terça-feira, 31 de outubro de 2017

Rastro de antissemitismo tirou trabalho de artista do Natal Luz de Gramado em 2014


Projeto da Rena excluída por antissemitismo

Parece um contra senso imaginar que um artigo que preste homenagem a um país, em uma mostra denominada: O Natal pelo Mundo, e este país, Israel, possa ser motivo de tanta controvérsia em um dos mais famosos eventos natalinos do mundo, e que por mais estranho que pareça, homenagear Israel, um país que tradicionalmente nega Jesus como Messias, sejam também o alvo de uma clara e vergonhosa demonstração de antissemitismo, ainda que dentro deste contraditório. Vamos entender a questão.
Debora Irion com uma de suas obras que nesse momento estão em exposição coletiva no Louvre,em Paris.


Em primeiro lugar, vamos estabelecer duas coisas que são bastante distintas. A primeira, no tocante a crer que Jesus, judeu, seja O Messias, trata-se de uma questão de fé, que é vista por um viés de interpretação teológica, e em se tratando de fé, nenhum mecanismo ou artifício humano relacionado com a ciência, pode comprovar que Ele seja, ou deixe de ser O Messias prometido a Israel e ao mundo. Isso é crença.


Por exigência do Edital, Débora usou um pseudônimo "Cristal" no envio do projeto. Porém, antes disso, ela comentou com um funcionário da Cultura, que viria a ser depois um dos pareceristas, e que segundo ela, sua expressão mudou, com ar de espanto, quando ela disse que seu projeto seja uma "Rena Judia". Começou ali.

Por outro lado, negar que o personagem Jesus, que nasceu, viveu e morreu judeu, isso é burrice, desinformação, falta de entendimento histórico e visão distorcida dos fatos.

Um terceiro componente  desta atitude que apequena a arte, porque oferece uma interpretação com componentes de inveja e ganância, é que a seleção dos artistas para a confecção de um dos componentes do Natal Luz, as famosas Renas do Papai Noel, é feita de maneira inteiramente ditatorial, autoritária, e ao arrepio da Lei Federal 866/93 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm)Lei que regulamenta o repasse aos artistas, que estabelece a forma de contratação de profissionais nesta situação, isto é, necessitam estarem conectados a uma entidade sem fins lucrativos, que pode ser uma Associação, uma Escola, etc, para  que possa receber pelo trabalho, os recursos públicos. Traduzindo: o artista precisa ser associado a algum grupo e este grupo dará a Nota Fiscal e receberá os recursos, repassando-os ao artista.

Ocorre que em 2012, quando começaram os trabalhos com as Renas, só havia uma única associação de artistas em Gramado, e como tal, passou a oferecer estes serviços. Só que o problema não começa aí e sim no momento em que outras associações surgiram, mas aquilo que era apenas um apêndice legal, tornou-se a regra não escrita, mas acordada, e os costumes passaram a determinar as regras.

Ainda assim, não reclamou-se, pois os artistas, poucos que eram, sentiam-se acolhidos na oportunidade de demonstrarem seus talentos, e seguiam em frente. O problema começou, e de uma forma grave, gravíssima, quando a artista Debora Irion, consagrada internacionalmente, teve sua proposta negada, censurada e deixada ao sabor do esquecimento, com a alegação de que  o tema fugia ao contexto natalino. Eu explico ainda melhor.

Débora ofereceu ao edital uma Rena decorada com motivos que contavam a história de Chanucá, a Festa das Luzes da cultura judaica. Belíssimo trabalho, por sinal. Mas não foi aceito. Teoricamente qualquer trabalho poderia ter sido preterido, talvez por injuria racial, atentado ao pudor (embora atualmente prefira-se jogar o pudor no lixo em nome da arte),ofensa moral, motivação de ódio ou qualquer outro motivo, seria sim, passível de censura, uma vez que em nome do patrimônio público não possa ser permitido esse tipo de coisas, e ainda mais no objetivo simbólico da festa do Natal, que para o povo judeu, não tenha nenhum significado senão emblemático e de um povo com quem partilha até mesmo um país, Israel, com outros povos de outras crenças, até mesmo com os cristãos, que acreditam em Jesus, embora também discutam a festa do Natal, como sendo o nascimento do Messias, mas vale pelo simbolismo e pela alegria da festa.

Ainda detalhando um pouco Chanucá (lê-se "Hanucá"), que se traduz como "Festa das Luzes", é uma lembrança emblemática da fé e perseverança do povo judeu durante a opressão helenística, pelo gregos que invadiram O Templo Sagrado (o mesmo onde Jesus foi apresentado aos Sacerdotes, portanto não era um ambiente estranho ao Personagem Jesus, judeu)e ali o profanaram, sacrificando animais imundos de acordo com a Lei mosaica, e com isso causando horror nos judeus. Estes, liderados pelos Macabeus (de Maccabi, martelo, pois usavam martelos como armas de combate, uma vez que eram proibidos de portarem espadas pela lei grega), expulsaram os invasores, e neste episódio, aconteceu um milagre, em que o óleo sagrado, destinado ao candeeiro do Templo, a Menorá, lançado em terra pelos gregos, antes de fugirem, milagrosamente durou oito dias, sendo apenas o suficiente para um único dia. Desde então, todos os judeus celebram esta festa, que embora não seja bíblica (não consta na Bíblia Judaica), foi incorporada, inclusive por Jesus e seus Apóstolos e seguidores, que celebravam este evento, conforme os relatos dos evangelhos.

