recebeu sua comissão depois do expediente como determinam os maus costumes em prática nos corredores e banheiros de algumas repartições.

E o povo reclamava. E o povo votava. E o povo pagava. E o povo sofria. E o povo continuava a votar. No mesmo. E continuava reclamando...

A morte do Teiú e o marasmo da vida

O lagarto Teiú é muito comum pelas matas, e até pelas áreas arborizadas das cidades. Aqui mesmo, onde moro, tem uma pequena reserva de mato,...