Sendo assim, Débora buscou nas raízes do cristianismo um simbolismo que unisse e ilustrasse a alegria das duas festas, e o fez com grande sabedoria.Porém, não foi assim que entendeu a pessoa, ou o grupo de pessoas que negou sua participação com este projeto. Desta forma, não apenas estas pessoas pisaram na arte, pisaram no artista, pisaram na Lei Federal, de isonomia de direitos, pisaram na ética, pisaram no bom senso, pisaram nos sentimentos e pisaram na própria história, porquanto teriam afirmado que "isso é coisa de judeu e não tem nada a ver com o Natal, que é uma festa cristã".  Pisam finalmente no pouco que lhes restara de inteligência, porque aformar que a origem judaica de Jesus não tenha fuundamento, não é uma questão de fé, mas uma questão de burrice! E olha que nem disso se pode chamar quem comete tamanha estupidez, porque o burro, aquele animalzinho útil e com opinião própria é visto na Bíblia inteira como simbolo de mansidão, de servilismo e de nobreza, uma vez que na festa da Páscoa (Pessach), segundo contam os Evangelhos, Jesus adentrou Jerusalém, pela Porta Dourada, que era a porta dos reis, montado em um jumentinho. Assim também fez o Rei Davi, e também foi um jumentinho quem transportou o casal hospedeiro do Messias em sua fuga para o Egito. Portanto, não cabe nem mesmo a alcunha de burro para quem pisa na arte de um conterrâneo. Não cabe nem mesmo que seu nome seja citado. Nem mesmo isso.

O mal foi feito, mas o costume continuou. A Lei que nunca foi Lei, continuou servindo, segundo minhas fontes (e foram muitas), a uma única Associação de Artistas, à qual não atribuirei culpa, senão ignorância em desconhecer que esteja descumprindo uma Lei Federal, e também um alerta ao jurídico da GramadoTur que tem a obrigação de confrontar os contratos  que assina com o que diz a legislação pertinente.  Assim, injustiças continuam sendo cometidas e pessoas isoladamente tomam decisões que caberiam a colegiados de pareceristas técnicos, embasados nas letras da Lei e de seus regulamentos.  Assim, Gramado de evento em evento, acumula deslizes, cujos titulares, muitas vezes inocentemente, acabam tropeçando e depois cobrados nos tribunais,por algo que desconheciam.

Longe de mim o intento de ensinar leis aos governantes. Não é preciso, mas é  importante lembrar que elas existes, e caso não existam, cumpre ao legislativo elaborá-las, e caso existam e um e outro as desconhecem, cabe ainda ao Legislativo fiscalizar para ter a certeza de que estão sendo cumpridas com o rigos necessário.

Como nada faço às ocultas, enviei ao Prefeito Fedoca uma prévia do que iria publicar, acrescido a uma sugestão: Convide a artista Plástica gramadense Débora Irion, e ofereça à ela um lugar de honra para a rena que nunca saiu do papel, e dê a ela oportunidade de mostrar que Gramado não tem lugar para antissemitismo, para despotismo nem tampouco para idiossincrasias discriminatórias a quem quer que seja.

Fazendo isso, Fedoca terá dado à Gramado e a si uma oportunidade de fazer-se grande no coração dos artistas, ainda que seja corrigindo uma injustiça não cometida por seu governo, e que chame Nestor, o então Prefeito, que certamente não tinha a menor noção do que acontecia nestas minúcias de sua administração, para que oportunize em nome de seu governo, um pedido de desculpas não apenas à Débora, mas à todos aqueles que foram injustamente manipulados por aqueles que visavam iluminar o próprio umbigo e subir na carreira usando pescoços de colegas como degraus.

Para elaborar este artigo, entrevistei vários artistas gramadenses, aos quais prefiro manter a identidade em sigilo. Também entrevistei advogados, pesquisei leis, e, a propósito, eu também conheço  um pouquinho disso, porque fui Conselheiro setorial de um Colegiado do Ministério da Cultura por três anos. Devo ter alguma credibilidade no que escrevo então.

A propósito, o nome Débora, é característico da cultura judaica. Foi uma Débora foi uma juíza e profetisa de Israel, que liderou o povo na guerra contra o rei de Canaã. Ela convocou o povo para a batalha e profetizou sua vitória sobre um exército muito grande.
No tempo de Débora não havia rei sobre Israel. O povo era liderado por juízes – pessoas influentes, usadas por Deus, que se tornavam líderes políticos, espirituais e militares. Quando Deus levantou Débora, os israelitas tinham se desviado de Deus e estavam sendo oprimidos por Jabim, rei de Canaã (Juízes 4:1-2).
Débora era profetisa e uma mulher sábia. Ela se sentava debaixo de uma tamareira e o povo vinha até ela para resolver suas questões (Juízes 4:4-5).
Também o nome IRION, é  proveniente de judeus da Hungria. Mesmo lugar de onde provém também o sobrenome Cardoso (Portugal), lá traduzidos como Kardushinski. Ambos traduzem:Plantador de Cardos (planta).


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Seu Professor ama o que faz, ou faz apenas o que é preciso para que não seja odiado por você?






O primeiro grande erro da humanidade é rotular e classificar pessoas e suas atividades como "boas ou ruins". Bom aluno, bom professor, boa bailarina, boa dona de casa, bom engenheiro, e por aí segue a melodia. Mas afinal, o que é ser bom ou não ser bom? Quais são os critérios de avaliação daquilo que é bom, em se tratando de pessoas com relação às suas atividades, e aqui nesta reflexão, no seu processo de aprendizado? Afinal quem é bom, quando o aluno vai bem na prova, ou quem não é bom quando toma um zero grandão no boletim?

Não sou educador e tenho profundo respeito aos grandes educadores que conheço, principalmente aqueles que acumulam toneladas de certificados, títulos meritórios e currículos invejáveis, mas na nada invejável condição de aluno (fui), pai, avô, tiozão e entregador de pizzas e quentinhas a mim mesmo quando faminto, faço  uma breve análise daquilo que tenho percebido no comportamento (ou falta dele) no dia a dia dos aprendizandos com quem tenho cruzado caminho ao longo dos anos, sejam estes pelo lado do aluno, ou seja pela minha própria experiência em sala de aula, confrontando oportunidades, possibilidades e desafios, no tocante a transmitir e oportunizar ebulição de conhecimento, uma vez que o conhecimento se faz, em parte, transferindo nossas ciências, e em parte proporcionando oportunidade a que o educando se descubra enquanto agente cognitivo, e em arte enquanto passivo de captação deste conhecimento gerado por padrões estabelecidos ao sabor de grupos, estes, nem sempre solidários com a realidade geográfica, étnica ou cultural, e que diante disso oportunizam baldes de água gelada sobre o ânimo do aluno, que, por vezes, completamente alheio ao objetivo do que é transmitido, desmotiva-se e desmotiva ao grupo, e quando digo grupo, digo colegas, professores e a própria família.

Ainda sobre notórios educadores estabelecidos como padrões de densidade sólida à afirmação de métodos empregados, convém lembrar que tanto a educação quanto os educadores, mesmo os eminentes, trabalham de acordo com suas próprias observações diante dos fenômenos sociais, e acrescentam aos seus padrões métodos que impregnam estes valores às suas teorias, que por sedimentação ou falta do antagônico, firmam-se como ciências absolutas, e pobres dos infelizes que nasceram com a cara voltada para o Oeste, quando ousam discordar daqueles que olham para o Leste em suas orientações educacionais.
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Estou falando difícil? Sim! De propósito, para que se perceba como se sente uma criança diante de um educador (aqui uso o sentido antropológico) que segue, por exemplo, Paulo Freire, quando o aluno está mais propenso a desenvolver sua capacidade sob a ótica de Freinet. Estou complicando no vernáculo e na retórica para que ponha-se o leitor no lugar do aluno que encontra um professor desmotivado para aquela aula, ou aquela disciplina, ou para aquela escola,  ou para aquele ambiente social, ou ainda para aquele salário mixuruca que recebe, tendo a responsabilidade e a carga de educar uma classe com vinte ou mais alunos, quando sua tarefa deveria ser apenas repassar conhecimento e métodos de aprendizado motivadores e indutores da vontade do aluno, enquanto a educação, a ética, a moral, a religião, a política e outros valores deveriam vir de casa, da família, e da sociedade lá fora.

Estou demonstrando que um aluno que tem na família, apenas um punhado de parentes consanguíneos, e na escola seu esteio educacional, dificilmente poderá desenvolver plenamente suas habilidades com a paixão necessária para tornar-se um virtuose em disciplinas que não haja uma sintropia entre o educador, a disciplina, e o aluno. Estou buscando demonstrar de uma forma emaranhada que se o seu filho não aprende com facilidade uma disciplina, é porque faltou paixão, combustível, aditivo, em uma das mangueiras que abastecem este pequeno motor que busca o infinito no finito de nossas possibilidades, e que neste não absorver do conteúdo proposto, desencadeará ele próprio forças que desmotivarão com ímpeto torrencial a falta de prazer na evolução de seu aprendizado.
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Se de um lado temos no professor a obrigação de dividir seu tempo e energia neste conjunto de elementos da construção do caráter, que não são, repito, sua função nem obrigação, mas tornam-se necessários para o educador responsável, temos do outro lado um aluno que necessita abastecer sua mente ilimitada com recursos limitados e baixo estoque de calorias motivadoras para aquele aprendizado, e ali começa o tédio.

Assim, aluno entediado, diante de um professor entediado, rodeado de colegas entediados, armazena valores que entediarão sua vida e a própria sociedade. e uma sociedade entediada produz ditadores, que são ótimos reprodutores de mais pessoas entediadas, porque impõem à sociedade professores despreparados, com salários decrépitos, ruminando conhecimentos mofos e multiplicando cidadãos burros.

Costumo dizer que se meu professor de matemática tivesse a paixão que eu tenho ao ensinar desenho,  eu teria sido um matemático, e talvez até tivesse aprendido,por passatempo, a desenhar uma casinha com coqueirinho numa ilha, e um bonequinho cujas mãos seriam apenas dois tracinhos cruzados, como se faz lá na infância mais doce das lembranças.

Quando você tem em sala de aula um professor guiado por ideologias políticas em lugar de políticas educacionais consistentes, terá também um curral de alunos adestrados para o caos. Estes são dóceis diante de comandos externos, e débeis diante de decisões próprias. Mas servem ao totalitarismo que intentam muitos, seja construído em nosso tempo.

Que tipo de professor você quer para seu filho? Que tipo de filho você está proporcionando para seu professor? Que tipo de sociedade queremos construir sem paixão? Que tipo de paixão queremos promover no amanhã que vem chegando acelerado?


domingo, 29 de outubro de 2017

Prova da existência de Deus e o porquê do sofrimento - Por que a Bíblia não prova nem explica isso?








Proliferam-se os títulos de literatura que, de forma antagônica, procuram, de um lado, provarem que Deus não existe, e por outro, provarem que Deus existe, assim como cresce também, à medida em que cresce no mundo o destempero da fome, das guerras, da violência e do sofrimento em geral, enquanto o Ser Humano, cada dia mais mergulhado em dúvidas, caminha numa corda bamba ao sabor de ventos que disputam sua crença em uma e outra ideologias.

Mas afinal, Deus existe ou não existe? E se Ele existe, qual a Sua posição diante do mundo, do Universo e do Ser Humano, diante do crescente sofrimento em sua travessia pela vida, uma vez que estamos à mercê de nossa fé, que é fundamentada em nossas crenças, sejam estas na existência ou na inexistência de Deus, ainda que crer e não crer sejam ambos baseados em fé,por estranho que possa parecer, uma vez que para ser uma pessoa descrente, precisa ser descrente em algo ou em alguém, e a obsessão por não crer no Deus transcendente e invisível é mais passível de fundamentação do que a crença no Deus que oferece esperança, uma vez que esperança torna-se assim o esteio da fé, e a fé é sempre cercada por argumentos que promovem conforto em tempos de crise, ou serenidade diante da descoberta do extraordinário, seja este ser um pôr-do-sol, ou o primeiro sorriso de um bebê no colo da mãe.
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Mas isso ainda não prova a existência de Deus, e aqui usamos o conceito monoteísta judaico-cristão, onde tem nas Sagradas Escrituras as referências dos diálogos e manifestações atribuídas ao Deus Criador, assim como ao Deus que participa das ações humanas, como se Humano também O fosse, com intenção didática para que o Homem seja conduzido de volta à vida eterna e à plenitude da perfeição, pela qual foi criado.

O livro Santo expõe através de seus profetas e autores sagrados, uma permanente interação de Deus com a humanidade, completando Sua participação através da restauração da ordem original das coisas, e de um grande julgamento daquilo e daqueles que subverteram esta ordem, pisoteando na criação, na criatura, e blasfemando assim de Seu Criador. Eis aqui descritos então princípio e causa, ação e efeitos, e finaliza assim com recompensas e consequências dos desvios ou das ações coerentes com as instruções contidas no manual do Fabricante, para que possa o homem caminhar pelas sendas da vida e alcançar o destino final, onde pleiteia sua felicidade plena.

Esta busca pelo lenitivo às dores da vida é uma constante em todas as crenças. Sejam os cristãos, judeus e islâmicos, que esperam o Paraíso depois da ressurreição; ou os budistas, que esperam atingir o Nirvana, a perfeição total, a iluminação, ou as milhares de crenças tribais que esperam de um modo ou de outro,uma recompensa além da vida, seja esta apenas sob a ótica espiritual, isto é, intangível, seja da forma carnal, ou seja, da ressurreição e continuidade da vida, sem o risco da morte e do sofrimento.
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A grande questão é: Mas Deus de fato existe? E se existe, por que permite o sofrimento?

Tenho passado por alto pela literatura que tenta provar que Deus não existe, e chega a ser quase pueril, de tão óbvia a forma e os argumentos que apresentam, começando pelo estilo literário:  Começam chocando o leitor com relatos horrendos das atrocidades que acontecem no mundo, e para corroborar o clímax da maldade de um deus insensível, usam como modelos as crianças, os idosos, os inválidos, os inocentes em geral, e esmiúçam com requintes de sadismo cada um dos detalhes que exaltarão para comprovar seus argumentos de que, diante disso, o mais lógico seria pensar que Deus não pode existir, e este não existir, seria mesmo um ato de generosidade para com Deus, uma vez que caso exista, nesta óptica, seria um monstro de proporções cataclísmicas. Portanto, para benefício de Deus, para eximi-lo de Sua culpa, que seja bom para Ele próprio que não exista. E desta forma, com o leitor devidamente temperado, continuam despejando sequências retóricas de fatos que, pela crueza do que mostram, Deus de fato,ainda que exista, está perdido pelos  outros lados do Universo divertindo-Se em criar galáxias e outras criaturas para abandoná-las também à sorte evolutiva, em aperfeiçoarem-se sozinhas, para quem sabe, depois de selecionadas espécies geneticamente aprimoradas, juntá-las em outro planeta perfeito, livre dos erros que tenha cometido na criação da Terra e seus habitantes.

Mas e a Bíblia, o que diz destas duas perguntas? Onde está, na Bíblia, a prova da existência de Deus? Em que exato Livro, Capítulo e Versículo se encontra uma palavra ou uma frase que prove a existência de Deus, e que após provado, que explique por que Deus permite o sofrimento de suas criaturinhas inocentes pelas outras criaturas culpadas? 

Respondo agora: Em nenhum lugar! A Bíblia não prova e não tem nenhuma preocupação em provar que Deus existe. Ela apenas diz que Ele existe, diz o que Ele fez, faz e fará, e como Se relaciona com a Sua Criação. Não vai além disso, por uma razão muito simples: Se um Livro, ainda que seja O Livro da Vida, tivesse a capacidade de conter em suas páginas uma única prova da existência de Deus, este Deus deixaria de Ser Infinito, Supra-Universal, isto é, muito Além do Universo ao qual contém (Deus contém o Universo, mas o Universo não pode conter a Deus), e seria um Deus manipulado pela compreensão do leitor, uma vez que a leitura é um agente do Extraordinário, que materializa espiritualmente o intangível, e  cristaliza o imaginário, fazendo brotar a fé. E não é tarefa da Bíblia provar a existência de seu  Autor. Seria como se eu, Paulo, além de escrever e publicar minhas ideias, ainda tentasse provar que eu existo, para que possa ser lido e minhas palavras sejam melhor interpretadas e tornem-se críveis.  Não faz nenhum sentido.

Evidente que O Livro tenha sido escrito por mãos humanas, contendo palavras humanas, e proporcionando soluções também humanas. Seria anti natural que para falar com o Ser Humano, Deus usasse linguagens alienígenas (há quem gostaria e até cavoca isso para convencer-se que o Deus da Bíblia não passe de um alienígena deslumbrado tentando se comunicar com o Ser Humano em uma língua que só alguns iluminados por Andrômeda possam interpretar), e que para comunicar Sua vontade, não descrevesse situações perceptíveis para o entendimento humano.  Desta forma, entender que a finalidade das Escrituras sejam apenas de instrução para uma jornada que teve início, meio e fim, estes sim, descritos com minúcias em todas as suas letras e palavras.

Acerca do sofrimento,a questão é de fácil compreensão, embora de difícil aceitação, uma vez que parece mostrar um Deus impassível, sádico e violento, mas também contraditório e indeciso, de personalidade fraca e que para demonstrar Sua misericórdia, propõe um fim trágico àqueles que não obedeceram às Suas Leis. Aqui entram o entendimento de grande parte do mundo cristão, de uma forma  um tanto distorcida, que o Deus do Antigo Testamento, que criou todas as coisas, andou meio atrapalhado com a educação de suas criaturas, e que tinha lapsos de bipolaridade, perdendo a paciência e ateando fogo do céu pelo menor deslize que tivessem, e que entra então o Filho, que por ser de uma geração mais dócil desce à Terra para consertar as coisas, e trazer belas mensagens de paz, amor e fraternidade ao mundo. Assim, se o judaísmo de Moisés era permeado do "aqui se faz aqui se paga", o cristianismo de Jesus viria propor que tudo  deveria ser perdoado, deixado pra lá, porque somos todos irmãos, e que a Graça seria o antídoto para toda a maldade do mundo. Desta forma, o Antigo testamento deveria ser jogado no esquecimento, porque a Cruz havia determinado um divisor de eras, onde tudo o que era imperfeito, agora seria aperfeiçoado e na segunda vinda de Jesus, todos  teriam uma nova chance para consertar seus erros. Mesmo aqueles que cometeram as atrocidades descritas no prefácio dos livros destes autores incrédulos na justiça ou na misericórdia divinas, segundo algumas doutrinas o pregam.

Fui buscar dentro do próprio judaísmo primitivo a resposta para a questão do sofrimento e da salvação, e para falar de judaísmo primitivo, é necessário entender que tudo começou com a Torá, traduzida como Lei de Moisés, embora a tradução literal de Torá seja "Instrução" e não Lei.  Por que no judaísmo, se minha formação e entendimento teológico estejam afetos aos ensinamentos de Jesus, que nasceu, viveu e morreu judeu, e que todos os seus ensinamentos sejam estritamente ligados à Bíblia hebraica (Antigo Testamento) e ao Talmude (Tradição Oral), e que ainda tenham sido os judeus (outrora chamados de Hebreus  e Israelitas) quem tenham escrito a Bíblia, seja ela apenas no Antigo Testamento, ou ainda nos denominados Escritos Apostólicos, ou Novo Testamento. Todos judeus. Discordantes nos detalhes, mas unânimes na essência.

Sendo então os ensinamento de Jesus concordantes com os Escritos originais, e para o estudioso isento de paixões, torna-se claro que o Novo Testamento não cria nenhuma nova prática que não esteja firmada nas práticas originas, ainda que apenas  com as traduções a partir do Grego (posteriores aos escritos, pois também estes o foram na língua hebraica), e suas versões contemporâneas, vamos encontrar nomenclaturas que parecem distanciar os textos apostólicos da essência judaica. Não é assim. Os nomes próprios, assim como costumes foram contextualizados nas línguas de tradução.Nada mais que isso.

Quando Jesus fala de amar ao Próximo como a si mesmo, está citando Hilel, que está citando Moisés. Quando Paulo de Tarso diz: "Sede meus seguidores como sou de Jesus", está apenas parafraseando a intenção dos hebreus que seguiam Josué, cujo nome original é Yehoshua, e que significa: "Eu sou O caminho", então: Um escolhido por Deus, que recebe um nome que corresponde à sua posição de General de Israel, que tem como missão de conduzir um povo até a Terra prometida, e antes dele, outro líder, com um nome egípcio, Moshê, que significa: "Tirado das águas", para que retirasse este povo da escravidão, o fizesse atravessar um mar e um deserto, e recebe instruções, a Torá, para que sua jornada fosse o mais suave possível. Desta forma então temos na Torá um manual de ética para que o povo caminhasse com segurança, e também promovesse o bem estar social, afim de que houvesse ainda um povo que pudesse herdar a Terra Prometida.

Porém, se analisarmos a Torá, do primeiro ao último capítulo, não encontraremos, nem prova de que Deus é Deus, pelo contrário, a única oportunidade em que Moisés teve de perguntar-Lhe O Nome, O Altíssimo apenas declara de Si mesmo que: "Serei O Que Serei".  Traduzindo: Ele É. Ponto. Mas ainda assim, não existe uma única palavra que diga que não haveria sofrimento na travessia até Canaã, como também não fala do Olam Habá, o Mundo Vindouro, ou como queiram, a Vida Eterna. Não tem. Não diz nada. Silêncio como um deserto.

Onde então encontraremos alento de crermos em um Livro que não prova a existência de seu Autor, não fala da vida eterna, e que mostra todo tipo de atrocidades pelo caminho, como apontam seus críticos?

A resposta está em uma única expressão que Deus usa,no penúltimo dia de vida de Moisés, à frente das margens do Rio Jordão, antes da travessia, quando diz: " Ponho diante de vós a bênção e a maldição; a vida e a morte. Proponho que escolham a vida. E para que vivam, é necessário que cumpram as minhas instruções (Leis) e as orientações (Estatutos) que deixei neste Livro (Torá).

Neste raciocínio, e na crença que Deus É O Criador, e que Sua palavra sejam fiéis, vamos perceber que nada do que Ele diz, é pela metade. Portanto, vida em Sua promessa, é vida eterna. Assim, dividindo entre promessas materiais e espirituais, teremos, de um lado, Canaã, como bênção material, como a vida eterna, como bênção espiritual. Temos elementos intrínsecos e subjetivos, como o livre arbítrio (escolha entre vida e morte), e temos um deserto a atravessar. Isso de certa forma é  profético e didático,porque está dizendo que, entre a queda de Adão e Eva até o reino eterno do Messias e a felicidade plena, existe um deserto cheio de perigos, e conhecendo a natureza falha do Homem, Deus alerta para tais perigos, e apresenta instrumentos para que o Homem atravesse este deserto com relativa segurança, empunhando as Leis e os estatutos como salvaguarda para esta travessia, e que ainda que tropecem e caiam pelo caminho, tem um Condutor, que os guiará ao destino em segurança. Aqui há um desvio de entendimento, onde tendemos a achar que a segurança seja material, e nem sempre o é, mas que a segurança espiritual seja estabelecida ao fim da jornada que é o objetivo maior.

Mais objetivamente, temos uma origem (o Egito), uma travessia com perigos (o deserto) e um destino (Canaã). Isso chamamos de predestinação. Temos um General (Moisés e Josué), temos placas no caminho que orientam para os perigos (Leis), e finalmente, temos o livre arbítrio de voltarmos ao Egito e aceitarmos a escravidão, que simboliza o vazio, a morte, o sofrimento. No aspecto espiritual, temos uma origem (o Éden), uma travessia (o mundo) um destino (a eternidade), uma escolha (vida ou morte) e Um Guia que conhece e É o Caminho (O Messias).

Desta forma, o sofrimento não tem justificativa, mas tem explicação. Não é uma punição de Deus, mas uma consequência pelas escolhas que quem pode decidir seus caminhos, não sem carregar o peso das consequências de que suas más escolhas levem seus descendentes ao fracasso. 

Dou exemplo prático disso, para que fique em casa o testemunho do que quero demonstrar: Meu bisavô traía o concunhado, e por esta razão foi assassinado, deixando viúva e filhos pequenos lutando contra os perigos deste mundo. Depois disso, meu pai matou meu avô, deixando quatro órfãos e duas viúvas. Em consequência disso, cresci no meio da pobreza. Então, meu sofrimento foi punição de Deus pelas inconsequências de meus ancestrais? De modo algum! O que houve foi uma reação em cadeia,um efeito dominó de  atos irresponsáveis de alguém que viu apenas o próprio ego. Da mesma forma, quando temos criancinhas sofrendo, velhos maltratados, drogados perambulando pelas ruas, famílias destroçadas pelas guerras,precisamos olhar lá atrás, de quem foram os atos irresponsáveis que desencadearam esta rede de atrocidades como bolas de neve montanha abaixo, e separarmos o castigo da consequência.

O que encontramos na Bíblia são relatos que de forma profética ilustram os juízos de um Deus apresentado como Justo, que responderá o mal com a justiça, o que nos tempos bíblicos era mais imediato, não apenas como punição, mas também como exemplo para as gerações futuras. Infelizmente não deu certo por enquanto. É por esta razão que também como no simbolismo do deserto, que era a Graça, isto é, a oportunidade de durante a travessia, emendar os defeitos para alcançar a recompensa, também vivemos um tempo onde as oportunidades ainda existem, e quanto aos que sofrem (e todos sofrem), há dois caminhos a seguir: Um diz que Deus não existe caso exista, é injusto ou desligado, e estamos condenados de qualquer madeira, então vivamos, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos, e de outro, que diz que há sim Um Deus Justo, que ouve o pranto dos que choram, e está Ansioso por celebrar o fim deste sofrimento, enviando o Messias o quanto antes para secar todas as lágrimas daqueles que Nêle creem e esperam.

Eu quero estar no segundo grupo.





terça-feira, 24 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

A violência que nos cerca é realmente gratuita?




 Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.  (Mateus 12:24)

Seria como chover no molhado, dizer que estamos cercados de violência e apelos à violência todas as horas do dia, e de forma mais perceptível, do acordar ao deitar. Os noticiosos nos despejam sangue aos borbotões em cada canal que acessamos às notícias, em cada postagem nas redes sociais, ao ponto de nos deixar cada vez mais insensíveis àquilo que é virtual, e como consequência disso, também aquilo que é real, uma vez que o cérebro recebe todas as informações sempre como virtuais, como impulsos elétricos, e processa as informações de acordo com padrões preestabelecidos de acordo com a repetição das informações, e a partir das sensações provocadas por estas sensações, formatando tais padrões como naturais, sejam estes prazerosos ou repugnantes; que provoquem sensações de prazer ou medo;e de acordo com a intensidade deste abastecimento mental, tornam-se perceptivelmente propensos a exigir uma carga maior destas informações, destas percepções, de tal modo que um e outro, venham a dominar o conjunto de informações que se determinam como prazerosas, de um aspecto ou de outro.

Neste contínuo, temos de um lado, o prazer em si, que gera novos padrões e amplia a intensidade de sua atividade, e chega a um estágio de não apenas receber e perceber, mas também de retribuir mediante estes mesmos padrões, aquilo que armazenou ao longo dos anos. Assim se a percepção foi de prazer, devolve prazer, e se foi de violência, certamente devolverá de igual forma.

Há no entanto um fator que determina um divisor de águas entre o  prazer pelo prazer, de forma hedonista, mas o prazer enquanto atos de generosidade, de acordo com o balanço das informações e das respostas estimuladas e administradas, capacitando o indivíduo a administrar de forma positiva tais sentimentos, sabendo dosar e perceber que aquilo que entrou em sua mente como forma de violência, não foi bom e o resultado foi negativo, frustrante, e aquilo que entrou como forma de prazer moderado, isto é, aquele prazer que foi necessário conquistá-lo, que não veio com facilidade vulgar, torna-se um vetor de orientação moral e ética, gerando padrões de ética em uma conduta que  gera empatia e torna-se participante do sofrimento alheio como alguém que não apenas vê, mas que ousa interagir de forma positiva a minimizar este sofrimento, o que chamamos de atos de bondade, compaixão ou generosidade.

Já aquele indivíduo que tem como alimentador da mente um contínuo de violência, e esta violência com tal intensidade e continuidade que invade o inconsciente através da repetição e banalidade, torna-se o fertilizante que fermenta e anestesia a consciência paulatinamente, embora não anestesie a vontade e o livre arbítrio,pois este independe da consciência para ser exercido, embora aquilo que a alimenta seja um fator determinante na tomada de decisões, onde tal como numa balança, o peso maior sobrepujará o peso menor,e portanto as decisões serão tomadas de acordo com os padrões estabelecidos na mente, de acordo com a chamada "Casa de Freud", que classifica estes padrões de formação da mente análogos a uma casa, onde a área social recebe as informações e as armazena no porão, sendo registradas pelo sótão, que age como mero agente de protocolos de acesso, durante o dia, mas que, durante a noite, por ocasião dos sonhos, age como verificador e revisor destes padrões, armazenando-os de acordo com o volume de entrada, e, á medida que boas ou más informações sejam registradas com frequência, são estas colocadas mais próximas ao acesso principal da casa, permitindo que sejam utilizadas em momentos em que decisões autônomas, tomadas sem ou com pouca reflexão, necessitem ser tomadas, e desta forma, agem com espontaneidade, correspondendo àquilo que Jesus quis dizer, que o coração fala ( e as mãos agem) com aquele padrão que foi orientada a mente. Se com amor, com amor responderá. Se com violência, da mesma forma irá retribuir ao feito e tal será sua reação espontânea.

Vou aos fatos então. Cada dia mais uma espiral amplia os padrões de violência, e as barbáries  crescem à medida que dão prestígio aos seres humanos dominados pela falta de domínio próprio que as praticam. Uso de propósito a expressão "Seres Humanos", em lugar de "Monstros", expressão à qual melhor identifica seus atos, em lugar de aparentemente minimizar seus autores. Reitero que são atos monstruosos cometidos por Seres Humanos falhos de caráter e escravos das paixões, isto é, que não possuem mais a leveza da generosidade em suas vidas, e que como tal, necessitam ser retirados do convívio social e mantidos isolados para que se neutralize suas ações sobre os demais,isto é, sobre os demais que por questão de oportunidade não devolveram a tais culpados o mesmo peso da violência que os distanciou deste convívio, porque como se diz que a ocasião faz o ladrão, a oportunidade promove a violência, porque a sociedade está doente por inteiro. Você e eu estamos sendo contaminados pelos vírus da violência e estamos de peito aberto numa guerra onde fomos colocados sem espada e sem couraça de defesa. É uma questão de tempo e oportunidade para que sejamos nós mesmos (D-s nos livre disso) os agentes de algum tipo de violência.

Existem muitos tipos de violência, e tais Seres Humanos em estado de Moral Terminal chegaram ao extremo de seu destempero, mas a cada dia somos bombardeados de motivos para que cresça em nós o mesmo câncer da maldade que os acometeu aos fatos.

Assistimos à um crescente de tragédias de matadores em massa, atacando vítimas estupefactas, onde busca-se às cegas encontrar os motivos desta violência, ou quais fatos desencadearam aquela tragédia em especial.Pois vou responder, embora não seja este o propósito destes escritos, e sim motivar questionamentos, então o faço sob forma de perguntas,para que o leitor reflita e responda a si mesmo.
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1 - Você estimula sua leitura e alimentação intelectual  naquilo que te faz crescer enquanto pessoa, ou prefere aquilo que produz emoções, sensações, paixões, adrenalina, romance, aventura ou emoções literárias que promovem a fantasia em lugar da realidade?

2 - Você (esta é para pais e educadores) estimula seus filhos a buscarem emoção e prazer em brincadeiras que promovam a paz social, ou estimula a disputa, a buscar o primeiro lugar, a promover a "mais valia", em lugar de promover o companheirismo, a camaradagem, o afeto desinteressado e a boa convivência entre todos?


3 - Você escolhe s canais de filmes que ofereçam "adrenalina", "emoção",  violência gratuita, pancadaria, tiros à vontade, explosões, sangue voando pela tela, gritos, socos, pancadaria, ou procura por filmes que favoreçam a descontração, biografias, bons documentários, que enalteça os bons hábitos, a família, a devoção à fé e que deixem a alma mais leve, em lugar de ira e ansiedade?

4 - Quando assiste a um noticiário e toma conhecimento de brutalidade contra inocentes, estupros, assaltos e assassinatos a sangue frio, tece comentários acerca de suas ideias sobre justiça, tais como: Pena de morte, espancamentos, linchamentos, justiça pela ira, ou ainda desliga o noticiário porque "só mostra violência" e liga o vídeo game em jogos onde a violência é apenas uma "brincadeira", e acredita que extravasando sua "energia negativa" de forma virtual, tornar-se-á uma pessoa mais dócil e preparada para enfrentar a violência do mundo?

5 - Realmente acredita que seus filhos serão pessoas melhores preparadas para o mundo, se permitir que experimentem brincadeiras onde a morte e a dor sejam apenas personagens eletrônicos, e que isso não terá nenhuma consequência negativa no caráter destas crianças?

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Minha leitura é que não sabemos dosar a pimenta na comida e com o excesso de violência virtual e eletrônica, sobrecarregando o prato dos nossos estímulos com aquilo que não edifica, que não promove o equilíbrio e as boas maneiras, que suscita respostas prontas aos problemas, e alimentam o mal que é escrito com tinta formulada com um fixador perpétuo sobre um pano outrora branco, e estimula os maus  modos no trânsito, no trabalho, na escola, nas relações sociais, motivando o isolamento e o distanciamento das pessoas, onde o virtual torna-se o lugar solitário onde o que é solidário não passa de uma "curtida" rápida, e em determinados grupos, um "sincero" e temeroso "amém".


Filhos do Holocausto e o Museu de Israel -Belíssimos programas transmitidos pelo Dr Rodrigo Silva, Arqueólogo e Historiador






terça-feira, 17 de outubro de 2017

O Dedão do Apolônio - Causos absurdos do Apolônio Lacerda



Apolônio Lacerda não era um taura de duas palavras. Não era mesmo! De pavio curto, embora cauteloso com os revesgueios,  o ensimesmado Apolônio não levava desaforo pro rancho, e andava sempre com a  xerenga meio afiada na bota à espreita de algum ximango pra passar a degola, por quarqué dá-cá-uma-páia. Nunca passou. Também nem havia mais ximangos no seu tempo. E mesmo que houvesse, Apolônio era ôme de bom sizo. Nada de veolênça. "Um ximango - dizia - não se esfaqueia nem com o trêis lista!"

Não se acrocava pra mijá, nem servia o mate com a mãe canhota, porque a dereita era a mão da peleia, e quem serve a cuia não tem tutano pra terciá o ferro ao mesmo tempo. Sendo ansim, se andasse nos conforme, ele também se alinhava nos portanto, e desse jeito a prosa corria a-lo-largo pelo fim da tarde.

Peão traquejado na lida, Apolônio era par-e-passo com o matungo véio,  o saudoso "Bergamota", parceiro fiel e manso, capaz de conduzir o borracho noite adentro de volta ao rancho, ainda que dormindo fosse.


Numa feita, despois de um carteado, no rancho do Gualhába,  arrotando e  matando a camada de ozônho com suas ruidosas flatulências, zóio murcho e a baba escorrendo pelo beiço afora, lá vinha a pareia dereito ao morro:  Um amuntado no outro e o outro carregando o um, que balouçava de lá pra cáe de cpa pra lá, feito dois jacás no lombo de uma mula manca costeando o rio. O que vinha em cima de veis em quando, num trupicão que o pingo dava num toco, dava um pulo, que parecia um soluço, arregalava os zôio vermêio de trago, e sortava um berro, seguido de uma gargaiáda sôrta noite adentro:

_ Ah lá guascaaaa! Se caguêmo, mãns não se entreguêmo pras percanta! Ôrre bosta!


Num dado passo o pingo véio falseia o lombo, e a carga desanda. Apolônio despenca e dá com as fuças num monte de estrume, enlameando as venta e tontiando ainda mais o vivente. Meio que num "upa", se levanta, agarrado nos arreios e solta um xingamento, que por ser esta barbaridade que escrevo lida por dimenór também, vou poupar o verbo e dizer que o arcaide sortô um nome bem feio mesmo. Mas deixemo o nome feio de lado, e seguimo o causo.

Pous Apolônio, ergueu-se apoiado nos arreios, e num "upa", como disse, deu um pulo, o que fez com que o alimar se assustasse e fastrasse um tanto, dando com a anca nas paleta do borracho, e erguendo a pata traseira, dá um pistotão bicharedo no vivente. Pous, lês digo que não foi pôca côza, não senhor.  O causo é que Apolônio usava uma bota garrão-de-potro, onde os garrão e os dedo ficam de fora. Pous foi junto no dedão de maior monta, que o pingo meteu o casco.

Vou encurtar o causo, porque o ôme sofria munto. Noutro "Uba" e um "Bamo!", galopeou daquele jeito rumo ao rancho de Carsulina, que a essa hora já tinha mijado e tava lavando os zóio pras reza. Não deu tempo. Ouviu um: "Tá dimpé, madrinha?"

- Se achegue, que o dóga é manso e foi capado!
- Mãns chê! Não tenho medo que o dóga...(e nisso dá uma topada na cabeça do arreio, soltando um sonoro nome feio, daqueles que dá tapa na zoreia se um piá chamar o outro disso) - O pingo me pisotiô o dedão, chê, e penso que posso inté morrê, se não tratá, madrinha!

- Se achegue, fio! Vou lê faze um implásto de catinga-de-mulata com banha de capivara, e antes de casá, vai vê que sara, filho! O pobrema é mais pisco do que fisco!

Apolônio apeia, não sem cair de novo, porque a cachaça ainda dominava a mente do demente, o que até era de certo modo um benifício, porque ancim doía menas. Carsulina então fez um emplasto e amarrou uns trapos no que encontrou antes de dois parmo de zunha xuja naquele dedão viscoso.

- Lê agardeço, madrinha! Pôus então me vou pro catre véio apinchá o lombo antes que o dia venha!

- Mas de jeito nenhum, filho. Agora mêmo vou aperpará um feijão mixido e um caneco de café passdo pra mór do filho passá a lombêra. O filho se apinche ali naquele pelego, e tire um sono. Quando ficá  pronto, lê chamo.

O cheiro do café passado despertava a manhã, e logo um revirado de ovo com farinha de mandioca e um feijão mexido perfumavam o rancho, onde o café passadinho exalava aquela fragrância de campo e primavera. Apolônio acordou com uma bandeja de goloseimas, a cabeça inchada de ressaca, e um dedão latejando. Mas como diz Carsulina, quando uma subestânça dói, é perciso sabê que o pobrema é sempre mais pisco do que fisco, e carçá a mágoa no chumbo, que o mundo ainda é redondo. Mas isso é assunto pra outra prosa.

Este causo é em homenagem às boas prosas e causos que tive com meus primos Ananias, Zacarias, Izaías, Jeeremias, Elias, Malaquias, Saulo e Tia zezé, de quem sempre vou lembrar com carinho e boas risadas, o gosto do mate, do  pinhão e das lorotas que contávamos ao do crepitar das lenhas e das lembranças de tempos que não voltam nunca mais.  É também dedicado àqueles a quem ainda quero contar muitos causos e muitas lorotas, meus netos Davi, Daniel, Lucas e sarah!

A morte do Teiú e o marasmo da vida

O lagarto Teiú é muito comum pelas matas, e até pelas áreas arborizadas das cidades. Aqui mesmo, onde moro, tem uma pequena reserva de mato,...